Índice:
- O que é RAID Z1?
- Como o arranjo ZFS funciona na prática?
- Quantos discos são necessários para o RAID Z1?
- A real capacidade útil do sistema
- Tolerância a falhas e a proteção dos dados
- Rebuild vs Resilver: A grande diferença do ZFS
- O desempenho esperado para leitura e escrita
- RAID 5 ou RAID Z1: Qual escolher?
- O risco dos erros irrecuperáveis (URE)
- Quais storages são compatíveis com o ZFS?
- A segurança dos dados com um storage NAS
Muitos administradores de TI temem a falha de um disco rígido em um arranjo RAID 5. O problema raramente é o disco defeituoso, mas sim o longo e arriscado processo para reconstruir os dados. Qualquer erro de leitura irrecuperável (URE) durante essa etapa pode comprometer todo o conjunto.
Essa vulnerabilidade expõe a fragilidade das soluções baseadas em paridade mais antigas, principalmente com discos maiores. Um único erro pode invalidar um backup inteiro ou paralisar uma aplicação crítica. Por isso, a busca por alternativas mais seguras é constante.
Assim, o RAID Z1 surge como uma resposta moderna e mais confiável, pois foi projetado para superar as limitações do seu antecessor e proteger os dados com muito mais eficiência.
O que é RAID Z1?
RAID Z1 é um nível de arranjo baseado em software que integra o sistema de arquivos ZFS. Ele oferece proteção contra a falha de um único disco através da distribuição de dados e paridade entre todos os discos do conjunto, de forma muito semelhante ao RAID 5. Sua principal diferença, no entanto, está na maneira como o ZFS gerencia os dados, pois ele utiliza um mecanismo chamado copy-on-write (CoW) que evita a corrupção de arquivos durante quedas de energia, um problema conhecido como "RAID write hole".
Essa tecnologia funciona com larguras de stripe dinâmicas. Em vez de gravar blocos fixos, o ZFS ajusta o tamanho das escritas conforme a necessidade. Isso melhora o aproveitamento do espaço e o desempenho geral dos serviços. Além disso, o ZFS verifica a integridade dos dados constantemente com checksums, o que detecta e corrige erros silenciosos que passariam despercebidos em outros servidores de armazenamento.
Na prática, o RAID Z1 é mais que um simples arranjo de discos. Ele é parte de um conjunto completo para o gerenciamento de dados. Sua arquitetura avançada simplifica a administração e aumenta a confiabilidade do armazenamento, principalmente em ambientes que não podem tolerar perdas.
Como o arranjo ZFS funciona na prática?
Um arranjo ZFS opera de maneira fundamentalmente diferente dos RAIDs tradicionais baseados em hardware. A tecnologia copy-on-write é seu maior trunfo, pois, em vez de sobrescrever blocos de dados existentes, o ZFS escreve os novos dados em uma área livre do disco. Somente após a confirmação da escrita, os metadados são atualizados para apontar para o novo local. Esse processo garante que a versão anterior dos dados permaneça intacta se ocorrer uma interrupção, como uma queda de energia.
Adicionalmente, cada bloco de dados gravado pelo ZFS inclui um checksum. Quando um arquivo é lido, o sistema recalcula o checksum e compara com o valor armazenado. Se os valores forem diferentes, o ZFS detecta a corrupção. Em um arranjo com redundância como o RAID Z1, o software consegue reconstruir o bloco danificado usando a paridade e os dados dos outros discos, um processo conhecido como auto-reparo (self-healing).
Essa abordagem proativa para a integridade dos dados torna os arranjos ZFS muito mais resilientes. Enquanto outros storages podem propagar erros silenciosos por meses, o ZFS os identifica e corrige rapidamente. Portanto, a confiança no armazenamento aumenta consideravelmente, um fator essencial para qualquer infraestrutura de TI.
Quantos discos são necessários para o RAID Z1?
Para montar um arranjo RAID Z1, são necessários no mínimo três discos rígidos. Essa configuração básica utiliza dois discos para armazenar os dados e um terceiro para a paridade. A paridade é a informação de redundância que permite reconstruir os dados caso um dos discos falhe. Qualquer solução de armazenamento em rede com menos de três discos não consegue implementar essa proteção.
Embora o mínimo seja três, é bastante comum encontrar arranjos com mais unidades. Adicionar mais discos a um vdev (Virtual Device) RAID Z1 aumenta tanto a capacidade de armazenamento quanto o desempenho de leitura. No entanto, a tolerância a falhas permanece a mesma, ou seja, o conjunto ainda suporta a perda de apenas um disco, independentemente do número total de unidades.
Nossa equipe frequentemente recomenda arranjos com cinco a nove discos para um bom equilíbrio entre capacidade, desempenho e risco. Conjuntos muito grandes com paridade única aumentam a probabilidade de uma segunda falha durante a reconstrução dos dados. Nesses casos, talvez seja melhor considerar o uso do RAID Z2, que suporta a falha simultânea de até dois discos.
A real capacidade útil do sistema
Calcular a capacidade útil em um arranjo RAID Z1 é um processo bastante simples. A fórmula é a capacidade total de todos os discos menos a capacidade de um disco, que é reservado para a paridade. Por exemplo, se você montar um arranjo com cinco discos de 4 TB cada, a capacidade bruta total será de 20 TB. No entanto, o espaço útil disponível será de 16 TB.
A fórmula geral é (N-1) * C, onde N é o número de discos no arranjo e C é a capacidade do menor disco do conjunto. É importante ressaltar que o ZFS sempre utiliza o tamanho do menor disco como referência para todos os outros. Por isso, usar discos com capacidades diferentes em um mesmo vdev resulta em desperdício de espaço nos discos maiores.
Além disso, o próprio ZFS consome uma pequena parte do espaço para seus metadados. Esse consumo é geralmente baixo, mas pode variar conforme o tamanho dos blocos e o tipo de dado armazenado. Portanto, a capacidade final que o sistema operacional exibe será ligeiramente inferior ao cálculo teórico, algo perfeitamente normal.
Tolerância a falhas e a proteção dos dados
A principal função do RAID Z1 é proteger os dados contra a falha de um único disco rígido. Quando uma unidade do arranjo para de funcionar, o ambiente entra em modo degradado, mas continua operacional. Os dados que estavam no disco defeituoso são reconstruídos em tempo real usando as informações de paridade distribuídas nos discos restantes. Isso garante que os usuários continuem acessando seus arquivos sem qualquer interrupção.
Nesse estado, o desempenho pode ser reduzido, pois o processador precisa realizar cálculos extras para entregar os dados ausentes. A prioridade máxima, no entanto, é substituir o disco defeituoso o mais rápido possível para restaurar a redundância completa do arranjo. A maioria dos storages corporativos suporta a troca a quente (hot swap), que substitui o disco sem desligar o equipamento.
Vale ressaltar que, enquanto o arranjo estiver em modo degradado, ele fica vulnerável. A falha de um segundo disco antes da conclusão do processo de reconstrução resultará na perda total dos dados do conjunto. Por isso, a monitorização constante da saúde dos discos é uma prática fundamental para qualquer profssional da área.
Rebuild vs Resilver: A grande diferença do ZFS
Uma das vantagens mais significativas do ZFS sobre os arranjos RAID tradicionais está no processo de recuperação após a troca de um disco defeituoso. Em um RAID 5 convencional, o processo chamado "rebuild" copia todos os blocos, um a um, do início ao fim de cada disco para recriar a unidade substituída. Esse método é lento e coloca uma carga intensa sobre os discos restantes, o que aumenta o risco de uma segunda falha.
O ZFS, por outro lado, executa um processo muito mais inteligente chamado "resilver". Em vez de copiar o disco inteiro, o resilver verifica os metadados e copia apenas os blocos que contêm dados ativos. Blocos vazios ou não alocados são simplesmente ignorados. Como resultado, o tempo para restaurar a redundância é drasticamente menor, principalmente em arranjos que não estão completamente cheios.
Essa abordagem não apenas acelera a recuperação, mas também reduz o estresse sobre os discos saudáveis. Com menos atividade de leitura e escrita, a probabilidade de encontrar um erro irrecuperável (URE) ou de causar uma nova falha mecânica diminui bastante. Assim, o resilvering torna o RAID Z1 inerentemente mais seguro que o RAID 5 durante sua fase mais crítica.
O desempenho esperado para leitura e escrita
O desempenho de um arranjo RAID Z1 varia bastante entre operações de leitura e escrita. Para leitura, o desempenho geralmente escala com o número de discos no vdev. Como os dados são distribuídos entre várias unidades, o storage pode ler partes de um arquivo de todos os discos simultaneamente. Por exemplo, um arranjo com cinco discos quase sempre entregará uma velocidade de leitura maior que um com apenas três.
A escrita, no entanto, apresenta um cenário diferente. Cada operação de escrita exige que a aplicação leia os dados antigos, calcule a nova paridade e grave tanto os novos dados quanto a nova paridade. Esse processo, conhecido como Read-Modify-Write, impõe uma penalidade de desempenho. Por isso, a velocidade de escrita em RAID Z1 não escala da mesma forma que a leitura e é frequentemente limitada pela performance de um único disco.
Apesar dessa limitação, o uso de cache, como um SSD para o ZFS Intent Log (SLOG), pode melhorar significativamente o desempenho de escritas síncronas. Em nossos testes, essa configuração acelera aplicações que dependem de confirmação imediata da escrita, como bancos de dados e máquinas virtuais. Para compartilhamento de arquivos geral, o desempenho nativo do RAID Z1 é geralmente mais que suficiente.
RAID 5 ou RAID Z1: Qual escolher?
A escolha entre RAID 5 e RAID Z1 frequentemente se resume a uma avaliação de risco versus familiaridade. O RAID 5 é uma tecnologia mais antiga, amplamente suportada por controladoras de hardware e conhecida por muitos profissionais. No entanto, ele carrega consigo vulnerabilidades significativas, como o "RAID write hole", que pode corromper dados se uma escrita for interrompida.
O RAID Z1, por sua vez, resolve esse problema com a arquitetura copy-on-write do ZFS. Além disso, a verificação constante da integridade dos dados e o processo de resilver mais rápido e seguro o tornam uma opção tecnicamente superior para proteger informações. Embora exija um sistema operacional compatível com ZFS, os benefícios para a segurança dos dados são inegáveis.
Para novas implementações, especialmente com discos de grande capacidade, o RAID Z1 é quase sempre a melhor escolha. O risco de um erro irrecuperável (URE) durante um longo rebuild de RAID 5 é muito alto. A arquitetura do ZFS foi projetada para mitigar esse e outros riscos. Portanto, a migração para essa tecnologia mais moderna é um passo lógico para qualquer empresa que valoriza seus dados.
O risco dos erros irrecuperáveis (URE)
Um erro de leitura irrecuperável (Unrecoverable Read Error ou URE) ocorre quando um disco rígido não consegue ler um determinado setor. Fabricantes de discos para o consumidor final geralmente especificam uma taxa de URE de 1 erro a cada 10^14 bits lidos. Discos corporativos são mais confiáveis, com uma taxa de 1 a cada 10^15 bits. Embora pareça um número grande, o risco se torna real durante a reconstrução de um arranjo RAID.
Em um rebuild de RAID 5, o sistema precisa ler todos os dados dos discos restantes para recriar a unidade que falhou. Com discos de 12 TB ou mais, a quantidade de bits lidos facilmente ultrapassa o limiar onde um URE é estatisticamente provável. Se um URE ocorrer durante o rebuild, a controladora não consegue reconstruir os dados daquele setor, o que pode levar à perda do arquivo ou até mesmo à falha total do arranjo.
O ZFS lida com esse problema de forma muito mais elegante. Graças aos seus checksums, ele sabe exatamente qual bloco está corrompido. Se um URE ocorrer durante uma leitura normal, o dispositivo pode tentar reparar o bloco usando a paridade. Durante um resilver, o impacto de um URE é frequentemente isolado, pois o ZFS tem mais consciência sobre a estrutura dos dados. Essa capacidade de auto-reparo torna o RAID Z1 muito mais resiliente a esses tipos de erros.
Quais storages são compatíveis com o ZFS?
O ZFS, e consequentemente o RAID Z1, não está disponível em qualquer servidor de armazenamento. Por ser um sistema de arquivos avançado, ele requer um SO que o suporte nativamente. A solução mais popular e conhecida é o TrueNAS (anteriormente FreeNAS), um software de código aberto baseado em FreeBSD e projetado especificamente para criar storages de rede.
Além do TrueNAS, o ZFS também pode ser implementado em várias distribuições Linux através do projeto OpenZFS. Isso permite que administradores com conhecimento técnico construam seus próprios servidores de armazenamento customizados. Algumas empresas, como a QNAP, também oferecem o ZFS em suas linhas de produtos mais avançadas, como os que rodam o sistema operacional QuTS hero.
Sistemas operacionais como o Windows Server e a maioria dos NAS de entrada não oferecem suporte ao ZFS. Por isso, ao planejar uma infraestrutura de armazenamento baseada em RAID Z1, é fundamental escolher um hardware e software compatíveis. A escolha de um storage NAS que já venha com o ZFS pré-instalado e configurado simplifica muito o processo.
A segurança dos dados com um storage NAS
Implementar um arranjo como o RAID Z1 em um servidor NAS centraliza a proteção dos dados e melhora a resiliência da infraestrutura. Um equipamento dedicado para armazenamento, como um NAS QNAP com QuTS hero, oferece muito mais que apenas tolerância a falhas de disco. Ele também fornece recursos como snapshots, que criam cópias instantâneas dos dados e protegem contra ransomware ou exclusões acidentais.
Adicionalmente, essas soluções simplificam a automação de backups. É possível configurar rotinas para copiar dados importantes para outro equipamento, para a nuvem ou para um disco externo. Essa estratégia de backup 3-2-1, combinada com a integridade de dados do ZFS, cria múltiplas camadas de segurança. Assim, a continuidade dos negócios fica muito mais garantida.
Em ambientes onde a perda de dados é inaceitável, a combinação de um hardware confiável com o ZFS é a resposta. Ele não apenas protege contra falhas de hardware, mas também combate a corrupção silenciosa de dados, um inimigo invisível e perigoso. Logo, investir em um network attached storage é uma decisão estratégica para qualquer organização.
