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RAID Z2: Tudo sobre esse arranjo de disco de paridade dupla

RAID Z2: Tudo sobre esse arranjo de disco de paridade dupla

Índice:

Muitos administradores de datacenter temem a falha de um segundo disco durante o longo processo para reconstruir um arranjo RAID. Esse cenário representa um risco iminente de perda total dos dados, especialmente em conjuntos com HDs de alta capacidade.

Um arranjo de discos tradicional pode ser vulnerável nessas condições, pois o tempo para a recuperação aumenta a janela para novas falhas. A infraestrutura fica sobrecarregada e qualquer erro adicional pode ser catastrófico.

Assim, o ZFS (Zettabyte File System) introduziu uma abordagem mais segura para proteger os dados. O RAID Z2 surge como uma resposta robusta para quem busca alta tolerância a falhas e mais integridade.

O que é RAID Z2?

RAID Z2 é um esquema para proteção de dados exclusivo do sistema de arquivos ZFS que utiliza um mecanismo de paridade dupla. De forma semelhante ao RAID 6, essa configuração suporta a falha simultânea de até dois discos rígidos em um mesmo conjunto sem qualquer perda de informação. Essa camada extra de segurança é fundamental para ambientes que não podem parar.

Seu funcionamento ocorre em um vdev (virtual device), que é o bloco de construção de um pool de armazenamento ZFS. Diferente dos arranjos tradicionais, o RAID Z2 se beneficia do recurso copy-on-write do ZFS. Isso significa que os dados novos nunca sobrescrevem os antigos, o que elimina completamente o risco do "write hole", uma falha de inconsistência que pode corromper dados durante uma queda de energia.

Essa tecnologia é frequentemente aplicada em file servers, servidores de backup e ambientes de virtualização que exigem máxima disponibilidade. A capacidade de sobreviver a duas falhas de disco torna o arranjo uma escolha bastante segura para armazenar dados críticos, onde a integridade é inegociável.

Como a paridade dupla protege os dados?

A paridade dupla do RAID Z2 cria duas camadas independentes de cálculos de redundância, distribuídas entre todos os discos do vdev. Na prática, o servidor de armazenamento gera dois conjuntos de dados de recuperação para cada bloco de informação gravado. Esse método oferece um nível de proteção muito superior aos arranjos com paridade simples, como o RAID 5 ou Z1.

Quando um primeiro disco falha, o ZFS utiliza um dos conjuntos de paridade para reconstruir os dados ausentes em tempo real. Os serviços continuam operacionais, embora em um estado degradado. Se um segundo disco falhar antes que o primeiro seja substituído, o segundo conjunto de paridade entra em ação e garante que nenhuma informação seja perdida.

Essa proteção adicional é especialmente valiosa durante o processo de reconstrução, conhecido como "resilver". Como a recuperação de um disco pode levar muitas horas, a chance de uma nova falha ocorrer nesse período não é desprezível. A paridade dupla, portanto, funciona como uma apólice de seguro para a integridade dos seus arquivos mais importantes.

Qual o número mínimo de discos para o arranjo?

Para implementar um vdev em RAID Z2, são necessários no mínimo quatro discos. Nessa configuração mínima, dois discos armazenam os dados e os outros dois são dedicados exclusivamente aos cálculos de paridade. No entanto, essa implementação é raramente usada na prática por ser pouco eficiente em termos de aproveitamento do espaço.

A maioria dos especialistas recomenda usar pelo menos cinco ou seis discos para obter um equilíbrio melhor entre capacidade, desempenho e segurança. Por exemplo, em um conjunto com seis HDs, quatro seriam usados para os dados e dois para a paridade, o que melhora bastante o aproveitamento do armazenamento bruto.

Vale ressaltar que todos os discos dentro de um mesmo vdev Z2 devem ter, idealmente, a mesma capacidade. O ZFS usará o tamanho do menor disco como base para calcular o espaço total, por isso misturar unidades de tamanhos diferentes resulta em desperdício de armazenamento nos discos maiores.

Calculando a capacidade útil em um vdev Z2

O cálculo da capacidade útil em um arranjo RAID Z2 é bastante direto. A fórmula básica é subtrair o espaço de dois discos do total de unidades no vdev e multiplicar o resultado pela capacidade individual de cada disco. A equação é simples: Capacidade Útil = (N - 2) * S.

Nessa fórmula, "N" representa o número total de discos no conjunto, enquanto "S" é a capacidade do menor disco do grupo. Por exemplo, em um vdev com 8 discos de 10 TB, a conta seria (8 - 2) * 10 TB. O resultado é uma capacidade líquida de 60 TB para armazenamento, enquanto os 20 TB restantes são reservados para a paridade dupla.

É importante fazer esse cálculo antes de montar o network storage para evitar surpresas com o espaço final. Muitos usuários se esquecem que a redundância consome uma parte significativa da capacidade bruta, mas esse é o preço para garantir uma alta tolerância a falhas e proteger os dados contra problemas de hardware.

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Desempenho e o impacto nos IOPS

O desempenho de um arranjo RAID Z2 varia bastante entre operações de leitura e escrita. A leitura de dados costuma ser muito rápida, pois a aplicação consegue acessar múltiplos discos simultaneamente para entregar os arquivos. Em muitos cenários, a velocidade de leitura sequencial se aproxima daquela de um arranjo RAID 10.

Por outro lado, a escrita de dados sofre uma penalidade considerável. Para cada operação de gravação, o software precisa ler os dados antigos, calcular dois novos blocos de paridade e depois escrever os dados e as duas paridades nos discos. Esse processo intensivo reduz o número de IOPS (operações de entrada e saída por segundo), especialmente em cargas de trabalho com muitas escritas aleatórias, como bancos de dados e máquinas virtuais.

Para contornar essa limitação, sistemas ZFS utilizam mecanismos de cache avançados. O ARC (Adaptive Replacement Cache) usa a memória RAM para acelerar leituras, enquanto um SLOG (Separate Log) com um SSD rápido pode absorver as escritas e melhorar drasticamente a latência.

O processo de reconstrução (resilver) do ZFS

Quando um disco falha em um vdev Z2, o ZFS inicia um processo chamado "resilver" para reconstruir os dados na nova unidade substituta. Diferente de um "rebuild" tradicional, que copia todos os blocos do disco antigo, o resilver é mais inteligente. Ele verifica os metadados e copia apenas os blocos que efetivamente contêm dados, ignorando o espaço vazio.

Essa abordagem geralmente torna a recuperação mais rápida do que em sistemas de arquivos convencionais. Ao reduzir o tempo de reconstrução, o ZFS também diminui a janela de vulnerabilidade na qual o arranjo opera em estado degradado. Ainda assim, com discos de grande capacidade (18 TB ou mais), o processo pode levar várias horas ou até dias.

Durante o resilver, o desempenho do storage é impactado, pois o sistema está lendo intensivamente de todos os discos saudáveis e escrevendo no novo. É fundamental monitorar o processo e evitar cargas de trabalho pesadas até que a integridade do vdev seja completamente restaurada.

Principais riscos e a lentidão associada

Apesar da sua robustez, o RAID Z2 não está isento de riscos. O principal perigo é a falha de um terceiro disco enquanto o resilver dos dois primeiros ainda está em andamento. Embora seja um evento raro, essa situação resultaria em perda total dos dados do vdev. Por isso, a monitoração constante da saúde dos discos é essencial.

Outro ponto de atenção é a ocorrência de UREs (Unrecoverable Read Errors) durante a reconstrução. Um URE acontece quando um setor em um dos discos sobreviventes não pode ser lido. A grande vantagem do ZFS é que, graças à paridade dupla, ele frequentemente consegue corrigir esse tipo de erro e continuar o resilver, algo que um RAID 6 convencional nem sempre faz.

A lentidão durante a recuperação é uma consequência inevitável. O ambiente prioriza a restauração da redundância, o que consome muitos recursos de I/O e processamento. As aplicações que dependem do storage podem apresentar uma queda de performance notável até que o processo seja finalizado.

RAID 6 vs RAID Z2: Qual a melhor escolha?

Tanto o RAID 6 quanto o RAID Z2 oferecem proteção contra a falha de dois discos, mas operam com filosofias diferentes. A principal vantagem do RAID Z2 é sua integração nativa com o ZFS, que o protege contra a corrupção silenciosa de dados através de checksums e elimina o "write hole" com a tecnologia copy-on-write. Um arranjo RAID 6 tradicional, implementado via hardware ou software, não possui essas garantias de integridade.

Por outro lado, algumas controladoras RAID de hardware permitem expandir um arranjo RAID 6 existente adicionando um novo disco ao conjunto. No ZFS, um vdev RAID Z2 é imutável. Uma vez criado, não é possível adicionar mais discos a ele. Para aumentar a capacidade, a única opção é adicionar um novo vdev ao pool de armazenamento.

Para ambientes onde a integridade dos dados é a prioridade máxima, o RAID Z2 é tecnicamente a escolha superior. Sua arquitetura previne tipos de falhas que o RAID 6 não consegue resolver. A decisão, portanto, depende do trade-off entre a flexibilidade de expansão e a segurança absoluta dos dados.

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Quais storages são compatíveis com essa tecnologia?

É fundamental entender que o RAID Z2 não é um padrão universal, mas uma funcionalidade específica do ZFS. Portanto, ele só está disponível em equipamentos que utilizam essa tecnologia. Você não encontrará essa opção em um NAS Synology padrão ou em uma configuração simples do Windows Server, por exemplo.

Os softwares de código aberto mais conhecidos que oferecem suporte nativo ao ZFS, e consequentemente ao RAID Z2, incluem o TrueNAS (anteriormente FreeNAS), que é a solução de código aberto mais popular para criar storages robustos. Além disso, várias distribuições Linux, através do projeto ZFS on Linux (ZoL), também permitem a criação e o gerenciamento desses arranjos.

No mercado de produtos comerciais, alguns fabricantes como a QNAP oferecem modelos de NAS que rodam o sistema operacional QuTS hero, baseado em ZFS. Esses equipamentos trazem a confiabilidade do RAID Z2 para um formato mais amigável e com suporte técnico dedicado.

Vantagens claras do arranjo Z2

A principal vantagem do RAID Z2 é sua altíssima tolerância a falhas. A capacidade de suportar a perda de dois discos rígidos simultaneamente oferece uma tranquilidade imensa para administradores de TI, especialmente em arranjos com muitas unidades de grande capacidade, onde o risco de falhas em cascata é maior.

Além disso, a integridade dos dados é muito superior à de qualquer RAID convencional. O ZFS verifica continuamente a consistência dos arquivos com checksums, detectando e corrigindo a corrupção silenciosa de dados antes que ela se torne um problema. O mecanismo de copy-on-write também impede inconsistências, mesmo em caso de desligamento abrupto.

Finalmente, o processo de reconstrução inteligente, ou resilver, é outra grande vantagem. Ao copiar apenas dados válidos, ele otimiza o tempo de recuperação e reduz o período em que o equipamento opera com a redundância comprometida, o que melhora a segurança geral do ambiente.

As desvantagens que precisam ser consideradas

Apesar dos benefícios, o RAID Z2 apresenta algumas desvantagens. A primeira é o custo de capacidade, pois dois discos do conjunto são inteiramente dedicados à paridade. Em arranjos menores, com quatro ou cinco discos, essa perda de espaço pode representar uma porcentagem significativa do investimento total em armazenamento.

O desempenho de escrita também é um ponto de atenção. A necessidade de calcular duas paridades para cada operação de gravação torna o RAID Z2 mais lento para cargas de trabalho com escritas intensivas e aleatórias. Sem o uso de cache em SSD, ele não é a melhor opção para hospedar bancos de dados muito ativos ou dezenas de máquinas virtuais.

A inflexibilidade na expansão é outra limitação importante. Um vdev Z2 não pode ser expandido com a adição de novos discos. O crescimento do armazenamento exige a criação de um novo vdev, o que demanda um planejamento cuidadoso da infraestrutura desde o início para evitar gargalos futuros.

Quando um NAS resolve o problema?

Montar e gerenciar um servidor ZFS do zero exige um conhecimento técnico aprofundado. É preciso lidar com a linha de comando, entender os detalhes de configuração dos pools e vdevs e monitorar os serviços de forma proativa. Para muitas empresas, essa complexidade é uma barreira.

Nesse cenário, um NAS empresarial que utiliza ZFS, como alguns modelos da Qnap, simplifica enormemente o processo. Esses equipamentos oferecem uma interface gráfica intuitiva que abstrai a complexidade do ZFS, o que permite criar e gerenciar um pool RAID Z2 com apenas alguns cliques.

Além disso, esses sistemas de armazenamento em rede cuidam das atualizações, fornecem alertas de saúde dos discos e contam com suporte técnico especializado. Para quem precisa da segurança e integridade do RAID Z2 sem a curva de aprendizado íngreme, um servidor de armazenamento dedicado é a resposta para proteger os dados com eficiência e simplicidade.

Celso Ricardo Andrade

Celso Ricardo Andrade

Especialista em storage NAS
"Sou especialista em storages com mais de 10 anos de experiência e ajudo pessoas e empresas a projetarem ambientes de armazenamento centralizados, seguros e de fácil gestão. Atuo como arquiteto de soluções, implemento NAS, DAS e redes SAN, além de ser redator senior e oferecer estratégias práticas para o armazenamento de dados, com um conteúdo claro e aplicável para resultados reais."

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