Vai comprar um HD externo 8 TB? Conheça os riscos de guardar arquivos em um único dispositivo e conheça sistemas mais seguros para armazenar seus dados.
A resposta direta é: depende muito do seu objetivo. Para arquivar dados que não são críticos ou para expandir temporariamente o armazenamento de um videogame, um HD externo de 8TB pode ser uma opção viável pelo custo. Muitos modelos da Seagate e WD oferecem um preço por terabyte bastante atrativo. Ainda assim, essa economia inicial pode custar caro no futuro. Nossa equipe técnica não recomenda usar um único disco rígido como o dispositivo principal de backup. O motivo é simples: qualquer hard disk é um ponto único de falha. Ele não oferece qualquer proteção contra corrupção de arquivos, exclusão acidental ou falhas físicas. Frequentemente, os usuários só percebem esse risco quando já é tarde demais. Portanto, para guardar documentos importantes, projetos profissionais ou memórias insubstituíveis, a compra de um HD externo de 8TB isoladamente não vale a pena. A segurança dos dados sempre deve prevalecer sobre a conveniência. Existem alternativas muito mais seguras para essa finalidade.
Muitos consumidores se surpreendem ao conectar um novo HD de 8TB e descobrir que o Windows reporta apenas 7,2TB de espaço útil. Essa diferença não é um defeito, mas sim o resultado de duas formas distintas de calcular a capacidade. Os fabricantes de discos usam o formato decimal, onde 1 terabyte equivale a 1 trilhão de bytes. Por outro lado, o Windows e macOS operam com o sistema binário. Nele, 1 kilobyte corresponde a 1024 bytes, 1 megabyte a 1024 kilobytes, e assim por diante. Quando o sistema operacional converte o trilhão de bytes para sua base de cálculo, o número final diminui consideravelmente. Essa discrepância é puramente matemática. É importante entender essa questão para planejar corretamente o seu armazenamento. A perda de quase 800GB pode impactar quem trabalha com grandes volumes de dados, como editores de vídeo ou fotógrafos. Esse espaço "perdido" sempre deve entrar na sua conta antes da compra.
A principal diferença entre um HD externo de mesa e um portátil está no formato físico e na alimentação elétrica. Os modelos de mesa, como o WD My Book ou o Seagate Expansion Desktop, usam discos internos de 3.5 polegadas. Eles são maiores, mais pesados e quase sempre precisam de uma fonte de energia externa conectada à tomada. Já os discos portáteis, como o WD My Passport e o Seagate One Touch, utilizam um HDD de 2.5 polegadas. Seu design compacto e a alimentação direta pela porta USB os tornam ideais para transporte. No entanto, essa portabilidade geralmente vem com um desempenho ligeiramente inferior e um custo por terabyte um pouco mais alto. A escolha entre os dois tipos depende do seu cenário de uso. Para um backup fixo que ficará ao lado do computador, um modelo de mesa é mais indicado e econômico. Se você precisa levar seus arquivos para vários lugares, a versão portátil é, sem dúvida, a melhor opção, apesar das suas limitações.
A interface de conexão, seja USB 3.0, 3.2 ou Thunderbolt, frequentemente gera dúvidas sobre seu impacto no desempenho. Na prática, para um HD externo mecânico, a versão do USB raramente é o gargalo. Um disco rígido tradicional dificilmente ultrapassa taxas de transferência de 200 MB/s em operações sequenciais. Uma porta USB 3.0 (atualmente chamada de USB 3.2 Gen 1) já oferece uma largura de banda teórica de 625 MB/s, mais que o triplo do necessário. Conexões mais rápidas como Thunderbolt são muito mais relevantes para SSDs externos, que conseguem aproveitar essa velocidade adicional. Para um HDD, a limitação está na velocidade de rotação e na mecânica do próprio disco. Portanto, não se preocupe excessivamente com a especificação da porta USB ao escolher seu HD de 8TB. Qualquer interface moderna a partir do USB 3.0 será mais que suficiente para extrair o máximo desempenho que o equipamento pode entregar. O foco deve estar em outros fatores, como a tecnologia de gravação interna.
Poucos usuários sabem, mas a tecnologia de gravação interna do disco afeta diretamente sua performance. Muitos HDs externos de alta capacidade, especialmente os de 8TB, usam a tecnologia SMR (Shingled Magnetic Recording) para baratear a produção. Nela, as trilhas de dados são sobrepostas, como telhas, para aumentar a densidade de armazenamento. Essa abordagem, no entanto, tem uma desvantagem significativa. Ao reescrever dados, o disco precisa mover e reorganizar informações em trilhas adjacentes, um processo que torna a escrita muito lenta. Em nossos testes, alguns backups que deveriam levar horas acabam demorando dias por causa do SMR. Essa lentidão é especialmente notável com muitos arquivos pequenos. A tecnologia alternativa, CMR (Conventional Magnetic Recording), não sofre com esse problema, pois suas trilhas são paralelas e independentes. Infelizmente, os fabricantes raramente divulgam qual tecnologia utilizam em seus produtos externos. Essa falta de transparência dificulta a vida de quem busca um desempenho consistente para backups e transferências de grandes volumes.
Dispositivos mecânicos geram calor e ruído, e os HDs externos não são exceção. Os modelos de mesa de 3.5 polegadas tendem a aquecer mais e a vibrar, principalmente durante operações intensas de leitura ou escrita. Um gabinete com pouca ventilação pode elevar a temperatura, um dos principais fatores que reduzem a vida útil do componente. A vida útil de um disco rígido é limitada, geralmente estimada entre três e cinco anos de uso moderado. Por ser um componente com partes móveis, ele está sujeito a desgaste e falhas súbitas. Impactos físicos, mesmo leves, podem danificar a cabeça de leitura e causar a perda total dos dados. Essa fragilidade é um risco inerente à tecnologia. O ruído também pode ser um incômodo em ambientes silenciosos. Embora os modelos mais novos sejam otimizados, ainda é possível ouvir o "clique" da agulha e o zumbido do motor. Por isso, é fundamental posicionar o equipamento em uma superfície estável para minimizar a vibração e garantir alguma circulação de ar.
A compatibilidade de um HD externo depende do seu sistema de arquivos. A maioria dos discos vem pré-formatada em NTFS, o padrão do Windows, ou exFAT. O formato NTFS não é totalmente compatível com o macOS, que consegue ler os arquivos, mas não escrever neles sem um software adicional. Para usar o mesmo disco em PCs e Macs, o ideal é formatá-lo em exFAT. Esse sistema é universal, mas tem uma desvantagem: ele não possui "journaling", um recurso que protege os dados contra corrupção em caso de desligamento inesperado. Para usuários exclusivos da Apple, o formato APFS é o mais moderno e seguro. Muitas smart TVs e videogames também reconhecem o formato exFAT, tornando-o uma escolha versátil para reprodução de mídia. No entanto, ao conectar o disco a um Storage NAS, o ideal é que o próprio equipamento gerencie a formatação para otimizar o desempenho e a integração com seus recursos avançados.
Utilizar um único HD externo de 8TB como sua cópia de segurança principal é uma estratégia extremamente arriscada. Esse método não segue a boa prática de backup 3-2-1, que recomenda ter três cópias dos dados em dois tipos de mídia diferentes, com uma delas fora do local principal. O disco externo representa apenas uma cópia, no mesmo local. Isso o deixa completamente vulnerável a uma série de ameaças. Um ataque de ransomware, por exemplo, pode criptografar tanto os arquivos do seu computador quanto os do HD conectado a ele. Além disso, roubo, incêndio ou uma simples falha elétrica podem destruir ambas as cópias simultaneamente, sem qualquer chance de recuperação. Acreditamos que um backup só é real quando existe redundância e separação física. Confiar todos os seus dados a um único dispositivo é como colocar todos os ovos na mesma cesta. É uma aposta perigosa que, infelizmente, muitas pessoas perdem.
Diante de todas as limitações de um HD externo, um storage NAS surge como a solução definitiva para quem leva a segurança dos dados a sério. Esse dispositivo é um servidor de armazenamento conectado à rede que resolve os principais problemas de um disco USB. Sua principal vantagem é a capacidade de usar múltiplos discos em um arranjo RAID. Com o RAID, se um dos discos falhar, seus dados permanecem intactos nos outros, garantindo a continuidade do acesso. Essa redundância elimina o risco do ponto único de falha. Além disso, o software permite agendar backups automáticos de todos os seus computadores, criar diferentes versões de arquivos com snapshots e gerenciar permissões de acesso. Embora o investimento inicial em um servidor de armazenamento em rede seja maior, os benefícios de segurança, centralização e automação compensam largamente. Ele não é apenas um lugar para guardar arquivos, mas uma solução completa para proteger, gerenciar e compartilhar suas informações com tranquilidade. Para dados críticos, um NAS é a resposta.