Índice:
- Já existe mesmo um HD externo de 100TB?
- Como esses equipamentos atingem tanta capacidade?
- A importância das conexões de alta velocidade
- O que significa a penalização do RAID?
- Softwares que acompanham os grandes discos
- HD externo gigante ou um storage NAS?
- E a nuvem como alternativa de armazenamento?
- Os riscos de um ponto único de falha
- Por que um NAS centraliza e protege melhor?
Muitos profissionais criativos e pequenas empresas enfrentam um desafio crescente com o volume de dados gerados diariamente. A necessidade por mais espaço frequentemente leva à busca por soluções de armazenamento cada vez maiores, mas a simples capacidade não resolve tudo.
Um disco de altíssima capacidade sem redundância representa um risco enorme, pois uma única falha pode apagar anos de trabalho. A perda de projetos importantes ou arquivos de clientes é uma consequência desastrosa para qualquer negócio.
Assim, a escolha de um sistema de armazenamento exige uma análise cuidadosa que vai além dos terabytes. É preciso avaliar a segurança, a velocidade de acesso e a forma como os dados serão gerenciados no dia a dia.
Já existe mesmo um HD externo de 100TB?
Sim, já existem soluções de armazenamento externo que alcançam ou até superam 100TB de capacidade. No entanto, é fundamental entender que esses produtos raramente são um único disco rígido. Na verdade, são storages DAS (Direct Attached Storage) que abrigam múltiplos HDDs em um único gabinete, funcionando como um grande volume lógico.
Fabricantes como LaCie, G-Technology e Western Digital são especialistas nesse segmento. Seus equipamentos, como o LaCie 2big Dock ou o G-RAID Shuttle 8, combinam vários discos internos para entregar altíssima capacidade e desempenho. Eles frequentemente usam a tecnologia RAID para gerenciar os discos, o que melhora a performance ou a segurança dos dados.
Esses equipamentos são projetados para profissionais que manipulam arquivos muito pesados, como vídeos em 4K/8K ou grandes bancos de imagens. A conexão direta via Thunderbolt ou USB-C garante que a velocidade de transferência seja compatível com a enorme capacidade, evitando gargalos que tornariam o uso impraticável.
Como esses equipamentos atingem tanta capacidade?
A mágica por trás dos HDs externos de grande volume está na tecnologia RAID (Redundant Array of Independent Disks). Essa tecnologia combina vários discos físicos para que o Windows os enxergue como uma única unidade. Existem diferentes configurações RAID, cada uma com um propósito específico e que quase sempre impactam o resultado final.
Por exemplo, um arranjo em RAID 0 soma a capacidade de todos os discos e divide os dados entre eles para acelerar a leitura e a escrita. Um gabinete com dois HDs de 20TB em RAID 0 oferece 40TB de espaço útil com desempenho máximo, mas sem qualquer proteção. Se um disco falhar, todos os dados são perdidos, o que dificulta bastante sua recomendação.
Já o RAID 1 espelha os dados, ou seja, tudo que é gravado em um disco é duplicado no outro. Com os mesmos dois HDs de 20TB, o espaço útil seria de apenas 20TB, mas com alta segurança. Outros níveis, como RAID 5 ou 6, equilibram capacidade, desempenho e redundância, sendo mais comuns em storages com quatro ou mais baias.
A importância das conexões de alta velocidade
Um HD externo de 100TB seria praticamente inútil sem uma conexão que suporte transferências rápidas. Imagine copiar alguns terabytes de dados por uma porta USB 2.0. A tarefa levaria dias. Por isso, esses equipamentos sempre utilizam interfaces de alta velocidade como Thunderbolt e USB-C.
A tecnologia Thunderbolt, especialmente nas versões 3 e 4, oferece taxas de transferência que chegam a 40 Gb/s. Isso permite mover grandes projetos de vídeo ou bibliotecas de fotos em minutos, não em horas. Além disso, o Thunderbolt também suporta o encadeamento de vários dispositivos (daisy-chain), simplificando a conexão de monitores e outros periféricos.
As portas USB 3.2 Gen 2 e USB4 também entregam excelente desempenho, com velocidades de 10 Gb/s a 40 Gb/s. Alguns discos, como o WD My Cloud, ainda incluem uma porta Ethernet. Essa conexão transforma o dispositivo em um armazenamento de rede básico, acessível por vários computadores em uma LAN.
O que significa a penalização do RAID?
Embora o RAID ofereça segurança, ele impõe algumas penalidades que muitos usuários desconhecem. A primeira é a perda de capacidade útil. Em um arranjo RAID 1 (espelhamento), metade do espaço bruto é usada para a cópia de segurança. Portanto, para ter 20TB protegidos, você precisa comprar 40TB em discos, o que obviamente aumenta o custo.
Outro ponto é a penalidade de desempenho durante a reconstrução (rebuild). Se um disco falhar em um arranjo RAID 5 ou 6, os serviços continuam funcionando em modo degradado. No entanto, ao substituir o disco defeituoso, o equipamento inicia um processo de reconstrução que pode levar horas ou até dias. Durante esse período, o desempenho geral cai drasticamente e o ambiente fica vulnerável a uma nova falha.
Essa vulnerabilidade é o maior risco. Uma segunda falha de disco durante o rebuild pode causar a perda total dos dados. Por isso, mesmo com RAID, um backup externo continua sendo indispensável. A redundância do RAID protege contra falhas de hardware, mas não contra exclusão acidental, corrupção de arquivos ou ataques de ransomware.
Softwares que acompanham os grandes discos
Muitos desses sistemas de armazenamento de alta capacidade vêm com um conjunto de softwares utilitários. Ferramentas como o LaCie RAID Manager ou o WD Drive Utilities simplificam o gerenciamento do equipamento. Por meio deles, é possível configurar o nível RAID, monitorar a saúde dos discos (SMART) e receber alertas sobre possíveis falhas.
Alguns fabricantes também incluem softwares de backup básicos. O WD Backup, por exemplo, permite agendar cópias automáticas dos seus arquivos importantes. Embora funcionais para tarefas simples, esses programas raramente oferecem recursos avançados como o versionamento de arquivos (snapshots) ou a sincronização de pastas em tempo real.
Em nossa experiência, os softwares que acompanham os discos são um bom ponto de partida, mas limitados para uso profissional intenso. Eles não possuem a flexibilidade e a robustez de soluções dedicadas de backup ou de um sistema operacional de um storage, que oferece uma plataforma completa de aplicativos para proteção de dados.
HD externo gigante ou um storage NAS?
A escolha entre um HD externo de alta capacidade (DAS) e um NAS depende fundamentalmente do seu fluxo de trabalho. Um DAS, como o G-RAID Project 2, é ideal para um único usuário que precisa de máxima velocidade para edição de vídeo ou manipulação de arquivos pesados diretamente na sua estação de trabalho.
Sua principal vantagem é a simplicidade e o desempenho bruto, pois a conexão direta via Thunderbolt elimina qualquer latência da rede. No entanto, o compartilhamento de arquivos com uma equipe é pouco prático. Frequentemente, é necessário desconectar o dispositivo de um computador e conectá-lo em outro, o que interrompe o trabalho.
Um NAS, por outro lado, é um servidor de arquivos conectado à rede. Ele centraliza o armazenamento e permite que múltiplos usuários acessem e colaborem nos mesmos projetos simultaneamente. Além disso, a maioria desses equipamentos oferece uma variedade de aplicativos para backups automáticos, acesso remoto, nuvem privada e muito mais, o que melhora a organização.
E a nuvem como alternativa de armazenamento?
O armazenamento em nuvem é uma opção popular, mas se torna financeiramente inviável para grandes volumes de dados. Armazenar 100TB em serviços como Google Drive ou Dropbox teria um custo mensal altíssimo, superando rapidamente o investimento em um equipamento local. Frequentemente, a conta se torna impagável.
A velocidade também é um grande obstáculo. Fazer o upload ou download de terabytes de dados depende da sua conexão com a internet, um processo que pode ser extremamente lento e instável. Para profissionais que trabalham com prazos apertados, esperar horas para acessar um arquivo simplesmente não funciona.
A nuvem é excelente para sincronizar arquivos pequenos, colaborar em documentos e como um destino de backup secundário (off-site). Porém, para o armazenamento primário e ativo de grandes projetos, as soluções locais como storages DAS e NAS ainda são muito mais eficientes e econômicas.
Os riscos de um ponto único de falha
Concentrar 100TB de dados em um único dispositivo, mesmo com RAID, cria um perigoso ponto único de falha. O RAID protege contra a falha mecânica de um ou dois discos, mas é ineficaz contra outras ameaças. Um surto elétrico, por exemplo, pode queimar a controladora do gabinete e todos os discos simultaneamente.
O roubo do equipamento é outro risco real, especialmente para unidades portáteis como o LaCie Rugged RAID Shuttle. Além da perda física, há o perigo do acesso não autorizado a informações sensíveis. Ataques de ransomware que criptografam os dados no computador conectado também podem afetar o disco externo, tornando todos os arquivos inacessíveis.
Por isso, a regra de backup 3-2-1 é tão importante. Ela recomenda ter três cópias dos seus dados, em duas mídias diferentes, com uma cópia guardada fora do local principal. O HD externo gigante pode ser a sua cópia primária, mas você ainda precisa de backups adicionais para garantir a recuperação em caso de desastre.
Por que um NAS centraliza e protege melhor?
Para quem busca não somente capacidade, mas também segurança, colaboração e gerenciamento inteligente, um storage NAS é a resposta. Diferente de um HD externo, um NAS é um computador dedicado a armazenar e proteger dados. Ele opera com um software próprio que oferece recursos muito mais avançados.
Um servidor NAS implementa RAID de forma mais robusta e ainda adiciona camadas de proteção, como os snapshots. Essa tecnologia cria pontos de restauração que permitem reverter arquivos ou pastas a um estado anterior, uma defesa poderosa contra exclusão acidental e ransomware. Além disso, ele automatiza o backup de múltiplos computadores da rede em um só lugar.
Com um desses equipamentos você cria uma nuvem privada, com acesso seguro aos seus arquivos de qualquer lugar. Ele também centraliza o trabalho em equipe, com permissões de acesso por usuário e pastas compartilhadas. Portanto, um NAS não server apenas para armazenar dados, ele organiza e protege ativamente seu patrimônio digital.
