O que são servidores? Saiba mais sobre esses sistemas, tipos, principais aplicações e as vantagens e desvantagens dos servidores locais e de nuvem.
Servidor é sistema computacional projetado para processar requisições e entregar dados a outros computadores, os clientes, através de uma rede local ou pela internet. Sua principal função é fornecer serviços específicos, como hospedar sites, armazenar arquivos ou gerenciar bancos de dados, operando quase sempre sem interrupção. Diferente de um desktop, seu hardware é otimizado para funcionar 24 horas por dia, sete dias por semana. Vários componentes internos, como as fontes de alimentação e os discos, geralmente possuem redundância para evitar falhas e garantir a continuidade dos serviços. No entanto, o que realmente define a utilidade do equipamento é o software instalado. Um mesmo hardware pode executar inúmeras funções, dependendo das aplicações que ele executa para atender as demandas da rede.
O hardware de um servidor é substancialmente diferente daquele encontrado em um PC. Seus processadores, por exemplo, possuem muito mais núcleos e threads para lidar com múltiplas tarefas simultâneas, uma capacidade essencial para atender dezenas ou até centenas de usuários. A memória RAM também é especial, pois utiliza a tecnologia ECC (Error-Correcting Code) que detecta e corrige erros automaticamente, algo vital para a integridade dos dados em aplicações críticas. Um computador doméstico raramente inclui essa camada protetiva. Além disso, os servidores de armazenamento usam discos SAS ou NVMe U.2, projetados para alta performance e durabilidade sob cargas de trabalho intensas. Essa estrutura robusta protege as informações contra a falha de um disco individual, principalmente quando configurada em arranjos RAID.
Um servidor sem software é apenas uma caixa de metal com componentes potentes. O sistema operacional e as aplicações instaladas nele determinam seu propósito. Por exemplo, ao instalar o Windows Server com o serviço de Active Directory, ele se torna um controlador de domínio. Os sistemas operacionais para servidores, como distribuições Linux (Ubuntu Server, CentOS) ou o próprio Windows Server, são otimizados para estabilidade e gerenciamento remoto. Eles frequentemente dispensam uma interface gráfica completa para economizar recursos, que são direcionados aos serviços em execução. Essa especialização contrasta com soluções desktop, como o Windows 11 ou o macOS. Estes últimos focam na experiência do usuário final, com interfaces ricas e suporte a uma vasta gama de periféricos, algo que raramente é prioridade em um ambiente de datacenter.
A interação entre os dispositivos em uma rede quase sempre segue o modelo cliente-servidor. Nesse fluxo, um dispositivo cliente, como seu computador ou smartphone, envia uma requisição para o servidor através da rede. Essa solicitação pode ser qualquer coisa, desde acessar um site até baixar um arquivo. O servidor, que está constantemente ouvindo por essas requisições, recebe o pedido, processa a informação necessária e envia uma resposta de volta ao cliente. Por exemplo, quando você digita um endereço no navegador, seu computador (cliente) pede a página ao servidor web, que a devolve para exibição. Todo esse processo acontece em milissegundos, sustentado por protocolos de comunicação como o TCP/IP. A eficiência dessa estrutura permite que muitos clientes sejam atendidos por um único servidor central, otimizando recursos e simplificando o gerenciamento das informações.
A versatilidade de um servidor permite que ele assuma diversas funções especializadas. Um servidor web, por exemplo, utiliza softwares como Apache ou Nginx para hospedar sites e entregá-los aos navegadores dos usuários. Praticamente toda a internet funciona sobre essa base. Outro tipo muito comum é o servidor de banco de dados, que executa apicações como o MySQL, PostgreSQL ou Microsoft SQL Server. Ele organiza, armazena e recupera grandes volumes de dados para aplicações, desde softwares para gestão empresarial até redes sociais. Existem ainda os servidores de arquivos, que centralizam o armazenamento em rede usando protocolos como SMB/CIFS e NFS, e os servidores DNS, responsáveis por traduzir nomes de domínio (como google.com) para endereços IP. Cada um desempenha um papel fundamental na infraestrutura de TI.
Uma decisão importante para qualquer empresa é onde hospedar seus servidores. O formato on-premises envolve comprar e manter o hardware físico dentro das instalações da própria companhia. Essa abordagem oferece controle total sobre os dados e a infraestrutura, o que é um requisito para alguns setores regulados. Por outro lado, os servidores em nuvem, oferecidos por provedores como AWS, Google Cloud e Microsoft Azure, eliminam a necessidade de investimento inicial em hardware. A empresa aluga capacidade computacional e paga conforme o uso, o que confere uma enorme flexibilidade para escalar os recursos rapidamente. A escolha entre os dois sistemas computacionais envolve uma análise de custos, segurança, conformidade e necessidade de controle. Muitas organizações atualmente adotam uma estratégia híbrida, mantendo dados críticos localmente e utilizando a nuvem para aplicações menos sensíveis ou com picos de demanda.
A disponibilidade mede o tempo que um servidor permanece operacional e acessível. Para muitas empresas, qualquer minuto de inatividade representa perda de receita e danos à reputação. Por isso, garantir a alta disponibilidade é uma das maiores prioridades para administradores de TI. Esse conceito é frequentemente expresso em porcentagens, como "cinco noves" (99,999%), que equivale a pouco mais de cinco minutos de downtime por ano. Atingir esse nível exige um planejamento cuidadoso da infraestrutura, com foco em eliminar pontos únicos de falha. Para alcançar alta disponibilidade, os engenheiros implementam diversas técnicas que garantem a continuidade dos serviços mesmo diante de falhas de hardware ou software. A redundância de componentes é a base para a construção de uma infraestrutura verdadeiramente resiliente.
A redundância é o princípio de duplicar componentes críticos de um ambiente para que, se um falhar, outro assuma sua função imediatamente. Em servidores, isso se aplica a várias peças. Fontes de alimentação redundantes, por exemplo, garantem que o equipamento continue ligado se uma delas queimar. No armazenamento, a tecnologia RAID (Redundant Array of Independent Disks) distribui os dados entre vários discos. Dependendo do nível RAID, o servidor ou sistema de armazenamento pode tolerar a falha de um ou mais discos sem qualquer perda de informação ou interrupção do serviço. A conectividade de rede também pode ser redundante através da agregação de link, que combina múltiplas portas Ethernet. Se um cabo ou uma porta de rede falhar, o tráfego é automaticamente redirecionado pelas outras, mantendo o servidor sempre acessível.
A escalabilidade descreve a capacidade de um dispositivo ou ambiente crescer para suportar um aumento na carga de trabalho. Existem duas abordagens principais. A escalabilidade vertical (scale-up) envolve adicionar mais recursos a um único servidor, como mais RAM ou um processador mais potente. Já a escalabilidade horizontal (scale-out) consiste em adicionar servidores externos (físicos ou lógicos) a infraestrutura. Essa abordagem é geralmente mais flexível e resiliente, mas exige um mecanismo para distribuir o tráfego entre as várias máquinas. É aqui que entra o balanceamento de carga. Um balanceador de carga atua como um "controlador de tráfego", recebendo todas as requisições e distribuindo-as de forma inteligente entre os servidores disponíveis. Isso evita que uma única máquina fique sobrecarregada, melhora o tempo de resposta e aumenta a disponibilidade geral da aplicação.
A virtualização é uma tecnologia que permite executar múltiplos sistemas operacionais, conhecidos como máquinas virtuais (VMs), em um único servidor físico. Um software chamado hypervisor (como VMware ESXi ou Microsoft Hyper-V) gerencia e aloca os recursos de hardware (CPU, RAM, armazenamento) para cada VM. Essa técnica revolucionou os datacenters, pois otimiza drasticamente o uso do hardware. Em vez de ter um servidor físico para cada aplicação, várias aplicações podem rodar isoladamente em VMs no mesmo equipamento, reduzindo custos com energia, espaço e manutenção. Um produto direto dessa tecnologia é o VPS (Virtual Private Server). Empresas de hospedagem usam a virtualização para dividir um servidor físico potente em vários servidores virtuais menores, que são alugados para diferentes clientes. Cada VPS funciona como um servidor dedicado, com seu próprio sistema operacional e recursos garantidos.
A escolha do sistema operacional (SO) é uma das decisões mais importantes ao configurar um servidor, pois impacta o desempenho, a segurança e a compatibilidade com as aplicações. As duas principais famílias são Linux e Windows Server, cada uma com suas particularidades. O Linux, com suas diversas distribuições como Ubuntu Server e CentOS, domina o mercado de servidores web devido à sua estabilidade, segurança e natureza de código aberto, que elimina custos com licenças. No entanto, sua gestão frequentemente exige mais familiaridade com a linha de comando. O Windows Server, por sua vez, oferece uma integração nativa com o ambiente Microsoft, como o Active Directory e o SQL Server, e possui uma interface gráfica mais amigável para administradores. A decisão final geralmente depende das aplicações que serão executadas e da expertise técnica da equipe.
Em meio a tantas opções, um network storage pode ser uma boa solução para servidor de dados especializada, focada em simplificar o armazenamento e o compartilhamento de arquivos em rede. Esses equipamentos já vêm com um sistema operacional otimizado e uma interface web intuitiva que facilita muito a configuração. Um storage corporativo vai além do simples armazenamento. Ele incorpora recursos de redundância com arranjos RAID, permite a criação de rotinas de backup automatizadas para proteger dados de outros computadores e servidores, e até suporta a execução de máquinas virtuais e contêineres. Para pequenas e médias empresas, um servidor de armazenamento em rede frequentemente representa a maneira mais rápida e econômica de implementar um servidor de arquivos centralizado, seguro e confiável. Nessas situações, ele é a resposta para organizar a informação e proteger os ativos digitais do negócio.