Índice:
- O que é tape backup?
- Como escolher a tecnologia de fita ideal?
- Qual a diferença entre drives e bibliotecas?
- A vida útil e o armazenamento correto das mídias
- O que é a tecnologia WORM e por que usá-la?
- Como otimizar a janela de backup e o desempenho?
- Entendendo as políticas de retenção e rotação
- Quais softwares gerenciam cópias em fita?
- Por que os testes de recuperação são essenciais?
- O papel do Storage NAS no ecossistema de backup
Muitas empresas acumulam um volume de dados cada vez maior, enquanto as ameaças como o ransomware evoluem constantemente. Um backup baseado apenas em disco, embora rápido, muitas vezes permanece conectado à rede, por isso ele fica vulnerável a ataques que podem criptografar todas as cópias.
Essa vulnerabilidade expõe a organização a perdas financeiras e operacionais graves. A ausência de uma cópia de segurança isolada (air-gapped) pode significar a perda definitiva dos dados críticos após um incidente de segurança ou uma falha catastrófica.
Assim, uma estratégia de proteção eficaz precisa incluir uma camada de armazenamento offline. O backup em fita surge como uma solução testada e confiável para garantir a recuperação dos dados em qualquer cenário.
O que é tape backup?
Tape backup é um processo que salva dados corporativos em cartuchos de fita magnética. Diferente dos discos rígidos (HDs) que fornecem acesso aleatório aos arquivos, uma fita grava e lê as informações sequencialmente, do início ao fim. Essa característica torna a tecnologia especialmente eficiente para arquivar grandes volumes com um custo por terabyte bastante inferior ao dos discos.
Na prática, o sistema funciona com um drive de fita (leitor/gravador) e os cartuchos (mídias). O software de backup gerencia o envio dos dados do servidor ou storage para o drive, que os escreve na fita. Para restaurar um arquivo, o drive precisa avançar a fita até o ponto exato onde o dado está gravado, um processo naturalmente mais lento que o acesso em disco, mas extremamente confiável para arquivamento de longo prazo.
Por essa razão, o tape backup raramente é usado para recuperações operacionais do dia a dia. Seu principal papel é no arquivamento de longo prazo e na recuperação de desastres, pois as fitas podem ser facilmente transportadas para um local seguro (offsite), criando uma cópia fisicamente isolada da infraestrutura principal.
Como escolher a tecnologia de fita ideal?
A escolha da tecnologia de fita correta depende quase sempre do volume de dados e da janela de backup disponível. Atualmente, o padrão dominante é o LTO (Linear Tape-Open), que evolui a cada geração com mais capacidade e velocidade. Uma fita LTO-9, por exemplo, armazena até 18 TB de dados nativos, um valor que pode atingir 45 TB com o uso de compressão de hardware.
Contudo, a taxa de compressão real varia muito conforme o tipo de arquivo. Dados já comprimidos, como vídeos, imagens JPG ou arquivos ZIP, quase não se beneficiam, por isso o cálculo da capacidade necessária deve sempre considerar o volume nativo. Além do LTO, tecnologias mais antigas como DAT, AIT e DLT ainda existem em sistemas legados, mas raramente são recomendadas para novos projetos por causa da sua menor capacidade e desempenho.
Outro ponto importante é a compatibilidade. As unidades LTO geralmente conseguem ler fitas de até duas gerações anteriores e gravar em fitas da geração imediatamente anterior. Por exemplo, um drive LTO-9 lê fitas LTO-8 e LTO-7, mas só grava em mídias LTO-9 e LTO-8. Esse fator é fundamental ao planejar a atualização do seu ambiente para evitar problemas.
Qual a diferença entre drives e bibliotecas?
A principal diferença entre um drive de fita avulso e uma biblioteca (ou autoloader) é a automação. Um drive único exige que um operador troque manualmente os cartuchos quando a capacidade de uma fita é atingida. Essa abordagem funciona bem para pequenas empresas com volumes de dados modestos, mas se torna impraticável em ambientes maiores.
Uma biblioteca de fitas, por outro lado, automatiza esse processo. Ela contém um ou mais drives, vários slots para armazenar os cartuchos e um braço robótico que move as fitas entre os slots e os drives conforme as instruções do software de backup. Isso permite que rotinas de backup com múltiplos terabytes ocorram sem qualquer intervenção humana, inclusive durante a noite ou nos fins de semana.
Portanto, a decisão entre um e outro está diretamente ligada à escala da operação. Se o seu backup completo cabe em uma única fita e a troca manual é viável, um drive avulso pode ser suficiente. No entanto, para backups que exigem várias fitas ou políticas de rotação complexas, uma biblioteca é a resposta para garantir consistência e reduzir a chance de erro humano.
A vida útil e o armazenamento correto das mídias
Uma das maiores vantagens das fitas magnéticas é a sua longevidade. Quando armazenadas corretamente, as mídias LTO podem reter dados de forma confiável por 15 a 30 anos, um período muito superior ao de um HD ou SSD. No entanto, essa durabilidade depende diretamente das condições ambientais do local onde as fitas são guardadas.
O armazenamento ideal exige um ambiente com temperatura e umidade controladas, livre de poeira e campos magnéticos fortes. Variações bruscas de temperatura ou exposição ao sol podem danificar a camada magnética da fita e comprometer a integridade dos dados. Por isso, muitas empresas contratam serviços especializados para guardar suas cópias offsite em cofres climatizados.
A prática de manter cópias offsite também é um pilar da estratégia de recuperação de desastres. Se um incêndio, inundação ou ataque físico destruir o datacenter principal, as fitas armazenadas em outro local garantem que a empresa possa reconstruir sua infraestrutura e recuperar seus dados. Sem essa cópia externa, o risco de perda total é altíssimo.
O que é a tecnologia WORM e por que usá-la?
A tecnologia WORM (Write Once, Read Many) transforma uma fita padrão em uma mídia de gravação única. Uma vez que os dados são escritos em uma fita WORM, eles não podem ser alterados ou apagados, garantindo sua imutabilidade. Essa característica é fundamental para setores que precisam cumprir exigências regulatórias, como o financeiro, jurídico e de saúde.
Na prática, as fitas LTO com suporte a WORM possuem um mecanismo que impede fisicamente a regravação dos dados. O software de backup reconhece esse tipo de mídia e a trata de forma especial. Qualquer tentativa de apagar ou sobrescrever as informações resultará em um erro. Isso cria um registro de dados à prova de adulteração, ideal para auditorias e conformidade legal.
Além da conformidade, o WORM também oferece uma camada extra de proteção contra ameaças internas e externas. Mesmo que um invasor ou um funcionário mal-intencionado obtenha acesso ao sistema de backup, ele não conseguirá destruir os arquivos gravados em uma fita WORM. Assim, essa tecnologia assegura que uma cópia original e íntegra dos dados sempre estará disponível para recuperação.
Como otimizar a janela de backup e o desempenho?
A janela de backup é o período de tempo que uma empresa tem para completar suas rotinas de cópia sem impactar a performance dos sistemas em produção. Com o crescimento dos dados, manter essa janela sob controle é um desafio constante. O desempenho do tape backup é influenciado por vários fatores, desde a velocidade do drive até gargalos na rede.
A taxa de transferência de um drive LTO-9 pode chegar a 400 MB/s (nativos), mas esse é um valor teórico. O desempenho real depende da velocidade da fonte dos dados (servidores, storages), da eficiência da rede e da capacidade de processamento do servidor de backup. Se a fonte não consegue entregar os dados na velocidade que o drive suporta, o equipamento ficará ocioso, um fenômeno conhecido como "shoe-shining", que aumenta o desgaste da mídia e do drive.
Para otimizar o processo, é importante garantir que não existam gargalos entre a origem e o destino. Usar redes dedicadas para o tráfego de backup, servidores com poder de processamento adequado e softwares que consolidam pequenos arquivos em blocos maiores são algumas das estratégias. Melhorar o desempenho não apenas encurta a janela de backup, mas também acelera o tempo de restauração quando necessário.
Entendendo as políticas de retenção e rotação
Uma política de retenção define por quanto tempo os dados precisam ser guardados. Essa definição geralmente é ditada por necessidades de negócio ou exigências legais. Algumas informações precisam ser mantidas por meses, enquanto outras, por vários anos. As fitas são ideais para retenção de longo prazo devido ao seu baixo custo e alta durabilidade.
Para gerenciar a retenção, as empresas adotam esquemas de rotação de mídias. Um dos mais conhecidos é o GFS (Grandfather-Father-Son), que cria cópias diárias (Son), semanais (Father) e mensais (Grandfather). As fitas diárias são reutilizadas com mais frequência, as semanais são guardadas por alguns meses e as mensais são arquivadas por anos. Essa abordagem equilibra a granularidade da recuperação com o custo de armazenamento das mídias.
Um software de backup moderno automatiza todo esse ciclo. Ele controla quais fitas devem ser usadas em cada rotina, quando elas devem ser retiradas para armazenamento offsite e quando podem ser reutilizadas. Sem uma política de rotação bem definida, uma empresa pode acabar com um acervo de fitas desorganizado, o que dificulta enormemente a localização e a restauração de um arquivo específico.
Quais softwares gerenciam cópias em fita?
O hardware de fita, seja um drive ou uma biblioteca, é apenas uma parte da equação. O cérebro por trás de toda a operação é o software de backup. Ele é responsável por orquestrar as tarefas, catalogar os dados, gerenciar a rotação das mídias e facilitar o processo de restauração. Sem um bom software, gerenciar um ambiente de tape backup seria uma tarefa manual e extremamente propensa a erros.
Existem diversas soluções de software no mercado que oferecem suporte robusto para fitas. Softwares como o Veeam Backup & Replication e o Bacula são muito populares em ambientes corporativos. Eles integram-se perfeitamente com bibliotecas robóticas, automatizam as políticas de retenção e fornecem um catálogo detalhado que informa em qual fita específica um determinado arquivo ou servidor está armazenado.
A escolha do software certo depende das necessidades do ambiente. Alguns se destacam na proteção de máquinas virtuais, enquanto outros são mais focados em bancos de dados ou servidores de arquivos. O importante é que a ferramenta ofereça visibilidade completa sobre o processo e simplifique a recuperação, pois é nesse momento que o valor do investimento em backup se materializa.
Por que os testes de recuperação são essenciais?
Muitos administradores de TI acreditam que, se o software de backup reporta que a tarefa foi concluída com sucesso, os dados estão seguros. Infelizmente, essa suposição pode ser perigosa. Um backup só pode ser considerado válido após um teste de recuperação bem-sucedido. Inúmeros fatores podem corromper uma cópia, como uma mídia com defeito, um erro de software ou uma falha de hardware durante a gravação.
Realizar testes de recuperação periódicos é a única maneira de garantir que os dados podem ser restaurados quando necessário. Esses testes envolvem a restauração de arquivos, máquinas virtuais ou até mesmo servidores inteiros em um ambiente de teste isolado. O objetivo é validar a integridade dos dados, o funcionamento do hardware e a eficácia dos procedimentos documentados.
Agendar esses testes regularmente, talvez trimestralmente, transforma a recuperação de desastres de uma esperança em uma certeza. Eles também ajudam a equipe de TI a se familiarizar com o processo, reduzindo o estresse e o tempo de inatividade durante uma emergência real. No final, um backup que nunca foi testado é pouco mais que uma aposta.
O papel do Storage NAS no ecossistema de backup
Em infraestruturas modernas, o backup em fita raramente é o primeiro destino dos dados. A abordagem mais comum segue o modelo D2D2T (Disk-to-Disk-to-Tape). Nessa arquitetura, um Storage NAS atua como o primeiro nível de backup. Ele oferece alta velocidade para as rotinas diárias e permite recuperações rápidas de arquivos individuais ou sistemas inteiros.
Após os dados serem salvos no NAS, o software de backup os move para a fita, criando uma cópia de arquivamento de longo prazo. Essa estratégia combina o melhor dos dois mundos. O NAS provê a agilidade necessária para as operações do dia a dia, enquanto a fita garante a segurança de uma cópia offline, o baixo custo para retenção longa e a portabilidade para o armazenamento offsite.
Além disso, um Storage NAS robustece a política de proteção com recursos adicionais como snapshots, que criam versões de arquivos e pastas imunes a ransomware. Com essa combinação, uma empresa constrói uma defesa em camadas. Se o backup primário no NAS for comprometido, as fitas servem como a última linha de defesa. Portanto, integrar um NAS ao seu fluxo de tape backup é a resposta para uma proteção de dados completa e resiliente.
