RAID 10: Saiba mais sobre esse arranjo de discos para servidores e storages, quanto ele penaliza a capacidade de armazenamento e o número de HDDs necessários.
RAID 10, também conhecido como RAID 1+0, é um arranjo de discos que combina o espelhamento do RAID 1 com a distribuição do RAID 0. Primeiramente, ele cria pares de discos espelhados para garantir a redundância dos dados. Depois, distribui as informações entre esses pares, o que acelera drasticamente as operações de leitura e escrita. Essa estrutura híbrida exige um mínimo de quatro discos rígidos e sempre um número par de unidades. Na prática, o sistema enxerga cada par espelhado como um único disco lógico. Por isso, os dados são divididos e gravados simultaneamente em todos os pares, o que melhora muito o desempenho geral do storage. Como resultado, o arranjo é frequentemente usado em ambientes que demandam alta performance e grande confiabilidade. Servidores de banco de dados, sistemas de virtualização e outras aplicações com intensa carga de trabalho se beneficiam bastante dessa configuração, ainda que o custo seja um fator importante.
A tolerância a falhas no RAID 10 é bastante robusta por causa da sua arquitetura espelhada. O sistema consegue suportar a falha de pelo menos um disco em cada par espelhado sem qualquer perda de dados. Se um HD falhar, seu par idêntico continua operando normalmente e mantém o sistema online. O risco real, embora estatisticamente baixo, ocorre se ambos os discos do mesmo par espelhado falharem simultaneamente. Nessa situação específica, o arranjo inteiro entra em colapso e os dados são perdidos. No entanto, a falha de dois discos em pares diferentes geralmente não causa a perda de dados. Portanto, a proteção é significativamente superior à oferecida por um RAID 0 e o desempenho na recuperação é melhor que em um RAID 5. A substituição de um disco defeituoso (hot-swap) dispara um processo de reconstrução (rebuild) que copia os dados do disco espelhado sobrevivente, um processo muito mais rápido e seguro.
Uma das principais desvantagens do RAID 10 é a sua penalização de capacidade. A regra é simples e direta: o arranjo utiliza exatamente 50% do espaço bruto total dos discos para o espelhamento. Esse custo é necessário para garantir a redundância e a alta performance que a tecnologia oferece. Por exemplo, se você montar um sistema com quatro discos de 4 TB cada, a capacidade bruta total seria 16 TB. No entanto, com um arranjo RAID 10, a capacidade útil disponível para armazenar dados será de apenas 8 TB. Os outros 8 TB são uma cópia espelhada e inacessível para novos dados. Essa característica torna o RAID 10 uma das opções mais caras em termos de custo por terabyte. Por isso, sua aplicação é quase sempre reservada para cenários onde o desempenho e a disponibilidade são mais críticos que o aproveitamento máximo do espaço. Muitas empresas optam por essa configuração apenas para seus dados mais importantes.
O desempenho é, sem dúvida, o grande trunfo do RAID 10. Nas operações de leitura, a velocidade é extremamente alta porque o sistema acessa todos os discos do arranjo de forma simultânea. A distribuição dos dados entre os pares espelhados permite que várias requisições sejam atendidas ao mesmo tempo, o que acelera muito o acesso. A performance de escrita também é um diferencial importante, especialmente quando comparada com arranjos baseados em paridade como o RAID 5 e 6. Como o RAID 10 apenas espelha os dados, ele não precisa realizar cálculos complexos de paridade a cada gravação. Isso resulta em uma latência muito menor e um IOPS (operações de entrada/saída por segundo) bastante elevado. Essa ausência da chamada "penalidade de escrita" o torna ideal para aplicações transacionais. Bancos de dados, servidores de e-mail e sistemas de virtualização que executam muitas máquinas virtuais se beneficiam diretamente dessa agilidade, pois as operações de escrita são frequentes e críticas para o funcionamento.
Para implementar um arranjo RAID 10, são necessários no mínimo quatro discos rígidos. Essa exigência existe porque a estrutura fundamental combina pelo menos dois pares de discos espelhados. Não é possível criar essa configuração com menos unidades, pois a lógica de espelhamento e distribuição não funcionaria. Além do requisito mínimo, o número total de discos em um arranjo RAID 10 deve ser sempre par. É possível expandir o sistema com seis, oito, dez ou mais discos, desde que a adição seja feita em pares. Essa regra garante que a simetria do espelhamento seja mantida para cada novo subgrupo. Essa flexibilidade para escalar o armazenamento é uma vantagem, mas exige planejamento. Adicionar novos pares de discos a um arranjo existente é um processo que aumenta tanto a capacidade útil quanto o desempenho geral do sistema, pois mais discos participam das operações de leitura e escrita.
A comparação entre RAID 10 e RAID 5 frequentemente se resume a um equilíbrio entre desempenho e eficiência de espaço. O RAID 10 se destaca em performance de escrita, pois sua arquitetura de espelhamento simples evita os cálculos de paridade. Isso o torna muito mais rápido para aplicações com alta carga de gravação. Por outro lado, o RAID 5 é mais eficiente no uso do espaço. Ele perde a capacidade de apenas um disco para os dados de paridade, independentemente do número de HDs no arranjo. Um sistema com quatro discos em RAID 5, por exemplo, oferece 75% da capacidade bruta, enquanto o RAID 10 entrega apenas 50%. No entanto, o RAID 5 sofre com uma degradação de performance durante a reconstrução de um disco falho, um processo que também aumenta o risco de uma segunda falha. O rebuild do RAID 10 é consideravelmente mais rápido e seguro, pois apenas copia dados de um disco espelhado. Assim, a escolha depende da prioridade: velocidade e segurança ou maior capacidade.
Quando a comparação envolve o RAID 6, o foco muda para a máxima tolerância a falhas. O RAID 6 utiliza um sistema de paridade dupla, o que permite que o arranjo sobreviva à falha simultânea de até dois discos rígidos sem perda de dados. Essa é sua principal vantagem sobre quase todos os outros níveis de RAID. Essa segurança adicional, porém, tem um custo de desempenho. O RAID 6 apresenta a maior penalidade de escrita entre os arranjos mais comuns, pois a controladora precisa calcular e gravar dois blocos de paridade para cada bloco de dados. Isso o torna inadequado para ambientes com alta demanda por escrita. O RAID 10, embora geralmente suporte a falha de apenas um disco por par, oferece uma performance de escrita muito superior. Em alguns cenários, um arranjo RAID 10 pode até sobreviver a duas falhas, desde que elas ocorram em pares espelhados distintos. A decisão entre os dois frequentemente coloca a performance superior do RAID 10 contra a proteção extra do RAID 6.
O RAID 10 é a escolha ideal para aplicações onde a performance de I/O e a baixa latência são absolutamente críticas. Servidores de banco de dados, como SQL Server, Oracle e MySQL, se beneficiam imensamente da alta velocidade de escrita e leitura, pois processam milhares de transações por segundo. Ambientes de virtualização com VMware vSphere ou Microsoft Hyper-V também são um caso de uso clássico. Um grande número de máquinas virtuais gera uma carga de trabalho com I/O aleatório e intenso. O RAID 10 lida com essa demanda de forma muito mais eficiente que arranjos com paridade, o que melhora a responsividade das VMs. Além disso, qualquer sistema que execute aplicações de alta performance, como servidores de e-mail com muitos usuários ou plataformas de edição de vídeo colaborativa, encontra no RAID 10 a combinação perfeita. Ele é indicado sempre que o tempo de atividade e a velocidade superam a necessidade de maximizar o espaço de armazenamento.
Apesar das suas vantagens, o RAID 10 possui algumas limitações importantes. O principal fator é o custo elevado, impulsionado pela perda de 50% da capacidade bruta dos discos. Para muitas organizações, especialmente as pequenas, o investimento em dobro para obter o mesmo espaço útil pode ser proibitivo. Outro ponto a ser considerado é o seu modelo de falha. Embora seja robusto, o arranjo possui um ponto fraco específico: a falha de ambos os discos em um mesmo subgrupo espelhado. Se isso acontecer, todos os dados do volume são perdidos instantaneamente. Por isso, monitorar a saúde dos discos é fundamental. Finalmente, a expansão de um volume RAID 10 exige a adição de discos em pares, o que pode limitar a flexibilidade do planejamento de capacidade. Diferente de outros arranjos que permitem adicionar um disco por vez, aqui a escalabilidade é mais rígida. É preciso avaliar se essas limitações se encaixam na sua estratégia de longo prazo.
Sim, um Storage NAS moderno simplifica enormemente a criação e o gerenciamento de um arranjo RAID 10. Equipamentos de marcas como QNAP e Synology oferecem interfaces web intuitivas que guiam o usuário passo a passo no processo de configuração. Isso remove grande parte da complexidade técnica. Esses sistemas também automatizam tarefas críticas para a saúde do arranjo. Eles monitoram continuamente o estado dos discos rígidos através da tecnologia S.M.A.R.T. e enviam alertas por e-mail ou aplicativo caso detectem qualquer anomalia. Essa proatividade ajuda a prevenir falhas catastróficas. Além disso, um NAS agrega outras camadas de proteção que complementam o RAID, como a tecnologia de snapshots. Com ela, é possível criar cópias de um volume em um ponto no tempo, o que protege os dados contra erros humanos ou ataques de ransomware. Portanto, um Storage NAS é a resposta para implementar um RAID 10 com mais segurança e facilidade.