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Saiba como replicar dados entre vários servidores

Saiba como replicar dados entre vários servidores

Índice:

Muitas empresas subestimam o risco de uma falha em um servidor único até que seja tarde demais. A interrupção de um serviço essencial frequentemente paralisa operações inteiras, pois os dados se tornam inacessíveis. Essa indisponibilidade gera prejuízos financeiros e também afeta a confiança do cliente.

O problema central é a dependência de um único ponto de falha. Sem uma cópia atualizada dos dados em outro local, a recuperação pode levar horas ou até dias. Durante esse tempo, a produtividade despenca e as oportunidades comerciais desaparecem.

Assim, a replicação de dados entre servidores surge como uma estratégia vital para a continuidade dos negócios. Ela cria um espelho funcional da sua infraestrutura, pronto para assumir as operações quase instantaneamente. Esse processo garante que sua empresa continue funcionando mesmo diante de imprevistos.

Como replicar dados entre servidores?

A replicação de dados é o processo que copia e mantém objetos de dados atualizados em múltiplos locais. Uma implementação bem-sucedida cria redundância, melhora a disponibilidade e fortalece a recuperação após desastres. Essa técnica basicamente sincroniza as informações entre um servidor primário (fonte) e um ou mais servidores secundários (réplicas).

O funcionamento depende do método escolhido, mas o objetivo é sempre o mesmo: garantir que uma cópia consistente dos dados esteja disponível em outro hardware. Em muitos casos, o sistema captura as alterações na fonte, como inserções ou atualizações em um banco de dados, e as envia para a réplica pela rede. Essa abordagem assegura que ambos os servidores permaneçam sincronizados, com um atraso mínimo.

Essa tecnologia é fundamental para aplicações que exigem alta disponibilidade, como e-commerce e aplicações financeiras. Ela também sustenta planos de recuperação de desastres, pois uma réplica em um local geograficamente distinto protege a empresa contra falhas locais, como incêndios ou problemas de energia. Portanto, replicar informações é uma medida protetiva essencial.

Replicação Síncrona: Consistência em tempo real

A replicação síncrona executa uma operação de escrita simultaneamente nos servidores primário e secundário. A aplicação que origina a escrita só recebe a confirmação de sucesso após ambos confirmarem a gravação. Essa abordagem garante que os dados na réplica sejam sempre idênticos aos da fonte, sem qualquer atraso.

O principal benefício desse método é o objetivo de ponto de recuperação (RPO) zero. Isso significa que, em caso de falha no servidor principal, nenhuma transação é perdida, pois a cópia secundária está perfeitamente atualizada. Algumas aplicações críticas, como processamento de transações bancárias, frequentemente exigem esse nível de consistência para evitar perdas.

No entanto, o impacto no desempenho é sua maior desvantagem. A latência da rede afeta diretamente o tempo de resposta da aplicação, porque cada escrita precisa aguardar duas confirmações. Por isso, a replicação síncrona raramente funciona bem em redes de longa distância e exige uma infraestrutura de alta velocidade, como links de Fibre Channel ou Ethernet de 10GbE.

Replicação Assíncrona: Flexibilidade e Desempenho

A replicação assíncrona, por outro lado, prioriza o desempenho da aplicação principal. Nesse formato, o servidor primário grava os dados localmente e envia a confirmação para a aplicação imediatamente. A cópia para o servidor secundário ocorre em segundo plano, com um pequeno atraso.

Sua grande vantagem é o impacto mínimo sobre a performance do sistema de origem. Como a aplicação não precisa esperar a escrita na réplica, as operações continuam rápidas. Além disso, essa modalidade tolera redes com maior latência e menor largura de banda, o que a torna ideal para replicação entre datacenters distantes.

O trade-off, contudo, é um RPO maior que zero. Se o servidor primário falhar antes que os dados pendentes sejam replicados, essas informações serão perdidas. O tamanho dessa janela de perda depende do intervalo de sincronização. Mesmo assim, para muitas cargas de trabalho, a perda de alguns segundos ou minutos de dados é um risco aceitável em troca de um melhor desempenho.

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As arquiteturas: Master-Slave vs. Master-Master

A arquitetura Master-Slave, também conhecida como primário-réplica, é a mais comum. Nela, somente um servidor (o master) aceita operações de escrita. Todas as alterações são, então, propagadas para um ou mais servidores secundários (slaves), que geralmente operam em modo de leitura. Esse desenho simplifica o gerenciamento, pois evita conflitos de escrita.

Já o modelo Master-Master permite que ambos os servidores aceitem operações de escrita. Essa configuração é útil para distribuir a carga de trabalho e para instalações geograficamente distribuídas, onde usuários podem se conectar ao servidor mais próximo. A complexidade, no entanto, aumenta bastante, pois é necessário um mecanismo robusto para resolver conflitos quando o mesmo dado é alterado em ambos os locais simultaneamente.

A escolha entre os dois depende da necessidade da aplicação. Para a maioria dos cenários de alta disponibilidade e recuperação de desastres, a simplicidade e a consistência do Master-Slave são suficientes. O Master-Master é geralmente reservado para ambientes complexos que precisam de baixa latência de escrita em múltiplas regiões, mas seu custo de implementação e manutenção é consideravelmente maior.

O impacto da latência e da banda na cópia de dados

A rede é um componente crítico em qualquer estratégia de replicação. A latência, ou o tempo de viagem dos pacotes de dados, afeta diretamente a performance, especialmente no formato síncrono. Uma latência alta aumenta o tempo de espera para cada operação de escrita, o que torna o servidor principal mais lento para o usuário final.

A largura de banda, por sua vez, determina o volume de dados que pode ser transferido em um determinado período. Uma banda insuficiente pode criar um gargalo na replicação assíncrona. Se o volume de alterações no servidor primário for maior que a capacidade da rede para transmiti-las, a réplica ficará cada vez mais desatualizada. Isso aumenta o RPO e o risco de perda de dados.

Por exemplo, replicar um banco de dados com alta taxa de transações sobre um link de internet instável certamente resultará em um atraso significativo. É fundamental dimensionar a infraestrutura de rede para suportar a carga de trabalho. Em nossos testes, a falta de uma rede dedicada e veloz é quase sempre a principal causa de falhas em projetos de replicação.

Ferramentas e protocolos para a transferência de arquivos

Várias tecnologias viabilizam a replicação de dados. A replicação baseada em snapshots, por exemplo, cria cópias pontuais do estado de um volume de armazenamento. Esses snapshots são então transferidos para o local secundário. Embora seja simples, esse método pode perder dados alterados entre a criação de cada cópia.

Para bancos de dados, a replicação baseada em logs de transação, ou Change Data Capture (CDC), é muito mais eficiente. Essa técnica lê o log de transações do banco, captura todas as alterações (INSERT, UPDATE, DELETE) e as envia para a réplica. Como apenas as mudanças são transmitidas, o consumo de rede é mínimo, e a consistência é bastante alta.

Outra abordagem popular é a replicação em nível de bloco, utilizada por ferramentas como o rsync em arquivos ou por unidades de armazenamento mais avançadas. Em vez de copiar arquivos inteiros, essa tecnologia identifica e envia somente os blocos de dados que foram modificados. Isso otimiza drasticamente a transferência de grandes volumes, como máquinas virtuais ou arquivos de mídia.

Conflitos de escrita e a ordem dos eventos

Um dos maiores desafios da replicação, especialmente na arquitetura Master-Master, é o conflito de escrita. Ele ocorre quando o mesmo registro é modificado em dois servidores diferentes antes que a sincronização aconteça. Sem uma regra clara, o servidor não sabe qual versão do dado deve prevalecer, o que pode levar à corrupção de informações.

Para lidar com isso, os sistemas implementam políticas de resolução de conflitos. Uma estratégia comum é a "última escrita vence", onde a alteração com o timestamp mais recente é mantida. Outras podem envolver regras mais complexas, baseadas no conteúdo ou na origem da alteração. No entanto, nenhuma solução é perfeita e sempre existe o risco de uma decisão automática sobrescrever uma alteração importante.

A ordem dos eventos também é fundamental. As transações devem ser aplicadas na réplica na mesma sequência em que ocorreram na fonte para garantir a consistência lógica dos dados. Uma falha nesse sequenciamento pode quebrar a integridade referencial em um banco de dados. Por isso, a arquitetura Master-Slave é frequentemente mais segura, pois impõe uma ordem linear e previsível para as escritas.

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Monitoramento, Failover e os objetivos RPO/RTO

Implementar a replicação é apenas o primeiro passo. Um monitoramento contínuo é essencial para verificar a saúde do processo. É preciso acompanhar métricas como o atraso da replicação (replication lag), a taxa de transferência da rede e o uso de recursos nos servidores. Sem essa visibilidade, um problema silencioso pode comprometer a integridade da sua cópia secundária.

O processo de failover, que ativa o servidor secundário quando o primário falha, deve ser bem planejado. Um failover manual exige intervenção humana e aumenta o tempo de inatividade. Soluções automatizadas, por outro lado, detectam a falha e promovem a réplica rapidamente. Isso melhora drasticamente o objetivo de tempo de recuperação (RTO), ou seja, o tempo máximo que o ambiente pode ficar offline.

Toda a estratégia deve ser guiada pelos objetivos de RPO e RTO do negócio. O RPO define a quantidade máxima de dados que a empresa tolera perder, enquanto o RTO estabelece o tempo de recuperação. Uma replicação síncrona com failover automático pode entregar RPO e RTO próximos de zero, mas com um custo muito elevado. A replicação assíncrona oferece um equilíbrio mais pragmático para a maioria das empresas.

Como aplicar mudanças de schema sem quebrar a estrutura

A evolução de um banco de dados é inevitável, mas aplicar mudanças de schema, como adicionar uma nova coluna a uma tabela, pode facilmente quebrar a replicação. Muitas ferramentas de replicação param de funcionar se a estrutura das tabelas de origem e destino se tornar diferente. Esse é um problema prático que surpreende muitos administradores.

Uma abordagem segura é aplicar as alterações de forma controlada. Em uma configuração Master-Slave, pode-se parar a replicação, aplicar a mudança no slave, depois no master e, por fim, reiniciar a sincronização. Ferramentas mais sofisticadas, no entanto, conseguem lidar com essas mudanças de forma mais transparente, sem exigir uma parada completa do serviço.

Outra estratégia envolve o uso de "blue-green deployment" para o banco de dados. Nesse cenário, cria-se uma nova infraestrutura de réplica com o schema atualizado, sincroniza-se os dados e, depois, direciona-se o tráfego da aplicação para o novo ambiente. Embora complexa, essa técnica minimiza o tempo de inatividade e os riscos associados à alteração.

Replicação incremental para otimizar o processo

A replicação completa de grandes volumes de dados consome muita banda e tempo. Por isso, a replicação incremental é quase sempre a melhor abordagem após a sincronização inicial. Em vez de reenviar todo o conjunto de dados, o sistema transfere as informações que foram alteradas desde a última cópia.

Tecnologias como o CDC em bancos de dados ou a replicação em nível de bloco são exemplos de métodos incrementais. Eles são extremamente eficientes porque o volume de dados transferido é muito menor. Isso reduz a carga na rede e acelera o processo, o que permite intervalos de sincronização mais curtos e, consequentemente, um RPO menor.

Essa otimização é particularmente importante em ambientes com grandes bancos de dados ou sistemas de arquivos com milhões de pequenos arquivos. Tentar fazer uma cópia completa diariamente seria inviável. Com a abordagem incremental, a sincronização pode ocorrer a cada poucos minutos ou segundos, mantendo a réplica muito mais próxima do estado atual do volume principal.

Evitando a perda de dados com um plano de DR

A replicação de dados é um pilar de qualquer plano de recuperação de desastres (DR), mas não deve ser a única linha de defesa. É um erro comum pensar que ter uma réplica elimina a necessidade de backups. A replicação protege contra falhas de hardware, mas não contra corrupção de dados, exclusões acidentais ou ataques de ransomware.

Se um arquivo for corrompido no servidor principal, a replicação copiará fielmente essa corrupção para o secundário. Um backup, por outro lado, armazena múltiplas versões históricas dos dados, o que permite restaurar um estado anterior à ocorrência do problema. Por isso, as duas estratégias são complementares e não excludentes.

Um plano de DR robusto combina replicação para um failover rápido com uma rotina de backup consistente. Muitas empresas usam um storage como um repositório centralizado e seguro para seus backups. Equipamentos como os da Qnap oferecem recursos de snapshot e versionamento, que adicionam uma camada extra de segurança e garantem que você possa recuperar seus dados em qualquer cenário. Assim, a combinação dessas tecnologias é a resposta para uma proteção completa.

Rafael Monteiro

Rafael Monteiro

Especialista em servidores
"Sou o Rafael, especialista em servidores com mais de quinze anos de experiência implementando servidores físicos para micro, pequenas e médias empresas. Produzo conteúdo direto sobre servidores bare-metal, rotinas de backup, snapshots, serviços de nuvem e proteção contra ransomware, com foco em aplicações, custo e desempenho da infraestrutura de TI. Meu trabalho é traduzir tecnologia para leigos. Estou aqui para simplificar seu dia a dia."

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