Índice:
- Como melhorar o desempenho de um NAS?
- A importância da memória RAM no sistema
- O uso de SSDs para cache acelera o acesso?
- A rede é o gargalo mais comum
- Discos rígidos e a configuração RAID
- Otimizações no sistema operacional do NAS
- O impacto do sistema de arquivos
- Quando a troca do equipamento é necessária?
- Análise final sobre a otimização de storages
Muitos usuários investem em um Network Attached Storage (NAS) para centralizar dados, mas frequentemente se deparam com uma lentidão frustrante no acesso aos arquivos.
Essa demora compromete a produtividade e gera bastante incômodo.
Um desempenho baixo afeta diretamente as rotinas de backup, o streaming de mídia e a colaboração em equipe, transformando uma ferramenta de organização em um novo gargalo operacional.
O problema quase sempre está em algum componente subdimensionado.
Assim, entender os pontos fracos do sistema é o primeiro passo para otimizar o equipamento.
Com alguns ajustes, é possível extrair o máximo potencial do seu storage de rede.
Como melhorar o desempenho de um NAS?
A otimização da performance de um NAS envolve uma análise multifatorial que abrange desde a configuração da rede e dos discos até atualizações de hardware como memória RAM e SSDs para cache.
Frequentemente, a combinação de vários pequenos ajustes resulta em ganhos significativos na velocidade de leitura e escrita.
Os principais gargalos geralmente são a própria rede, a capacidade de processamento do equipamento e a velocidade dos discos rígidos.
Cada um desses elementos pode limitar a taxa de transferência, mesmo que os outros componentes sejam rápidos.
Por isso, uma abordagem equilibrada é fundamental.
A solução ideal também depende muito do uso principal do servidor.
Um storage para backup de arquivos tem necessidades diferentes de um que hospeda máquinas virtuais ou edita vídeos diretamente na rede.
A importância da memória RAM no sistema
Uma quantidade insuficiente de memória RAM é uma das principais causas da lentidão, especialmente quando vários serviços ou aplicativos rodam simultaneamente no NAS.
O sistema operacional do storage utiliza a RAM para manter os processos ativos e agilizar o acesso.
Aplicativos como Plex, Docker ou sistemas de vigilância consomem bastante memória.
Aumentar a capacidade de RAM quase sempre melhora a responsividade geral do sistema, pois reduz a necessidade de usar o disco como memória virtual, um processo muito mais lento.
Antes de qualquer compra, verifique a compatibilidade e a capacidade máxima suportada pelo seu modelo.
Felizmente, essa é uma das atualizações mais baratas e que oferece um dos maiores retornos sobre o investimento.
O uso de SSDs para cache acelera o acesso?
Sim, o cache com SSDs pode acelerar drasticamente o acesso a arquivos utilizados com frequência.
O sistema identifica os dados mais "quentes" e os armazena temporariamente nos SSDs, que são muito mais rápidos que os discos rígidos tradicionais.
Existem dois tipos principais de cache: o de leitura e o de leitura/escrita.
O primeiro é mais seguro e ideal para a maioria dos usuários, pois apenas copia os dados para acelerar o acesso.
Já o segundo, mais complexo, exige pelo menos dois SSDs em RAID 1 para proteger os dados antes de gravá-los nos HDDs.
Em nossos testes, a diferença é notável em bancos de dados e máquinas virtuais, onde muitas operações de leitura e escrita pequenas ocorrem.
Para simples armazenamento de arquivos grandes, o ganho talvez seja menos perceptível.
A rede é o gargalo mais comum
Uma rede Gigabit (1GbE), padrão na maioria dos ambientes, limita a taxa de transferência a cerca de 110 MB/s.
Mesmo que seu NAS tenha discos capazes de entregar 500 MB/s, a rede sempre será o teto.
Esse é, frequentemente, o principal limitador em muitos cenários.
A agregação de link (Link Aggregation) é uma alternativa que soma a velocidade de duas ou mais portas de rede.
Essa técnica dobra a banda disponível para múltiplos usuários simultâneos, mas não acelera a transferência de um único arquivo para um único computador.
Para ganhos reais de velocidade em uma única tarefa, a migração para redes 2.5GbE ou 10GbE é a solução definitiva.
Essa mudança, no entanto, exige a troca do switch e, possivelmente, das placas de rede nos computadores conectados.
Discos rígidos e a configuração RAID
A escolha dos discos rígidos impacta diretamente a performance do conjunto.
HDDs de 7200 RPM são mais rápidos que os modelos de 5400 RPM, porém geram mais calor, ruído e consomem mais energia.
A decisão deve equilibrar esses fatores.
O tipo de arranjo RAID também é fundamental para o desempenho.
Configurações como RAID 5 ou 6 oferecem um bom balanço entre segurança e velocidade para arquivos grandes.
O RAID 10, por outro lado, é superior para operações com muitos arquivos pequenos (IOPS), como em bancos de dados.
É importante evitar o uso de discos SMR (Shingled Magnetic Recording) em arranjos RAID.
Seu desempenho em reescrita é bastante inferior e pode degradar a performance de todo o volume.
Prefira sempre discos com tecnologia CMR (Conventional Magnetic Recording) para essa finalidade.
Otimizações no sistema operacional do NAS
Manter o sistema operacional do seu storage sempre atualizado é uma prática simples, mas que corrige falhas de segurança e, algumas vezes, melhora a eficiência geral.
Os fabricantes liberam periodicamente melhorias de performance nessas atualizações.
Além disso, desative serviços e aplicativos que você não utiliza.
Cada processo rodando em segundo plano consome preciosos recursos do processador e da memória RAM.
Uma análise rápida no painel de controle revela quais pacotes podem ser removidos com segurança.
Agende tarefas pesadas, como verificações de antivírus ou a indexação completa de arquivos, para horários de baixa utilização, como durante a madrugada.
Isso evita que o sistema fique lento justamente quando você mais precisa dele.
O impacto do sistema de arquivos
A escolha do sistema de arquivos, feita durante a inicialização do volume, tem consequências a longo prazo no comportamento do storage.
Os mais comuns em equipamentos modernos são o EXT4 e o Btrfs, cada um com suas particularidades.
O EXT4 é um sistema maduro e muito estável, com excelente desempenho para a maioria das tarefas de armazenamento.
O Btrfs, por sua vez, oferece recursos avançados como snapshots instantâneos e autogravação de dados (self-healing), que protege contra a corrupção silenciosa de arquivos.
Se a sua prioridade máxima é a proteção de dados e a recuperação rápida de versões anteriores, o Btrfs é a melhor escolha.
Se o foco é puramente a velocidade bruta em operações sequenciais, o EXT4 geralmente leva uma pequena, mas mensurável, vantagem.
Quando a troca do equipamento é necessária?
Chega um momento em que as atualizações de hardware não são mais suficientes para suprir a demanda.
Um processador mais antigo ou a falta de slots de expansão PCIe podem limitar permanentemente as possibilidades de melhoria.
Se o seu NAS não suporta redes 10GbE, cache com SSDs M.2 NVMe ou uma expansão de RAM adequada para sua carga de trabalho, talvez seja a hora de considerar um novo equipamento.
Insistir em um hardware obsoleto pode custar mais em produtividade perdida.
Um novo storage não apenas resolve os gargalos atuais, mas também prepara sua infraestrutura para futuras demandas por mais velocidade e capacidade.
Portanto, avaliar o custo-benefício da troca é uma decisão estratégica importante para qualquer empresa.
Análise final sobre a otimização de storages
Melhorar a performance de um storage de rede raramente depende de uma única ação.
O processo consiste em identificar o elo mais fraco na cadeia que conecta o usuário aos dados: rede, discos, memória ou o próprio processador do NAS.
Comece sempre com as otimizações de software, que são gratuitas e podem trazer bons resultados.
Depois, avalie os upgrades de hardware com melhor custo-benefício, como a memória RAM.
Por fim, invista em melhorias mais caras, como SSDs para cache e rede 10GbE, se a sua demanda justificar.
Para ambientes que exigem alta disponibilidade e velocidade constante, um storage de rede bem configurado e dimensionado para a carga de trabalho é a resposta para centralizar e proteger os dados com máxima eficiência.
