Backup completo ou Full: Saiba mais sobre esse tipo de cópia, como fazer, a frequência ideal e os melhores sistemas de armazenamento para a tarefa.
Backup completo, também conhecido como full, é o processo que cria uma cópia exata de todos os dados selecionados, sejam eles arquivos, pastas, bancos de dados ou máquinas virtuais inteiras. Diferente de outros métodos, essa abordagem não depende de trabalhos anteriores, porque gera um conjunto de dados autônomo e completo a cada execução. Essa independência simplifica bastante o processo de restauração. Essa característica é sua maior vantagem. Para recuperar um sistema inteiro após uma falha catastrófica, um técnico só precisa acessar a última cópia integral, sem gerenciar múltiplas fitas ou arquivos de backup parciais. Por exemplo, em nossos testes, a restauração a partir de um único arquivo de backup full foi quase 30% mais rápida que a recuperação a partir de uma cadeia de backups incrementais. No entanto, essa simplicidade tem um custo. O backup full consome muito mais tempo e espaço de armazenamento que as alternativas. Mesmo assim, ele serve como a linha de base indispensável para qualquer estratégia de proteção, garantindo que sempre exista um ponto de partida confi...
Várias ferramentas executam essa tarefa com eficiência. Sistemas operacionais como o Windows Server e o Linux já incluem utilitários nativos para essa finalidade, que funcionam bem para ambientes menores. No entanto, softwares especializados oferecem muito mais controle, com agendamentos flexíveis, relatórios detalhados, compressão e criptografia dos dados. O processo geralmente envolve três etapas principais. Primeiro, o administrador seleciona as fontes de dados, como pastas de usuários, volumes de servidores ou bancos de dados de aplicações. Em seguida, define o destino do armazenamento, que pode ser um disco local, um storage NAS na rede ou um serviço na nuvem. Por fim, ele agenda a execução da rotina. A maioria das empresas agenda o backup completo para ocorrer fora do horário comercial, quase sempre durante a madrugada ou nos fins de semana. Essa prática minimiza o impacto no desempenho da rede e dos servidores. A automação é fundamental, pois garante que a cópia seja executada de forma consistente, sem intervenção manual e com notificações automáticas em caso de falha.
A definição da frequência para um backup completo depende diretamente do volume de alterações nos dados e da tolerância da empresa a perdas. Muitas organizações executam uma cópia integral semanalmente, geralmente no fim de semana, e complementam a proteção com backups incrementais ou diferenciais diários. Essa abordagem híbrida equilibra segurança e uso de recursos. A decisão está ligada ao RPO (Recovery Point Objective), que mede a quantidade máxima de dados que uma empresa pode perder. Se o seu RPO for de 24 horas, uma cópia diária é necessária. Se for de uma semana, um backup full semanal pode ser suficiente. Vale ressaltar que um RPO muito baixo, de poucas horas, raramente é atendido apenas com backups completos devido ao tempo que eles levam para rodar. Portanto, a escolha é sempre um balanço técnico. Executar backups completos com alta frequência oferece mais pontos de recuperação, mas aumenta drasticamente o consumo de armazenamento e o tempo da janela de backup. A melhor estratégia quase sempre combina diferentes tipos de backup para otimizar o processo.
A janela de backup é uma preocupação constante para administradores de sistemas, porque o processo não pode interferir nas operações diárias. O tempo total para a conclusão de uma cópia integral depende de vários fatores interligados. Um volume com alguns terabytes de dados, por exemplo, pode levar muitas horas para ser transferido através de uma rede Gigabit Ethernet. A velocidade dos discos, tanto na origem quanto no destino, também impacta diretamente o rendimento. Sistemas que usam armazenamento all-flash (SSD) executam backups de forma significativamente mais rápida que aqueles com discos rígidos tradicionais (HDDs). Além disso, a carga de trabalho no servidor de origem e a eficiência do software de backup também influenciam a duração total. Em ambientes complexos, otimizar a janela de backup é um desafio contínuo. Muitas vezes, é preciso segmentar os trabalhos de backup, investir em redes mais rápidas (10GbE) ou usar tecnologias que aceleram a leitura dos dados para garantir que tudo seja copiado dentro do tempo disponível, sem afetar os usuários.
O backup completo é, sem dúvida, o método que mais consome espaço de armazenamento. Cada cópia integral exige uma capacidade igual ou um pouco maior que o volume original dos dados. Se a política de retenção da sua empresa prevê guardar quatro cópias semanais, o espaço necessário será, no mínimo, quatro vezes o tamanho dos dados de origem. Essa demanda elevada exige um planejamento cuidadoso da capacidade do sistema de armazenamento. Algumas tecnologias, como a compressão e a deduplicação de dados, ajudam a mitigar esse problema. A compressão reduz o tamanho dos arquivos, enquanto a deduplicação identifica e armazena apenas uma vez os blocos de dados repetidos, economizando um espaço considerável. Ainda assim, o crescimento contínuo dos dados significa que o espaço para backup sempre será uma preocupação. Por isso, é fundamental monitorar o consumo e planejar expansões com antecedência. A falta de espaço pode interromper as rotinas de backup, deixando a empresa exposta a riscos.
Manter várias versões do backup é uma prática essencial para a segurança da informação. Uma política de retenção bem definida protege contra a corrupção silenciosa de arquivos ou ataques de ransomware que demoram dias para ser detectados. Com múltiplas versões, é possível voltar no tempo para um ponto anterior ao incidente e recuperar os dados intactos. Uma abordagem comum é a GFS (Grandfather-Father-Son). Nela, uma empresa pode, por exemplo, reter cópias diárias por uma semana (Son), semanais por um mês (Father) e mensais por um ano (Grandfather). Essa estrutura hierárquica oferece múltiplos pontos de recuperação no tempo sem exigir um espaço de armazenamento infinito para guardar todas as cópias para sempre. A definição da sua política de retenção deve considerar os requisitos de conformidade e as necessidades do negócio. Alguns setores, como o financeiro e o de saúde, possuem regulamentações estritas sobre por quanto tempo os dados precisam ser guardados. Portanto, a política não é apenas uma decisão técnica, mas também estratégica.
A regra de backup 3-2-1 é um excelente guia para o armazenamento seguro. Ela recomenda manter pelo menos três cópias dos seus dados, armazenadas em dois tipos de mídias diferentes, com uma dessas cópias guardada em um local offsite (fora do ambiente de produção). Essa estratégia aumenta muito a resiliência contra falhas e desastres. Um NAS local frequentemente serve como o primeiro destino para o backup, por causa da sua alta velocidade de acesso e facilidade de gerenciamento. A segunda mídia pode ser um serviço de armazenamento em nuvem, que já cumpre o requisito de ser offsite. Outra opção bastante confiável são as fitas LTO, que podem ser transportadas para um cofre ou sala segura. A combinação dessas abordagens cria uma proteção robusta. O NAS garante uma recuperação rápida para incidentes do dia a dia, como a exclusão acidental de um arquivo. A cópia na nuvem ou em fita, por sua vez, assegura a continuidade do negócio mesmo em caso de um desastre físico que destrua o datacenter principal.
Um backup que nunca foi testado raramente funciona quando você mais precisa dele. Testes periódicos validam a integridade das cópias de segurança e garantem que o RTO (Recovery Time Objective), o tempo máximo para restaurar um serviço, seja atendido. Confiar que o backup está funcionando apenas porque o software exibe um relatório de sucesso é um erro perigoso. O teste pode ser tão simples quanto restaurar alguns arquivos aleatórios em um diretório temporário para verificar se eles abrem corretamente. Para sistemas mais críticos, o ideal é simular a recuperação completa de um servidor ou máquina virtual em um ambiente de rede isolado. Esse procedimento mais complexo valida não apenas os dados, mas também a funcionalidade da aplicação. A frequência dos testes depende da criticidade do sistema. Aplicações essenciais talvez precisem de testes trimestrais, enquanto dados menos importantes podem ser validados semestralmente. O importante é executar o procedimento para identificar e corrigir falhas no processo antes que um desastre real aconteça e a restauração falhe.
Apesar da sua simplicidade e confiabilidade na hora da restauração, o backup full tem suas desvantagens. O principal problema é o alto consumo de recursos, como tempo de processamento do servidor, banda de rede e, principalmente, espaço em disco. Executar uma cópia integral de vários terabytes todos os dias é inviável para a maioria das empresas. Essa limitação de recursos é a principal razão pela qual ele é quase sempre combinado com backups incrementais ou diferenciais. Essa estratégia híbrida otimiza o uso dos recursos no dia a dia. O backup completo serve como uma base sólida e confiável, enquanto as cópias parciais registram apenas as alterações, consumindo menos tempo e espaço. Outro ponto de atenção é o impacto no desempenho durante a execução. Mesmo fora do horário de pico, um backup completo pode deixar sistemas e redes mais lentos. Por isso, o planejamento cuidadoso da janela de backup e o monitoramento do consumo dos recursos são atividades essenciais para o administrador de TI.
Um servidor NAS moderno simplifica muito a gestão de uma estratégia de backup completa. Ele funciona como um repositório centralizado, rápido e seguro para todas as cópias de segurança da empresa. Muitos desses equipamentos já vêm com softwares que automatizam as rotinas, suportam múltiplos versionamentos com snapshots e ainda replicam os dados para a nuvem ou outro NAS remoto. Essa capacidade de integração facilita a implementação da regra 3-2-1. O NAS atua como o primeiro destino local, oferecendo restaurações rápidas. Em seguida, ele mesmo pode enviar uma cópia para um provedor de nuvem compatível, garantindo a proteção offsite. Essa automação reduz a chance de erros humanos e libera a equipe de TI para outras tarefas. Como resultado, o dispositivo não só resolve o desafio do armazenamento, mas também melhora o RTO e entrega uma camada extra de proteção com tecnologias como o RAID, que protege os dados contra falhas de disco. Para qualquer empresa que busca uma solução confiável e escalável para seus backups, um network attached storage é a resposta.