Como recuperar o RAID de um storage NAS? Saiba como identificar falhas de disco, cabos e controladoras, conheça os riscos do rebuild e saiba como agir.
A recuperação do RAID em um storage NAS começa com um diagnóstico preciso para identificar a origem da falha, que pode ser um disco, cabo, a controladora ou até mesmo o software. Essa análise inicial evita ações que poderiam corromper permanentemente os dados. Frequentemente, o próprio sistema operacional do equipamento oferece ferramentas que apontam o disco problemático. Após a identificação, o próximo passo depende da causa. Se um disco falhou, a substituição por um modelo idêntico ou compatível é necessária para iniciar o processo de reconstrução do arranjo. Em muitos casos, a simples verificação dos cabos de dados e energia também resolve problemas de comunicação que geram alertas falsos. Vale ressaltar que, antes de qualquer intervenção física, o acesso aos dados ainda disponíveis para a realização de um backup emergencial é sempre a prioridade. Essa medida protetiva garante que, mesmo se o processo de rebuild falhar, as informações mais importantes estarão seguras em outro local.
Uma falha de disco é a causa mais frequente para um volume degradado, geralmente indicada por luzes de alerta no painel do NAS ou por notificações no software de gerenciamento. Muitos servidores de armazenamento monitoram os parâmetros SMART dos discos, o que antecipa falhas iminentes e dá tempo para uma troca planejada. No entanto, nem sempre o problema está no disco. Cabos SATA ou fontes de alimentação também falham, o que interrompe a comunicação com um HD perfeitamente funcional. Nossos testes mostram que uma simples troca de cabo algumas vezes resolve o alerta, por isso essa verificação é um passo inicial bastante útil e de baixo custo. Problemas na controladora RAID ou no sistema operacional são mais raros, porém bastante complexos. Nesses cenários, o volume pode ficar inacessível mesmo com todos os discos saudáveis. A identificação desses defeitos exige conhecimento técnico avançado, pois os sintomas são menos óbvios.
Um volume RAID em modo degradado indica que um dos discos do arranjo falhou, mas os dados ainda estão acessíveis graças à redundância. O storage continua funcionando com base nas informações de paridade ou espelhamento dos discos restantes, o que evita a interrupção imediata das operações. Essencialmente, é um aviso de que a proteção contra falhas foi comprometida. Nesse estado, o desempenho do storage cai drasticamente, pois o sistema operacional precisa calcular os dados ausentes em tempo real a partir da paridade. Essa carga de trabalho extra também aumenta o estresse sobre os discos saudáveis, o que eleva o risco de uma nova falha durante esse período de vulnerabilidade. Portanto, a troca do disco defeituoso deve ser uma prioridade absoluta para restaurar a redundância do conjunto. Adiar essa tarefa expõe todo o volume a um risco muito maior, onde uma segunda falha resultaria na perda total dos dados em arranjos como o RAID 5.
O rebuild é o processo automático que o storage NAS executa para reconstruir os dados no novo disco a partir das informações contidas nos discos restantes. Essa operação pode levar várias horas ou até dias, dependendo da capacidade do volume e da carga de trabalho. Durante esse período, o acesso aos arquivos geralmente continua disponível, mas com lentidão. O maior risco durante o rebuild é a falha de um segundo disco. A operação impõe uma leitura intensa e contínua nos outros componentes do arranjo, o que pode expor setores defeituosos ou levar ao limite um disco que já estava perto do fim de sua vida útil. Se isso ocorrer em um RAID 5, a perda de dados é inevitável. Uma queda de energia ou um erro de leitura irrecuperável em outro HD também podem corromper o volume permanentemente. Por isso, é fundamental que o equipamento esteja conectado a um nobreak e que a saúde dos demais discos seja verificada antes de iniciar um processo tão crítico.
Arranjos RAID 0 não possuem qualquer redundância, por isso uma falha em um único disco resulta na perda total dos dados, sem possibilidade de recuperação dos dados. Por outro lado, o RAID 1 simplifica bastante o processo, pois basta substituir o disco defeituoso e o sistema espelha os dados do disco funcional automaticamente. A recuperação do RAID 5 tolera a falha de apenas um disco e depende da paridade distribuída para reconstruir as informações. O RAID 6, por sua vez, oferece uma proteção muito maior, pois utiliza dupla paridade e suporta a falha simultânea de até dois discos, o que torna o rebuild um processo mais seguro. Já o RAID 10 combina o espelhamento do RAID 1 com a divisão do RAID 0, o que torna sua recuperação bastante segura e rápida. A reconstrução é direta, exceto no raro cenário em que os dois discos do mesmo subgrupo espelhado falham ao mesmo tempo.
Reiniciar o sistema é uma medida arriscada e raramente recomendada quando um volume RAID está degradado. Se a falha for na controladora ou um erro lógico no sistema de arquivos, um reinício pode impedir o volume de montar novamente, o que bloqueia o acesso definitivo aos dados. Em alguns casos de falhas de software, um reboot pode, teoricamente, resolver o problema. No entanto, essa ação deve ser executada apenas após o backup de todos os dados críticos, pois o risco de agravar a situação é considerável. A chance do equipamento iniciar uma verificação de consistência e marcar o volume como corrompido não é pequena. A recomendação profissional é sempre manter o sistema ligado, acessar os dados e realizar um backup imediato antes de qualquer tentativa de reinicialização. Essa abordagem prioriza a segurança das informações, que é muito mais importante do que tentar uma solução rápida e incerta.
A falha de múltiplos discos em arranjos como RAID 5 representa um cenário de perda de dados quase certa, pois a quantidade de discos defeituosos excede a capacidade de redundância do volume de armazenamento. Em um RAID 6, a falha de três ou mais discos também leva à mesma consequência grave. Nessa situação, a única recomendação segura é desligar o equipamento imediatamente para evitar qualquer nova escrita nos discos. Tentar forçar o volume a ficar online ou substituir os discos e iniciar um rebuild irá, com certeza, sobrescrever informações cruciais e inviabilizar qualquer chance de recuperação. A partir desse ponto, apenas empresas especializadas em recuperação de dados podem, talvez, reconstruir o volume. Elas utilizam técnicas avançadas para criar imagens dos discos e montar o arranjo virtualmente, mas o sucesso nunca é garantido e o custo do serviço é bastante elevado.
Alguns softwares de recuperação prometem reconstruir volumes RAID a partir dos discos individuais, o que pode ser uma alternativa em casos de falha lógica ou quando a controladora para de funcionar. Essas ferramentas analisam os metadados em cada disco para tentar identificar a configuração original do arranjo. O principal perigo desses programas é a possibilidade de sobrescrever acidentalmente os dados ou os metadados do RAID. Uma configuração errada ou uma interrupção no processo pode piorar a corrupção do volume. Isso dificulta ou até inviabiliza uma futura tentativa de recuperação profissional. Essas ferramentas devem ser usadas apenas por usuários avançados e sempre em cópias ou imagens dos discos originais, nunca nos HDs que compõem o arranjo. A complexidade da operação e o alto risco envolvido tornam essa abordagem pouco recomendada para a maioria dos usuários.
Recorrer a um serviço especializado em recuperação de dados tem um custo elevado, que pode variar de algumas centenas a milhares de reais. O valor geralmente depende da complexidade do caso, da quantidade e capacidade dos discos, do tipo de RAID e da urgência para a restauração das informações. Esses serviços utilizam equipamentos de sala limpa para abrir discos com defeitos mecânicos e softwares proprietários para ler os dados em baixo nível, contornando o sistema de arquivos. O processo é demorado e exige profissionais com muita experiência para remontar a estrutura lógica do volume. Ainda que o investimento seja alto, ele frequentemente é a única chance para recuperar informações vitais para um negócio após uma falha catastrófica. A decisão de contratar tal serviço deve ponderar o valor dos dados perdidos contra o custo para a sua recuperação.
Toda essa discussão sobre recuperação de arranjos reforça uma verdade fundamental no mundo da TI: RAID não é backup. Muitas pessoas confundem a redundância, que protege contra falhas de hardware, com uma cópia de segurança real dos dados. A redundância do RAID é completamente inútil contra exclusão acidental, corrupção de arquivos, falhas de software ou ataques de ransomware. Se um arquivo for deletado ou criptografado, o sistema irá replicar essa alteração para todos os discos do arranjo, sem qualquer possibilidade de reversão. Manter uma rotina de backup externo, seja em outro storage, em fitas ou na nuvem, é a única estratégia que realmente garante a continuidade das operações diante de qualquer desastre. Nesse cenário, um servidor de armazenamento centralizado e seguro é a resposta para proteger os ativos digitais.