Backup para CFTV: Saiba como fazer cópias das imagens, o tempo de retenção, exigências legais e como dimensionar corretamente seu sistema de armazenamento
Backup para CFTV é o processo que cria cópias das gravações das câmeras de segurança em um dispositivo de armazenamento separado do gravador original. O seu principal objetivo é proteger as imagens contra perda por falha de hardware, roubo do equipamento, sabotagem ou exclusão acidental. Essa tarefa geralmente ocorre de forma automatizada, onde os arquivos de vídeo são transferidos do DVR ou NVR para um storage de rede (NAS), um servidor de arquivos ou até mesmo para a nuvem. A automação garante que as cópias estejam sempre atualizadas sem qualquer intervenção manual, o que minimiza a chance de falha humana. Como resultado, se o sistema principal de gravação ficar indisponível, as cópias de segurança preservam as evidências. Isso assegura que as imagens possam ser recuperadas para análise forense, conformidade legal ou para qualquer outra finalidade que motivou a instalação do sistema.
Confiar apenas no disco rígido interno de um DVR ou NVR é uma aposta arriscada, porque ele representa um ponto único de falha. Se esse disco falhar, algo comum devido ao ciclo intenso de gravação 24/7, todas as imagens armazenadas nele são perdidas instantaneamente. Além disso, em muitos casos de invasão, os criminosos procuram e levam o gravador para eliminar as provas do crime. Quando isso acontece, um backup externo e, preferencialmente, em outro local físico, é a única garantia de que as gravações sobreviverão ao incidente. Esse equipamento também está vulnerável a danos acidentais, surtos elétricos ou até mesmo a erros de software que corrompem os dados. Uma cópia de segurança isolada em outro sistema protege as gravações contra esses eventos imprevisíveis e garante a sua integridade.
O dimensionamento correto do storage evita surpresas com falta de espaço e garante o tempo de retenção desejado. O cálculo depende de quatro fatores principais: a resolução das câmeras (HD, Full HD, 4K), a taxa de quadros por segundo (FPS), o bitrate configurado e o número total de câmeras no sistema. Por exemplo, uma única câmera Full HD (1080p) gravando a 15 FPS pode consumir entre 40 e 60 GB por dia. Para um sistema com 10 câmeras e uma política de retenção de 30 dias, o espaço necessário já ultrapassa os 15 terabytes. Várias calculadoras online ajudam a estimar esse valor com mais precisão. Nossa recomendação é sempre projetar o sistema com uma folga de pelo menos 30% de capacidade adicional. Esse espaço extra acomoda futuras expansões, como a adição de novas câmeras ou o aumento da qualidade da gravação, sem exigir um upgrade imediato do seu hardware.
A escolha entre gravação contínua e por eventos impacta diretamente o consumo de armazenamento. A gravação contínua captura tudo, 24 horas por dia, e é ideal para ambientes de alta segurança onde nenhum detalhe pode ser perdido. No entanto, essa abordagem exige uma capacidade de armazenamento muito maior. Por outro lado, a gravação acionada por detecção de movimento economiza um espaço considerável, pois só armazena clipes quando uma atividade é identificada. O risco, aqui, é a possibilidade de perder os segundos que antecedem o evento, embora a maioria dos sistemas modernos possua um buffer de pré-gravação para mitigar esse problema. Em muitos cenários, uma estratégia híbrida oferece o melhor dos dois mundos. É possível configurar o sistema para gravar continuamente em uma qualidade inferior e, ao detectar movimento, aumentar a resolução e a taxa de quadros. Isso otimiza o uso do disco sem sacrificar a qualidade das imagens importantes.
O armazenamento local, como um Storage NAS, oferece velocidade e controle total sobre os dados. A recuperação das imagens é quase instantânea, pois não depende da velocidade da internet. Embora exija um investimento inicial em hardware, não há custos mensais recorrentes para o armazenamento. Já o backup em nuvem proporciona uma excelente proteção offsite, pois as cópias ficam seguras em um datacenter remoto, imunes a desastres locais como incêndios ou roubos. Seu custo inicial é baixo, mas as mensalidades podem crescer bastante conforme o volume de dados aumenta, o que torna a solução cara para sistemas com muitas câmeras. A abordagem mais segura frequentemente combina os dois, seguindo a regra de backup 3-2-1. Mantenha as gravações no NVR, uma segunda cópia local em um NAS e uma terceira cópia na nuvem para as câmeras mais críticas. Essa redundância em camadas é a melhor defesa contra a perda de dados.
Entender os conceitos de RTO e RPO é fundamental para definir sua estratégia de backup. O RPO (Recovery Point Objective) representa a quantidade máxima de dados que sua empresa tolera perder. Para CFTV, um RPO de algumas horas geralmente é aceitável, o que significa que o backup pode ser executado periodicamente durante o dia. O RTO (Recovery Time Objective) mede a rapidez com que você precisa restaurar o acesso às gravações após uma falha. Se a necessidade de acesso for imediata, uma solução local como um NAS é superior, pois a recuperação de grandes arquivos de vídeo pela internet pode ser demorada. Portanto, a tecnologia de backup deve estar alinhada às necessidades operacionais. Para monitoramento crítico, um RTO baixo é essencial, o que favorece soluções locais. Para arquivamento de longo prazo, onde a velocidade de recuperação é menos importante, a nuvem se torna uma opção bastante viável.
No Brasil, não há uma lei federal que unifique o tempo de retenção de imagens para todos os setores. As exigências variam bastante conforme as legislações estaduais, municipais ou regulamentações específicas, como as aplicadas a instituições financeiras e condomínios. A recomendação geral, na maioria dos casos, é manter as gravações por um período mínimo de 30 dias. Contudo, em situações que envolvem investigações policiais ou processos judiciais, as autoridades podem exigir que as imagens sejam preservadas por um tempo muito maior. Por isso, é crucial verificar as normas aplicáveis à sua localidade e ao seu tipo de negócio. Uma política de retenção bem definida não apenas assegura a conformidade legal, mas também ajuda a otimizar o uso do espaço de armazenamento, evitando guardar dados desnecessariamente.
Um Storage NAS atua como um cofre digital centralizado para as gravações de múltiplos DVRs e NVRs. Ele se conecta à sua rede e recebe os arquivos de vídeo de forma programada e automática, o que elimina a necessidade de processos manuais e reduz o risco de esquecimentos. Muitos equipamentos NAS modernos também incluem softwares de vigilância completos, como o QVR Pro da QNAP. Essas ferramentas transformam o próprio NAS em um gravador de vídeo em rede (NVR) muito mais poderoso, capaz de gerenciar câmeras, gravações e backups em uma única interface. Além disso, a tecnologia RAID presente nos storages protege os dados contra falhas de disco. Se um dos HDs parar de funcionar, as gravações permanecem seguras nos outros discos do conjunto. Essa redundância é um recurso que a maioria dos gravadores convencionais não oferece.
A proteção verdadeiramente eficaz das suas gravações de segurança depende de uma estratégia com múltiplas camadas. A primeira camada é o gravador, mas a mais importante é a implementação de um backup automatizado para um dispositivo externo e robusto. Nesse contexto, um Storage NAS oferece a combinação ideal de segurança, escalabilidade e controle. Ele permite expandir a capacidade de armazenamento facilmente e suporta a criação de cópias adicionais para a nuvem ou para um segundo local, o que atende perfeitamente à regra 3-2-1. Para qualquer cenário onde a perda das imagens de segurança é inaceitável, um NAS com redundância de discos e rotinas de backup automatizadas deixa de ser uma opção e se torna um componente essencial. Essa estrutura é a resposta para garantir que as evidências estejam sempre seguras e acessíveis.