Índice:
- O que são storages VNXe EMC?
- Quais as características dos storages VNXe3100 e 3150?
- O que os VNXe3300 e 1600 trouxeram de novo?
- O storage VNXe3200 e sua tentativa de modernização
- Desempenho e capacidade: os limites atuais da série VNXe
- Conectividade: Portas 1GbE são suficientes hoje?
- O principal risco: Hardware End-of-Life (EOL)
- Por que o VNXe não é seguro para dados importantes?
- Falta de atualizações e a vulnerabilidade a ransomware
- Alternativas modernas para substituir um storage
- Migrar dados de um NAS VNXe: Como planejar a transição?
Muitas empresas ainda operam com storages antigos, como os da linha de storages EMC VNXe, sem perceber os riscos envolvidos. Esses equipamentos, populares há uma década, frequentemente alcançaram o fim da sua vida útil (End of Life). Essa condição expõe os dados a falhas de hardware e a graves vulnerabilidades de segurança.
A ausência de atualizações de firmware e a dificuldade para encontrar peças de reposição transformam um simples problema em uma potencial perda de dados. Um disco rígido que falha, por exemplo, pode comprometer toda a operação. Por isso, a continuidade dos negócios fica seriamente ameaçada por essa infraestrutura defasada.
Assim, entender as limitações desses sistemas é o primeiro passo para proteger os ativos digitais da sua empresa. A migração para uma tecnologia mais moderna não é apenas um upgrade, mas uma medida necessária para garantir a segurança e a disponibilidade das informações críticas.
O que são storages VNXe EMC?
A linha de storages VNXe da EMC foi uma série de sistemas de armazenamento unificado, projetada para atender pequenas e médias empresas com uma solução acessível e fácil de gerenciar. Esses equipamentos unificavam o acesso a arquivos (NAS) e blocos (SAN) em uma única plataforma, o que simplificava bastante a infraestrutura de TI para muitos negócios. Frequentemente, eles representavam a primeira experiência com um storage centralizado e robusto.
Esses sistemas também introduziram uma interface de gerenciamento chamada Unisphere, que era muito mais intuitiva que as ferramentas complexas dos storages corporativos maiores. A ideia era democratizar o acesso a recursos como snapshots e replicação, antes restritos a ambientes com grande orçamento. No entanto, essa tecnologia já mostrava sinais de envelhecimento poucos anos após seu lançamento.
Apesar do seu sucesso inicial, a arquitetura desses storages rapidamente se tornou obsoleta. O avanço das redes, o surgimento dos SSDs e as novas ameaças de segurança, como o ransomware, expuseram suas limitações. Portanto, o que antes era uma solução inovadora, hoje é um grande risco para qualquer empresa.
Quais as características dos storages VNXe3100 e 3150?
Os storages VNXe3100 e 3150 EMC foram os pioneiros da série e estabeleceram a base para o que viria a seguir. O primeiro, por exemplo, suportava até 96 discos e vinha com controladoras duplas para alguma redundância. Sua conectividade era quase sempre limitada a portas de 1GbE, adequadas para as cargas de trabalho da época, mas insuficientes para as demandas atuais.
Já o VNXe3150 surgiu como uma evolução natural, com processadores mais rápidos e mais memória RAM. Isso resultou em um desempenho ligeiramente melhor, mas o sistema ainda dependia de discos rígidos mecânicos (HDDs). Embora alguns arranjos com poucos SSDs fossem possíveis, a arquitetura não foi projetada para extrair o máximo potencial da tecnologia flash, o que dificultava a performance.
Na prática, ambos os equipamentos serviam bem para compartilhamento de arquivos e pequenas aplicações. No entanto, eles nunca foram projetados para virtualização intensiva ou bancos de dados com alta transação. Hoje, esses modelos raramente conseguem acompanhar o ritmo de um ambiente de negócios moderno e acabam criando gargalos significativos.
O que os VNXe3300 e 1600 trouxeram de novo?
O EMC VNXe3300 representou um salto importante em capacidade e processamento dentro da família. Ele suportava um número maior de discos, chegando a 150 drives, e oferecia mais opções de conectividade, incluindo portas 10GbE. Esse modelo também foi pensado para ambientes que precisavam de um pouco mais de fôlego para suas aplicações.
Já o storage SAN VNXe1600 foi um lançamento posterior, focado exclusivamente em armazenamento em bloco (iSCSI). Ele foi otimizado para tarefas que exigiam baixa latência, como pequenas bases de dados e ambientes de virtualização. Mesmo assim, ele ainda compartilhava muitas das limitações arquitetônicas dos seus predecessores, especialmente a dependência de uma interface de gerenciamento que já se mostrava datada.
Apesar dessas melhorias, ambos os sistemas ainda eram soluções de entrada. Eles não possuíam os recursos avançados de deduplicação, compressão e tiering automático encontrados em equipamentos mais modernos. Como resultado, o custo total de propriedade, considerando o espaço em rack e o consumo de energia, era muito maior.
O storage VNXe3200 e sua tentativa de modernização
O storage VNXe3200 foi o último e mais avançado modelo da série, uma clara tentativa da EMC de modernizar a plataforma. Ele introduziu a arquitetura MCx (Multicore Optimization), que distribuía melhor as tarefas de processamento entre os núcleos da CPU. Isso resultou em um aumento significativo de desempenho em comparação com os modelos anteriores.
Este sistema também foi o primeiro da linha a ser verdadeiramente projetado para ambientes híbridos, combinando SSDs para cache ou tiering com HDDs de alta capacidade. Esse storage server suportava até 450 TB de capacidade bruta e oferecia recursos como thin provisioning e snapshots unificados. Sem dúvida, ele era um equipamento muito mais capaz.
Ainda assim, o equipamento carregava o legado de uma plataforma envelhecida. Sua interface, embora funcional, era menos ágil que as soluções concorrentes que surgiam no mercado. Por isso, mesmo sendo o melhor da família, esse servidor de armazenamento foi rapidamente superado por tecnologias mais eficientes e seguras, que já nasceram na era do all-flash.
Desempenho e capacidade: os limites atuais da série VNXe
O desempenho de qualquer sistema de armazenamento da série VNXe é, hoje, seu maior ponto fraco. Baseados em discos rígidos, esses sistemas entregam um número de IOPS (operações de entrada e saída por segundo) extremamente baixo para os padrões atuais. Uma aplicação moderna, como um banco de dados ou um ambiente VDI, rapidamente esgota a capacidade de resposta desses equipamentos.
A capacidade de armazenamento, embora parecesse grande na época, também se tornou um problema. Os storages mais antigos mal suportam algumas dezenas de terabytes, um volume de dados que muitas empresas geram em poucos meses. Além disso, a expansão é complexa e cara, pois exige a compra de disk enclosures (DAEs) específicos e difíceis de encontrar.
Em nossos testes com unidades remanescentes, a latência para acesso aos dados é inaceitavelmente alta. Isso afeta diretamente a produtividade dos usuários e a performance dos serviços. Logo, manter um storage obsoleto em produção significa aceitar uma infraestrutura lenta e pouco escalável.
Conectividade: Portas 1GbE são suficientes hoje?
A maioria dos storages VNXe foi implantada com conectividade de 1GbE, que era o padrão para redes locais há mais de uma década. Naquele tempo, essa velocidade era suficiente para o compartilhamento de documentos e backups noturnos. Hoje, uma rede de 1GbE é um enorme gargalo que sufoca praticamente qualquer operação.
Tarefas comuns, como a transferência de grandes arquivos de vídeo, backups de máquinas virtuais ou o acesso simultâneo de dezenas de usuários, saturam facilmente um link de 1GbE. Isso gera lentidão, timeouts em aplicações e uma péssima experiência para o usuário. Mesmo os modelos com portas 10GbE opcionais raramente tinham hardware capaz de preencher toda essa banda.
Atualmente, redes de 2.5GbE, 10GbE e até mais rápidas são comuns e acessíveis. Um storage moderno precisa acompanhar essa evolução para entregar os dados com a agilidade que o negócio exige. Manter um sistema limitado a 1GbE é como ter uma Ferrari presa em um congestionamento, pois o potencial dos servidores e estações de trabalho é completamente desperdiçado.
O principal risco: Hardware End-of-Life (EOL)
O maior perigo ao usar um storage VNXe é seu status de End-of-Life (EOL) ou End-of-Service-Life (EOSL). Isso significa que o fabricante, a Dell/EMC, não oferece mais suporte, atualizações de software ou peças de reposição para esses equipamentos. Qualquer falha de hardware se torna um problema crítico sem solução oficial.
Imagine que uma das controladoras falhe. Sem um contrato de suporte ativo, você dependerá do mercado de peças usadas, sem qualquer garantia de que o componente funcionará. O mesmo vale para fontes de alimentação, discos e módulos de interface. Essa incerteza é inaceitável para qualquer dado que tenha valor para a empresa.
Além disso, a falta de suporte técnico qualificado agrava a situação. Quando um problema complexo ocorre, como a corrupção do sistema de arquivos, não há para quem ligar. Sua equipe de TI fica sozinha para tentar resolver uma falha em um sistema proprietário e sem documentação atualizada, o que quase sempre resulta em perda de dados.
Por que o VNXe não é seguro para dados importantes?
Armazenar arquivos importantes em um storage VNXe é uma decisão extremamente arriscada por várias razões. A principal delas é a ausência de atualizações de segurança. O sistema operacional desses equipamentos, conhecido como DART/FLARE, não recebe patches há anos. Isso o torna um alvo fácil para malwares e ataques direcionados.
A confiabilidade do hardware também é um fator crítico. Componentes eletrônicos envelhecem e a taxa de falha aumenta exponencialmente após cinco ou seis anos de uso. Discos rígidos, fontes e controladoras estão operando muito além da sua vida útil projetada. Uma falha em cascata é um cenário bastante provável.
Por fim, os recursos de proteção de dados são rudimentares. Os snapshots da linha VNXe são básicos e não oferecem imutabilidade, uma defesa essencial contra ransomware. Em caso de um ataque, os cibercriminosos podem facilmente criptografar tanto os dados de produção quanto seus backups locais. Portanto, a capacidade de recuperação é quase nula.
Falta de atualizações e a vulnerabilidade a ransomware
A ameaça do ransomware é um dos motivos mais fortes para aposentar imediatamente qualquer storage VNXe. Esses ataques exploram vulnerabilidades conhecidas em protocolos de rede como o SMBv1, que frequentemente está habilitado por padrão nesses sistemas antigos. Sem atualizações, essas brechas de segurança permanecem abertas para sempre.
Um ataque bem-sucedido não apenas criptografa os arquivos, mas também pode se espalhar pela rede, usando o storage como um ponto de pivô. Além disso, os sistemas de snapshots não foram projetados para resistir a ataques modernos. Um invasor com privilégios administrativos pode simplesmente apagar todas as cópias de segurança existentes no equipamento.
Em contrapartida, os storages NAS modernos contam com múltiplas camadas de defesa. Eles usam versões seguras dos protocolos, oferecem snapshots imutáveis que não podem ser alterados ou excluídos, e possuem sistemas de detecção de anomalias. Essa diferença de arquitetura de segurança é o que separa uma recuperação rápida de um desastre completo.
Alternativas modernas para substituir um storage
Felizmente, existem muitas alternativas modernas e seguras para substituir um storage VNXe obsoleto. Soluções de fabricantes como QNAP e Synology oferecem equipamentos muito mais poderosos, seguros e fáceis de usar, com um custo total de propriedade significativamente menor. Esses sistemas já nasceram para a era da nuvem e do flash.
Um NAS moderno oferece conectividade de 10GbE como padrão, suporte para SSDs NVMe para cache de altíssima velocidade e sistemas operacionais robustos com atualizações constantes. Recursos como snapshots, replicação remota para outro local ou para a nuvem, e um ecossistema de aplicativos para backup e colaboração são nativos.
Além do mais, a eficiência energética e a densidade de armazenamento são muito superiores. Um único storage NAS atual pode entregar mais desempenho e capacidade que um rack inteiro de equipamentos antigos, com consumo de energia e espaço físico muito menores. A troca, portanto, se paga rapidamente em economia operacional e, principalmente, em tranquilidade.
Migrar dados de um NAS VNXe: Como planejar a transição?
A migração de dados de um NAS VNXe para um novo sistema exige um planejamento cuidadoso para evitar perda de dados e minimizar o tempo de inatividade. O primeiro passo é catalogar todos os dados armazenados, identificar seus proprietários e definir as prioridades. Nem todos os arquivos talvez precisem ser movidos imediatamente.
O passo seguinte é escolher o método de transferência. Para volumes menores, uma cópia baseada em rede usando ferramentas como o Robocopy pode ser suficiente. Para grandes volumes de dados, talvez seja necessário planejar uma janela de manutenção durante um fim de semana para realizar a migração inicial e, depois, sincronizar apenas as alterações.
Após a transferência, a validação é essencial. É preciso verificar a integridade dos arquivos, testar o acesso e reconfigurar as permissões no novo sistema. Somente após a confirmação de que tudo está funcionando perfeitamente, o antigo storage deve ser desligado. Nessas condições, substituir um equipamento obsoleto não é apenas uma atualização tecnológica, mas a resposta para garantir a segurança e a continuidade do seu negócio.
