Backup de dados: Saiba como proteger seus dados importantes, os tipos de cópia, dispositivos e mais detalhes sobre hardware e software necessários.
Backup de dados é uma cópia de segurança de arquivos, bancos de dados ou sistemas inteiros, armazenada em um local separado do original. Sua finalidade principal é restaurar informações em caso de perda, corrupção, falha de hardware ou ataque malicioso como ransomware. Sem essa cópia, a recuperação dos dados pode ser impossível. Essa cópia precisa estar em um dispositivo ou mídia diferente do local primário, porque um desastre físico como um incêndio ou roubo comprometeria ambos. Vários cenários justificam essa prática, desde um simples erro humano ao apagar um arquivo importante até a falha completa de um servidor. A cópia de segurança é a única garantia de retorno à normalidade. Sem um plano de cópias, qualquer negócio arrisca sua continuidade e sua reputação. A capacidade de recuperar dados rapidamente após um incidente não é apenas uma medida técnica, mas também um pilar da resiliência operacional que protege o futuro da empresa.
A primeira etapa em qualquer estratégia consiste em mapear os dados críticos para o funcionamento do negócio. Geralmente, isso inclui arquivos de usuários, bancos de dados de sistemas ERP ou CRM, e-mails, configurações de servidores e máquinas virtuais. Um inventário detalhado evita que informações importantes fiquem de fora. Sistemas operacionais e aplicativos geralmente podem ser reinstalados a partir das mídias originais, por isso nem sempre precisam entrar na rotina diária. No entanto, os dados gerados por eles são únicos e insubstituíveis. O foco deve ser sempre no que não pode ser facilmente recriado. Algumas ferramentas também permitem o backup bare-metal, que copia o sistema inteiro, incluindo o sistema operacional e os programas. Embora consuma bastante espaço, esse método acelera muito a recuperação total do servidor, pois restaura um ambiente funcional de uma só vez.
A frequência das cópias de segurança depende diretamente do volume de alterações nos dados e do prejuízo que sua perda causaria. Para isso, definimos dois conceitos chave: o RPO (Recovery Point Objective) e o RTO (Recovery Time Objective). O RPO determina a quantidade máxima de dados que a empresa tolera perder, medida em tempo. Por exemplo, um RPO de 24 horas significa que a empresa aceita perder até um dia de trabalho. Nesse caso, um backup diário é suficiente. Ambientes com transações constantes, como um e-commerce, talvez precisem de um RPO de poucos minutos. Isso exige cópias quase contínuas. Já o RTO define o tempo máximo que o sistema pode permanecer offline após uma falha. Um RTO baixo exige tecnologias de restauração mais rápidas e, consequentemente, investimentos maiores. Ambos os indicadores devem ser definidos com base nas necessidades do negócio, não apenas em critérios técnicos.
Um backup completo, ou full, copia todos os dados selecionados para a mídia de destino. Ele é o mais simples de gerenciar e o mais rápido para restaurar, pois contém tudo em um único conjunto. No entanto, consome muito espaço de armazenamento e tempo para ser executado. O backup incremental, por sua vez, copia apenas os arquivos alterados desde a última cópia, seja ela completa ou incremental. Esse método é extremamente rápido e economiza bastante espaço. Sua desvantagem aparece na restauração, que exige o último backup full mais todos os incrementais subsequentes em ordem. Já o backup diferencial copia todos os arquivos alterados desde o último backup completo. Ele ocupa mais espaço que o incremental, mas simplifica a restauração. Para recuperar os dados, basta o último backup full e o último diferencial. A escolha entre os três tipos depende do equilíbrio entre janela de backup, espaço disponível e velocidade de recuperação desejada.
A política de retenção define por quanto tempo as cópias de segurança devem ser mantidas antes de serem descartadas. Essa regra é fundamental para gerenciar o espaço de armazenamento e também para cumprir requisitos legais ou de conformidade. Algumas regulamentações exigem que certos dados sejam guardados por vários anos. O versionamento é igualmente importante, pois preserva múltiplas versões de um mesmo arquivo ao longo do tempo. Se um arquivo for corrompido e o problema só for notado dias depois, o backup mais recente também conterá a versão corrompida. Com o versionamento, é possível voltar a uma versão íntegra anterior ao incidente. Essa capacidade é uma defesa poderosa contra ataques de ransomware. Se os arquivos forem criptografados, basta restaurar a versão imediatamente anterior ao ataque. Uma boa política combina retenção de longo prazo para cópias mensais ou anuais com um versionamento de curto prazo para cópias diárias.
Armazenar o backup no mesmo servidor dos dados originais é um erro comum e perigoso. Uma falha de hardware ou um ataque direcionado comprometeria ambos. Por isso, o armazenamento local deve ser feito em um dispositivo separado, como um HD externo ou, idealmente, um storage NAS (Network Attached Storage). A nuvem é outra opção bastante popular, pois oferece escalabilidade e acesso de qualquer lugar. No entanto, a velocidade de restauração de grandes volumes de dados pode ser limitada pela conexão com a internet. Além disso, os custos mensais podem crescer rapidamente conforme o volume de dados aumenta. A melhor prática é seguir a regra 3-2-1: ter pelo menos três cópias dos dados, em dois tipos de mídia diferentes, com uma delas armazenada off-site (fora do local físico da empresa). Um sistema de armazenamento local combinado com uma replicação para a nuvem ou para outra unidade física remota cumpre essa regra com eficiência.
Um backup só é útil se os dados estiverem íntegros e puderem ser lidos no momento da restauração. A corrupção de arquivos pode ocorrer silenciosamente por falhas na mídia de armazenamento ou durante a transferência dos dados. Por isso, a verificação da integridade é uma etapa que nunca deve ser ignorada. Muitos softwares de backup modernos incluem funções de verificação automática após a conclusão da tarefa. Eles comparam os arquivos de origem com os da cópia para garantir que são idênticos, geralmente usando checksums ou outras técnicas de validação. Ativar essa função adiciona uma camada extra de confiança ao processo. Além disso, alguns sistemas de arquivos mais avançados, como o ZFS ou o Btrfs, presentes em muitos servidores de armazenamento, possuem mecanismos nativos para detectar e até corrigir a corrupção de dados. Usar um equipamento com esses recursos melhora significativamente a confiabilidade das suas cópias de segurança.
Ter uma rotina de backup automatizada e verificada não é suficiente. A única maneira de ter certeza absoluta que o processo funciona é realizando testes periódicos de restauração. Muitas equipes de TI só descobrem que suas cópias são inúteis quando mais precisam delas, durante uma emergência real. O teste não precisa ser complexo. Ele pode envolver a restauração de alguns arquivos ou pastas aleatórias para um local temporário para confirmar que eles abrem corretamente. Para sistemas mais críticos, simular a recuperação completa de um servidor em um ambiente de teste é a validação definitiva. Essa prática deve ser documentada e executada em intervalos regulares, como trimestralmente ou semestralmente. Os testes revelam problemas na configuração do software, falhas na mídia ou incompatibilidades que passariam despercebidos. Confiar sem testar é uma aposta arriscada.
Processos manuais de backup são propensos a falhas humanas. Um técnico pode esquecer de executar a rotina, conectar o dispositivo errado ou cometer um erro na seleção dos arquivos. A automação elimina essa variável e garante que as cópias sejam executadas de forma consistente e pontual, sem qualquer intervenção. Quase todos os softwares de backup permitem agendar tarefas para rodar em horários específicos, como durante a madrugada, para não impactar o desempenho da rede. Uma vez configurada, a rotina é executada de maneira autônoma, gerando relatórios e alertas por e-mail em caso de sucesso ou falha. A automação também simplifica a gestão de estratégias complexas que combinam backups completos, diferenciais e incrementais. O software gerencia a cadeia de dependências e a política de retenção automaticamente. Isso libera a equipe de TI para focar em tarefas mais estratégicas.
Um NAS server é uma solução extremamente eficaz para centralizar e simplificar todas as etapas de uma estratégia de backup. Ele funciona como um repositório central na rede local, para onde todos os servidores e estações de trabalho podem enviar suas cópias de segurança de forma rápida e organizada. Muitos desses equipamentos vêm com softwares de backup integrados que suportam versionamento, agendamento e múltiplos tipos de cópias. Eles também oferecem recursos avançados como snapshots, que criam imagens do sistema de arquivos em um ponto no tempo, e replicação remota para outra unidade NAS, facilitando a criação de uma cópia off-site. Além disso, a maioria dos sistemas de armazenamento em rede utiliza sistemas com redundância de discos (RAID) e sistemas de arquivos robustos, que protegem as próprias cópias contra falhas de hardware e corrupção de dados. Com isso, um storage NAS não é apenas um destino para o backup, mas uma plataforma completa que aumenta a segurança e a confiabilidade de todo o processo. Ele é a resposta para uma proteção de dados robusta e gerenciável.