Storages NAS e os arranjos RAID: Saiba porque essas tecnologias andam juntas e conheça algumas práticas para backup e recuperação rápida de dados.
Arranjos RAID (Redundant Array of Independent Disks) são uma tecnologia que combina múltiplos discos rígidos em uma única unidade lógica para melhorar o desempenho, a capacidade ou a redundância dos dados.Em um storage NAS, essa configuração protege as informações contra a falha de um ou mais discos. Na prática, o sistema distribui os dados por vários HDs ou SSDs de maneiras diferentes, dependendo do nível RAID escolhido.Essa técnica não é um backup, mas sim um mecanismo de tolerância a falhas.Ele também garante que o sistema continue operacional mesmo após a perda de um componente. Como resultado, se um disco parar de funcionar, o usuário pode simplesmente substituí-lo.O equipamento então reconstrói os dados perdidos automaticamente, sem quase nunca interromper o acesso aos arquivos.
Algumas aplicações, como a edição de vídeos em 4K ou o trabalho com grandes bancos de dados, exigem altíssima velocidade de leitura e escrita.O RAID 0, também conhecido como "striping", foi projetado exatamente para essas cargas de trabalho intensivas. Nessa configuração, o sistema de armazenamento divide os dados em blocos e os escreve simultaneamente em dois ou mais discos.Essa ação praticamente dobra a taxa de transferência, pois as unidades trabalham em paralelo. No entanto, esse arranjo não oferece qualquer proteção contra falhas.Se um único disco apresentar problemas, todos os dados do conjunto são perdidos imediatamente, porque nenhuma parte do arquivo está completa.Por isso, seu uso é bastante arriscado e geralmente evitado.
Para usuários residenciais que priorizam a segurança dos dados acima de tudo, um NAS com RAID 1 é frequentemente a melhor escolha.Conhecido como "mirroring" ou espelhamento, seu funcionamento é bastante simples e eficaz. Essa tecnologia cria uma cópia exata dos dados em dois discos rígidos de forma simultânea.Tudo que é gravado no primeiro disco é imediatamente replicado no segundo.Assim, se uma das unidades falhar, a outra assume o controle instantaneamente, sem qualquer perda de informação. A principal desvantagem, no entanto, é o custo.O usuário precisa investir em duas vezes a capacidade de armazenamento que efetivamente utiliza.Por exemplo, dois discos de 4 TB em RAID 1 oferecem apenas 4 TB de espaço útil.
Muitas empresas buscam uma solução que combine segurança, bom aproveitamento do espaço e desempenho satisfatório.Nessa hora um storage NAS configurado em RAID 5 surge como uma das opções mais populares para atender a essas necessidades. Esse arranjo de disco distribui os dados e também uma informação de "paridade" por, no mínimo, três discos.Essa paridade funciona como um código de recuperação que permite reconstruir os dados de um disco que falhou. Como resultado, o sistema tolera a falha de uma unidade sem perder dados e sacrifica o espaço de apenas um disco para a proteção.Esse equilíbrio torna o RAID 5 ideal para servidores de arquivos e muitas aplicações gerais.
Em ambientes onde a integridade dos dados é absolutamente vital, a falha de um único disco durante o processo de reconstrução pode ser catastrófica.O RAID 6 foi desenvolvido para mitigar esse risco específico em storages corporativos. Ele funciona de maneira semelhante ao RAID 5, mas utiliza um esquema de paridade dupla.Essa técnica distribui dois cálculos de paridade independentes por todos os discos do conjunto. Isso significa que o arranjo pode suportar a falha simultânea de até dois discos rígidos sem qualquer perda de dados.Embora a performance de escrita seja ligeiramente inferior, a segurança adicional é um grande diferencial para armazenar grandes volumes de informação.
Quando o orçamento não é um limitador e tanto a velocidade quanto a segurança são prioridades máximas, o RAID 10 se destaca.Ele é um arranjo híbrido que combina as melhores características do RAID 1 e do RAID 0. Primeiro, o servidor de armazenamento cria pares de discos espelhados (RAID 1) para garantir a redundância.Em seguida, ele une esses pares em um conjunto distribuído (RAID 0) para aumentar o desempenho. Essa estrutura, que exige no mínimo quatro discos, oferece altíssimas taxas de transferência e também tolera a falha de um disco em cada par espelhado.Por isso, é a escolha preferida para bancos de dados e servidores com muitas máquinas virtuais.
A escolha do nível RAID correto depende diretamente da sua necessidade e do seu orçamento.Não existe uma resposta única, mas algumas diretrizes podem ajudar bastante na decisão. Para usuários domésticos ou pequenos escritórios que precisam proteger fotos e documentos importantes, o RAID 1 é quase sempre a opção mais segura e simples.Já para pequenas e médias empresas com servidores de arquivos, o RAID 5 oferece um excelente custo-benefício. Por outro lado, ambientes que armazenam grandes volumes de dados críticos se beneficiam muito da proteção extra do RAID 6.Para aplicações que exigem desempenho extremo, como virtualização, o RAID 10 é talvez a solução mais indicada.
Um dos maiores equívocos sobre essa tecnologia é acreditar que ela elimina a necessidade de fazer backups.Na verdade, RAID e backup são conceitos complementares que resolvem problemas diferentes. O arranjo protege os dados exclusivamente contra falhas de hardware, como um disco que para de funcionar.Ele não oferece qualquer proteção contra erros humanos, ataques de ransomware, exclusões acidentais ou desastres naturais. Se um arquivo for corrompido ou criptografado por um vírus, por exemplo, o RAID replicará esse problema para todos os discos do conjunto.Portanto, manter uma rotina de backup, como a estratégia 3-2-1, ainda é indispensável para a segurança completa dos dados.
Quando um disco falha em um arranjo redundante, o storage entra em um estado degradado, mas continua funcionando.Após a substituição da unidade defeituosa por uma nova, o processo de reconstrução, ou "rebuild", é iniciado. Durante essa etapa, o storage NAS utiliza os dados dos discos restantes e as informações de paridade para recriar todo o conteúdo no novo disco.Esse processo é intensivo e pode levar várias hours ou até dias, dependendo do volume de dados. O maior risco é que, durante o rebuild, o arranjo fica vulnerável a uma nova falha.Se outro disco falhar antes que a reconstrução termine, todos os dados podem ser perdidos.Por isso, o RAID 6 é frequentemente recomendado para conjuntos com muitos discos.
Antigamente, configurar e gerenciar arranjos RAID exigia conhecimento técnico avançado e o uso de linhas de comando complexas.Felizmente, os modernos storages NAS mudaram completamente esse cenário. Os sistemas operacionais atuais, como os encontrados em equipamentos da Synology ou QNAP, possuem interfaces gráficas intuitivas que simplificam todo o processo.Com poucos cliques, qualquer usuário pode criar, expandir ou reparar um volume de armazenamento. Além disso, o próprio sistema monitora ativamente a saúde dos discos e envia notificações por e-mail sobre qualquer anomalia.Essa automação transforma a gestão de dados em uma tarefa muito mais segura e acessível.Logo, um bom servidor de armazenamento é a resposta para implementar RAID com confiança.