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Como dimensionar storage sem superdimensionar o projeto

Como dimensionar storage sem superdimensionar o projeto

Índice:

Muitos projetos com armazenamento em rede falham porque o dimensionamento inicial foi inadequado. O erro mais comum é focar apenas na capacidade total em terabytes e esquecer fatores como o desempenho e o crescimento futuro dos dados.

Essa abordagem incompleta frequentemente resulta em gargalos para os usuários ou em um gasto excessivo com recursos que nunca serão utilizados. Um sistema mal calculado quase sempre se torna um problema operacional.

Assim, um processo criterioso ao dimensionar um storage evita desperdício financeiro e garante que a infraestrutura suporte as demandas das aplicações sem surpresas desagradáveis.

Como dimensionar um storage corretamente?

Um dimensionamento correto para storage envolve analisar a capacidade atual, projetar o crescimento futuro dos dados e definir as necessidades com desempenho. A análise também precisa considerar o espaço consumido por tecnologias para proteção como o RAID e os snapshots.

Esse processo combina uma avaliação sobre três pilares fundamentais. O primeiro é a capacidade que define o volume total para armazenamento. O segundo é o desempenho que mensura a velocidade com que os dados são acessados. O terceiro é a disponibilidade que garante a continuidade do acesso aos dados.

Ignorar qualquer um desses pilares resulta em um sistema desequilibrado. Por exemplo, um storage com alta capacidade mas com baixo desempenho pode ser inútil para aplicações que exigem muitas transações por segundo.

A capacidade bruta versus a capacidade útil

A capacidade bruta informada pelo fabricante do disco raramente corresponde ao espaço que você realmente pode usar. Um disco rígido com 10 TB, por exemplo, não oferece exatamente 10 terabytes para seus arquivos.

A primeira diferença surge porque fabricantes calculam o terabyte como 1.000 gigabytes, enquanto os sistemas operacionais usam a base binária, onde 1 TB equivale a 1.024 GB. Além disso, o próprio sistema de arquivos consome uma pequena parcela do espaço para gerenciar os metadados.

Como resultado, um disco com 10 TB brutos geralmente exibe cerca de 9,1 TB disponíveis antes mesmo da formatação. Essa diferença, embora pareça pequena, se acumula em arranjos com vários discos e pode surpreender quem não a considera no planejamento.

O impacto do RAID no espaço disponível

Os arranjos RAID usam parte da capacidade dos discos para proteger os dados contra falhas. Essa redundância é fundamental para a segurança, porém reduz o espaço útil final.

Em um arranjo RAID 1 com dois discos de 4 TB, a capacidade útil será apenas 4 TB, pois um disco espelha o outro. Já um sistema RAID 5 com quatro discos de 4 TB reserva o espaço equivalente a um disco para paridade, resultando em 12 TB úteis.

Por outro lado, um arranjo RAID 6 com os mesmos quatro discos de 4 TB perde a capacidade de dois deles para a paridade dupla, entregando 8 TB para uso. Portanto, a escolha do nível RAID impacta diretamente o custo por terabyte e a resiliência do seu sistema.

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Calcule a projeção para crescimento futuro

Estimar o quanto seus dados vão crescer nos próximos anos é um dos maiores desafios no dimensionamento. Uma boa prática é analisar o histórico de crescimento da sua empresa nos últimos 12 meses.

Se não houver dados históricos, você pode usar uma média conservadora. Muitas empresas observam um crescimento anual nos dados entre 20% e 40%. Para calcular a necessidade futura, aplique essa taxa sobre o volume atual por um período de três a cinco anos.

Adicionalmente, sempre inclua uma margem de segurança de pelo menos 20% sobre o total calculado. Essa folga acomoda picos inesperados na geração de dados e evita que você precise expandir a infraestrutura antes do previsto.

A importância dos snapshots para o backup

Muitos administradores esquecem que os snapshots, essenciais para a recuperação rápida de arquivos, também consomem espaço no storage. Eles funcionam como fotografias do sistema de arquivos em um ponto no tempo.

Quanto mais dados são alterados, mais espaço os snapshots ocupam para registrar essas diferenças. Ambientes com alta taxa de modificação em arquivos, como bancos de dados ou máquinas virtuais, exigem uma alocação maior para essa finalidade.

Uma regra prática é reservar entre 20% e 30% da capacidade do volume principal para os snapshots. Esse valor varia conforme a sua política de retenção, ou seja, por quanto tempo você pretende manter essas cópias disponíveis.

Por que o IOPS é tão importante quanto o TB?

Comprar um storage apenas com base na capacidade em terabytes é um erro comum, principalmente para ambientes com virtualização. O IOPS, ou operações de entrada e saída por segundo, é uma métrica de desempenho igualmente vital.

Essa métrica mede a quantidade de requisições de leitura e escrita que o sistema consegue atender em um segundo. Aplicações como bancos de dados, servidores de virtualização e sistemas com múltiplos usuários simultâneos dependem de um IOPS elevado para funcionar sem lentidão.

Pense na capacidade como o tamanho de um armazém e no IOPS como a quantidade de empilhadeiras trabalhando. Não adianta ter um armazém gigante se você tem poucas empilhadeiras para movimentar as caixas. Ambos precisam estar em equilíbrio.

Analise a carga de trabalho do seu ambiente

O dimensionamento correto depende diretamente da aplicação que será executada. Um servidor de arquivos possui uma carga de trabalho muito diferente de um servidor para banco de dados.

Por exemplo, um file server geralmente exige alta capacidade e um bom throughput sequencial, mas um IOPS moderado. Já um banco de dados transacional precisa de IOPS muito alto e baixa latência, mesmo que a capacidade total seja menor. Ambientes com virtualização, por sua vez, demandam um equilíbrio entre todas essas métricas.

Antes de escolher o hardware, identifique as principais aplicações que usarão o storage. Essa análise determina se você precisa de discos rígidos tradicionais, SSDs mais rápidos ou uma combinação híbrida.

O papel da deduplicação e compressão

Tecnologias como a deduplicação e a compressão podem reduzir drasticamente a necessidade por espaço físico. A deduplicação localiza e elimina blocos de dados repetidos, enquanto a compressão diminui o tamanho dos blocos restantes.

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Esses recursos são especialmente eficazes em ambientes com virtualização, onde várias máquinas virtuais compartilham arquivos de sistema operacional semelhantes. No entanto, seu benefício é menor com dados já comprimidos, como vídeos e imagens em JPG.

Vale ressaltar que a ativação dessas funcionalidades consome recursos adicionais de processamento e memória no storage. É preciso avaliar se o ganho em espaço compensa o pequeno impacto no desempenho geral do sistema.

Thin provisioning para maior flexibilidade

O thin provisioning é uma técnica que aloca espaço de armazenamento sob demanda, à medida que os dados são gravados. Com ele, o sistema informa ao servidor um volume maior do que o espaço físico realmente alocado.

Essa abordagem evita o desperdício de capacidade inicial e confere mais flexibilidade à gestão do armazenamento. Você pode criar volumes logicamente maiores e adicionar discos físicos ao storage conforme a necessidade real aumenta.

Contudo, o thin provisioning exige um monitoramento rigoroso do uso do espaço físico. Se o pool de armazenamento físico se esgotar, todos os volumes que dependem dele ficarão indisponíveis, causando uma interrupção generalizada.

O risco do superdimensionamento para o orçamento

Comprar muito mais armazenamento do que o necessário também é um problema grave. O superdimensionamento imobiliza um capital que poderia ser investido em outras áreas estratégicas da empresa.

Além do custo inicial, um storage superdimensionado gera despesas contínuas com energia elétrica, refrigeração e manutenção. Com o tempo, o hardware se torna obsoleto e as garantias expiram, mesmo que uma grande parte da capacidade nunca tenha sido usada.

Uma abordagem modular costuma ser mais inteligente. Comece com a capacidade necessária para os próximos dois anos e certifique-se que o sistema escolhido permita uma expansão simples e sem interrupções.

Como um storage simplifica o processo?

Os sistemas de armazenamento em rede modernos, como os servidores NAS, incluem várias ferramentas que auxiliam no dimensionamento. Muitos equipamentos possuem calculadoras de RAID, assistentes para criação de pools e painéis de monitoramento.

Essas funcionalidades exibem dados históricos sobre o uso de IOPS, throughput e crescimento da capacidade. Com isso, a tarefa de prever as necessidades futuras se torna muito mais precisa e baseada em dados concretos do seu próprio ambiente.

Um storage da QNAP, por exemplo, oferece uma visão clara sobre o consumo com snapshots e facilita a adição de novos discos para expandir um volume existente. Essa simplicidade operacional torna o planejamento de capacidade uma tarefa menos complexa.

Um passo a passo para o dimensionamento prático

Para um dimensionamento eficaz, siga uma sequência lógica. Primeiro, meça o espaço atualmente utilizado e estime a taxa de crescimento anual com base em dados históricos ou em médias do setor.

Depois, calcule a capacidade total necessária para um período de três anos e adicione uma margem de 20% para snapshots e outras necessidades do sistema. Escolha um nível RAID adequado e calcule a capacidade bruta necessária para atingir seu objetivo.

Finalmente, analise a carga de trabalho para definir os requisitos de IOPS e throughput, o que vai determinar a escolha entre HDDs, SSDs ou uma solução híbrida. Selecione um sistema que atenda a essas especificações e que, principalmente, ofereça um caminho claro para expansões futuras. Um planejamento cuidadoso é a resposta para um armazenamento eficiente e sem surpresas.

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Celso Ricardo Andrade

Celso Ricardo Andrade

Especialista em storages
"Sou especialista em storages e ajudo a projetar ambientes de armazenamento centralizados, seguros e de fácil gestão. Atuo como arquiteto de soluções, implemento NAS, DAS e redes SAN, além de ser redator senior que entrega soluções práticas para o armazenamento de dados, sempre com um conteúdo claro e aplicável para resultados reais."

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