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Muitos profissionais buscam a incrível velocidade dos storages all-flash para acelerar suas aplicações.
A promessa de baixa latência e alto IOPS é bastante atraente, principalmente para bancos de dados e virtualização.
Essa busca por desempenho, no entanto, frequentemente leva a decisões apressadas.
Um investimento feito sem o devido cuidado quase sempre resulta em um sistema desequilibrado e caro.
O equipamento pode não entregar a performance esperada ou, pior, apresentar falhas prematuras.
Isso transforma um grande avanço tecnológico em uma enorme dor de cabeça.
Assim, conhecer os equívocos mais comuns antes da compra é fundamental.
Essa análise prévia evita o desperdício de recursos e garante que a solução atenda às reais necessidades do seu ambiente.
Um bom planejamento simplifica todo o processo.
Por que um NAS all flash é tão desejado?
Um NAS all flash é um sistema de armazenamento em rede que usa exclusivamente SSDs em vez de discos rígidos tradicionais.
Essa arquitetura elimina os gargalos mecânicos dos HDDs, por isso entrega uma performance muito superior.
A diferença na latência é o principal atrativo, pois reduz drasticamente o tempo de resposta para aplicações críticas, como bancos de dados e ambientes com muitas máquinas virtuais.
O funcionamento do equipamento se baseia na capacidade dos SSDs para processar milhares de operações de entrada e saída por segundo (IOPS).
Em nossos testes, tarefas que levavam minutos com HDDs são concluídas em poucos segundos.
Além disso, o consumo energético é geralmente menor e a operação é completamente silenciosa, o que melhora o ambiente do datacenter.
A aplicação desses sistemas é ideal para cenários que exigem acesso rápido e simultâneo a um grande volume de dados.
Por exemplo, estúdios de edição de vídeo em 4K ou 8K se beneficiam imensamente da alta taxa de transferência.
Portanto, qualquer tarefa sensível ao tempo de acesso a arquivos se torna mais eficiente com essa tecnologia.
Ignorar a compatibilidade dos SSDs
Um dos erros mais graves é usar SSDs de consumo em um storage corporativo.
Muitas pessoas escolhem essas unidades pelo preço mais baixo, sem avaliar as consequências.
No entanto, os SSDs para uso doméstico raramente possuem os mesmos mecanismos de proteção e a mesma durabilidade dos modelos empresariais.
Esses drives de consumo geralmente não contam com proteção contra perda de energia (Power-Loss Protection).
Essa ausência pode corromper dados em trânsito durante uma queda abrupta de energia, comprometendo todo o arranjo RAID.
Adicionalmente, seu firmware não é otimizado para cargas de trabalho contínuas, o que frequentemente causa instabilidade no sistema.
A solução é sempre consultar a Lista de Compatibilidade de Hardware (QVL) do fabricante do NAS.
Nossos técnicos recomendam apenas o uso de SSDs empresariais validados.
Essa prática assegura que o sistema funcione com estabilidade e que os dados permaneçam seguros, mesmo sob estresse intenso.
Desprezar as métricas TBW e DWPD
Muitos compradores focam apenas na capacidade em terabytes e no custo inicial dos SSDs.
Eles acabam ignorando duas métricas essenciais para a vida útil das unidades: TBW (Terabytes Written) e DWPD (Drive Writes Per Day).
Esses indicadores medem a resistência do SSD a ciclos de escrita, que é um fator limitante na tecnologia flash.
O TBW define o volume total de dados que pode ser escrito na unidade durante sua vida útil.
Já o DWPD indica quantas vezes a capacidade total do drive pode ser reescrita por dia, dentro do período de garantia.
Um SSD com baixo DWPD, por exemplo, se desgastará rapidamente em um ambiente com escrita intensa, como um servidor de banco de dados.
Como resultado, a escolha de um SSD com baixa resistência para uma carga de trabalho pesada levará a falhas prematuras.
Isso não apenas aumenta o custo com reposições, mas também eleva o risco de perda de dados.
Portanto, avaliar o perfil da sua aplicação e selecionar SSDs com TBW e DWPD adequados é uma etapa indispensável.
Manter uma rede de 1GbE
Adquirir um storage all-flash e conectá-lo a uma rede Gigabit Ethernet (1GbE) é um equívoco bastante comum.
A velocidade de um arranjo de SSDs ultrapassa facilmente o limite de 125 MB/s de uma conexão 1GbE.
Assim, a rede se transforma no principal gargalo, e o investimento em armazenamento de alta velocidade é quase totalmente desperdiçado.
Nessas condições, o sistema de armazenamento fica ocioso a maior parte do tempo, aguardando a rede transmitir os dados.
É como ter um carro de corrida preso em um congestionamento.
Para extrair o verdadeiro potencial do equipamento, a infraestrutura de rede precisa ser compatível com o seu desempenho.
A recomendação mínima para um NAS all flash é uma rede de 10GbE.
Em alguns casos, redes de 2.5GbE ou 5GbE podem ser suficientes para cargas de trabalho menores, mas 10GbE é o padrão.
Isso garante que a taxa de transferência não limite a velocidade dos SSDs, por isso justifica o investimento na tecnologia flash.
Subestimar o superaquecimento do sistema
Vários SSDs, especialmente os modelos NVMe, geram uma quantidade significativa de calor quando operam em conjunto.
Muitas pessoas não consideram o impacto térmico ao montar um sistema all-flash denso.
O calor excessivo, porém, é um inimigo silencioso do desempenho e da longevidade dos componentes eletrônicos.
Quando um SSD atinge uma temperatura crítica, ele ativa um mecanismo chamado thermal throttling.
Esse recurso reduz drasticamente a velocidade para evitar danos permanentes.
Como consequência, o desempenho do storage cai vertiginosamente, anulando os benefícios da tecnologia flash.
O calor contínuo também acelera a degradação das células de memória.
Logo, é vital escolher um chassi com um projeto de refrigeração eficiente.
O gabinete precisa ter ventoinhas potentes e um fluxo de ar bem dimensionado para dissipar o calor gerado por todas as unidades.
A instalação do equipamento em um local com ventilação adequada também é uma medida protetiva importante.
Escolher um processador inadequado
O desempenho de um NAS não depende apenas da velocidade dos seus drives.
O processador (CPU) desempenha um papel central no gerenciamento dos dados, na execução dos serviços de rede e no cálculo da paridade do RAID.
Um erro frequente é combinar SSDs de altíssima performance com uma CPU de baixo poder de processamento.
Uma CPU fraca não consegue acompanhar o alto volume de IOPS que os SSDs geram.
Com isso, o processador se torna o novo gargalo do sistema.
Mesmo com os SSDs mais rápidos do mercado, a experiência do usuário será lenta se a CPU estiver operando no seu limite.
Isso é particularmente visível quando vários usuários acessam o storage simultaneamente.
Para um sistema all-flash, é necessário um processador multi-core com boa frequência de clock.
Ele precisa ter poder suficiente para gerenciar o tráfego de rede, os protocolos de arquivos como SMB e NFS, e ainda executar outras aplicações.
Um hardware equilibrado é a chave para um desempenho consistente.
Não planejar a redundância e o backup
Existe uma falsa sensação de segurança associada aos SSDs por não possuírem partes móveis.
Alguns administradores acreditam que, por serem mais resistentes a impactos, eles são imunes a falhas.
Essa crença perigosa muitas vezes leva à negligência com estratégias de redundância e backup.
A verdade é que SSDs também falham, e suas falhas são frequentemente súbitas e sem aviso prévio.
Um arranjo RAID, como RAID 5 ou RAID 6, oferece redundância para proteger contra a falha de uma ou mais unidades, mas não protege contra exclusão acidental, corrupção de arquivos ou ataques de ransomware.
Vale ressaltar que RAID não é backup.
Portanto, uma política de backup robusta continua sendo obrigatória, independentemente da tecnologia de armazenamento.
A implementação da regra 3-2-1 (três cópias, em duas mídias diferentes, com uma cópia fora do local) é a melhor prática.
Recursos como snapshots também são valiosos para uma recuperação rápida de dados.
Confundir cache SSD com um arranjo all-flash
Uma abordagem comum para melhorar o desempenho de um NAS tradicional é adicionar um ou dois SSDs para atuar como cache.
Essa técnica acelera o acesso a dados "quentes", que são os arquivos usados com mais frequência.
No entanto, muitos confundem essa configuração híbrida com um verdadeiro sistema all-flash.
O cache SSD melhora a latência para um subconjunto de dados, mas não altera o desempenho fundamental do arranjo de HDDs.
Quando a aplicação solicita dados "frios", que não estão no cache, o acesso ainda é feito nos discos rígidos lentos.
Isso resulta em uma performance inconsistente, com picos de velocidade e momentos de lentidão.
Um sistema all-flash, por outro lado, armazena todos os dados em SSDs.
Isso garante baixa latência e alto desempenho para qualquer arquivo, a qualquer momento.
Para cargas de trabalho que demandam velocidade constante, como virtualização em larga escala, um arranjo totalmente flash é a resposta.
