Índice:
- Por que usar um storage NAS para backup?
- Quais fabricantes e modelos considerar?
- HDD ou SSD: qual disco escolher?
- Entendendo o RAID para proteger os dados
- A importância dos snapshots contra ransomware
- Como evitar os principais gargalos de desempenho?
- Implementando a estratégia de backup 3-2-1
- Compatibilidade com Windows, macOS e Linux
- O papel do NAS na recuperação de desastres (DR)
Muitas empresas e usuários domésticos ainda confiam em HDs externos para o backup, um método frequentemente manual e bastante suscetível a falhas. Essa abordagem resulta em cópias desatualizadas ou, pior, na perda total dos dados quando o único dispositivo de armazenamento falha.
O risco também vai além das falhas físicas. Um ataque ransomware, por exemplo, consegue criptografar todos os arquivos em dispositivos conectados, incluindo as unidades de backup mapeadas. Sem um sistema com múltiplas versões, a recuperação dos dados se torna uma tarefa quase impossível.
Assim, encontrar um método centralizado, automatizado e seguro é fundamental. Um sistema de armazenamento dedicado surge como uma alternativa poderosa para proteger os arquivos mais importantes com eficiência.
Por que usar um storage NAS para backup?
Um network storage centraliza o backup em um único dispositivo na rede, automatiza rotinas com softwares próprios e protege os dados com redundância (RAID). Ele funciona como um servidor de arquivos dedicado, acessível por múltiplos computadores e sistemas operacionais, o que simplifica a recuperação dos dados.
Diferente de um simples HD externo, um NAS é um pequeno computador com seu próprio sistema operacional, que gerencia os discos, as permissões de usuários e diversos aplicativos. Para o backup, isso significa que você pode agendar tarefas, criar diferentes trabalhos para máquinas distintas e administrar tudo por uma interface web bastante intuitiva.
Vários fabricantes, como a Synology e a QNAP, oferecem sistemas com aplicativos robustos para cópias de segurança. Essas ferramentas frequentemente incluem recursos como a deduplicação, que economiza espaço, e opções para a restauração completa do sistema, que recupera um ambiente inteiro em poucos passos.
Quais fabricantes e modelos considerar?
Dois grandes nomes geralmente dominam este mercado: Synology e Qnap. Ambas as marcas oferecem hardware excelente e sistemas operacionais maduros. A Synology é frequentemente elogiada por seu software amigável (DSM), enquanto a Qnap muitas vezes entrega hardware mais potente e com mais opções de conectividade por preços semelhantes.
Para pequenos escritórios ou usuários avançados, modelos como o Synology DS224+ ou o QNAP TS-264 são ótimos pontos de partida. Essas unidades com duas baias suportam RAID 1 para espelhamento. Já para empresas com maiores demandas, equipamentos com quatro ou mais baias, como o Synology DS923+ ou o QNAP TS-464, oferecem melhor desempenho e arranjos de disco mais flexíveis.
A escolha também depende do seu ecossistema. Se você precisa de recursos avançados para virtualização ou conectividade 10GbE nativa, alguns modelos da Qnap podem ter uma leve vantagem. No entanto, a suíte Active Backup for Business da Synology é uma ferramenta poderosa e sem custo de licença que atrai muitas empresas.
HDD ou SSD: qual disco escolher?
O debate entre HDDs (Hard Disk Drives) e SSDs (Solid State Drives) para backups em NAS é quase sempre sobre custo versus desempenho. Os HDDs oferecem uma capacidade muito maior por um preço menor, o que é a prioridade para armazenar grandes volumes de backup. Um disco rígido de 16TB é bem mais acessível que um SSD com a mesma capacidade.
Os SSDs, por outro lado, entregam uma velocidade incrível. Essa velocidade, no entanto, raramente é o gargalo para tarefas de backup típicas em uma rede de 1GbE. Sua principal vantagem em um NAS é para o uso como cache ou para executar máquinas virtuais, não para o armazenamento bruto das cópias.
Portanto, uma abordagem híbrida é frequentemente a melhor. Use HDDs de alta capacidade projetados para NAS (como as linhas Seagate IronWolf ou WD Red) para o pool de armazenamento principal. Se seu equipamento suportar, adicione um ou dois SSDs pequenos como cache de leitura e escrita para acelerar a resposta do sistema e o acesso a arquivos pequenos.
Entendendo o RAID para proteger os dados
O RAID (Redundant Array of Independent Disks) não é um backup, mas sim uma camada crítica de proteção contra a falha de discos. Ele combina vários drives em uma única unidade lógica. Se um disco falhar em um arranjo redundante, o servidor continua operando, e você pode substituir a unidade defeituosa sem qualquer perda de dados.
Para um NAS com duas baias, o RAID 1 é a escolha padrão. Ele espelha os dados em ambos os discos, então você obtém a capacidade de um drive, mas com redundância total. Para unidades com quatro ou mais baias, o RAID 5 ou o RAID 6 são mais comuns. O RAID 5 usa um disco para paridade e tolera a falha de um único drive. Já o RAID 6 usa dois discos para paridade, por isso sobrevive a duas falhas simultâneas.
Nossa equipe quase sempre recomenda o RAID 6 para storages com quatro ou mais discos que guardam dados críticos. O tempo para reconstruir um grande arranjo RAID 5 pode ser muito longo, e a falha de um segundo disco durante esse processo seria catastrófica. A segurança adicional do RAID 6 justifica o custo em capacidade.
A importância dos snapshots contra ransomware
Os snapshots são um dos recursos mais poderosos de um NAS moderno. Eles capturam uma imagem do sistema de arquivos em um ponto no tempo, que fica disponível apenas para leitura. Se um ataque ransomware criptografar seus arquivos, você pode simplesmente "reverter" para um snapshot tirado antes do ataque e recuperar seus dados instantaneamente.
Isso funciona porque os snapshots são imutáveis. O ransomware não consegue modificar ou criptografar essas versões anteriores. Muitos servidores de armazenamento permitem agendar snapshots frequentes, às vezes a cada hora, o que cria inúmeros pontos de recuperação com impacto mínimo no espaço, pois eles salvam apenas as alterações entre as versões.
Essa funcionalidade muda o jogo para a recuperação de desastres. Em vez de um longo processo para restaurar arquivos de uma cópia externa, a recuperação a partir de um snapshot leva apenas alguns minutos. Esse recurso por si só torna um NAS um alvo de backup muito superior a um simples drive USB.
Como evitar os principais gargalos de desempenho?
Até mesmo um NAS potente pode parecer lento se houver um gargalo em outro ponto. O obstáculo mais comum é a rede. A maioria das redes domésticas e de pequenos escritórios opera a 1 Gigabit por segundo (GbE), o que limita as velocidades de transferência a cerca de 110-120 MB/s. Isso pode ser lento para backups muito grandes.
Para superar isso, muitos dispositivos NAS modernos suportam agregação de link (que combina duas portas 1GbE) ou possuem portas mais rápidas de 2.5GbE ou 10GbE. Atualizar seus switches de rede e computadores para essas velocidades reduz drasticamente as janelas de backup. Essa mudança melhora muito o tempo das rotinas.
A CPU e a RAM do NAS também são importantes, especialmente ao lidar com múltiplos backups simultâneos, criptografia ou ao executar outros aplicativos. Um processador menos potente pode sobrecarregar e retardar todas as operações. Para uso profissional, escolher um modelo com CPU quad-core e pelo menos 4GB de RAM (expansível) é um investimento bastante inteligente.
Implementando a estratégia de backup 3-2-1
Um NAS é a peça central perfeita para a clássica regra de backup 3-2-1. Essa regra diz que você deve ter três cópias dos seus dados, em dois tipos diferentes de mídia, com uma cópia armazenada fora do local principal (off-site). Seus dados ativos são a primeira cópia, e o backup no seu NAS local é a segunda cópia em uma mídia diferente.
Para a terceira cópia off-site, um storage de rede oferece várias soluções elegantes. Você pode usar aplicativos nativos para sincronizar automaticamente seus backups com um serviço na nuvem, como Backblaze B2, Amazon S3 ou Wasabi. Esse processo cria uma cópia geograficamente separada, que protege você contra desastres locais como incêndios ou roubos.
Outra excelente opção é usar um segundo NAS em outro local. Muitos equipamentos para backup, como os da Synology (com o Hyper Backup) ou da Qnap (com o HBS 3), conseguem replicar dados entre duas unidades pela internet. Isso dá a você controle total sobre seus dados externos sem as taxas recorrentes dos serviços de nuvem.
Compatibilidade com Windows, macOS e Linux
Os NAS hibrídos são projetados para ambientes heterogêneos, pois eles "falam" múltiplos dialetos de rede para garantir uma compatibilidade transparente. Para clientes Windows, eles suportam o protocolo SMB/CIFS e aparecem como uma unidade de rede padrão no Explorador de Arquivos.
Para usuários de macOS, os dispositivos NAS suportam tanto SMB quanto AFP (Apple Filing Protocol), com uma integração perfeita ao Finder e ao Time Machine. Você pode facilmente designar uma pasta no NAS como um destino para o Time Machine e automatizar os backups de todos os seus Macs sem precisar de drives separados para cada um.
Sistemas Linux também se conectam sem esforço usando SMB ou, mais comumente, o NFS (Network File System). Além disso, muitos modelos suportam o protocolo iSCSI, que apresenta o armazenamento a um servidor como um dispositivo de bloco local, ideal para armazenar máquinas virtuais ou bancos de dados.
O papel do NAS na recuperação de desastres (DR)
Um NAS bem configurado vai além do simples backup de arquivos e se torna um componente chave em um plano de Recuperação de Desastres (DR). Seu papel é minimizar o tempo de inatividade (RTO) e a perda de dados (RPO). Com recursos como snapshots e replicação remota automatizada, um NAS ajuda a atingir metas de RPO e RTO muito baixas.
Por exemplo, se um servidor principal falhar, o backup de sua máquina virtual armazenado no NAS pode ser iniciado rapidamente, às vezes no próprio NAS, se ele tiver recursos suficientes. Essa capacidade de failover mantém as operações da empresa em funcionamento enquanto o servidor principal é reparado.
No final, um NAS transforma o backup de uma tarefa passiva e de arquivamento em uma parte ativa da sua estratégia de continuidade de negócios. Ele fornece as ferramentas não apenas para guardar dados, mas para recuperar sistemas e serviços rapidamente após um incidente. Essa mudança na capacidade é o motivo pelo qual um NAS dedicado é a resposta para a proteção de dados séria.
