WhatsApp Fale Conosco

iSCSI (Internet Small Computer System Interface) e suas aplicações

iSCSI (Internet Small Computer System Interface) e suas aplicações

Índice:

Muitos servidores, especialmente em ambientes virtualizados, esgotam rapidamente sua capacidade interna. Esse problema comum dificulta a expansão da infraestrutura e eleva os custos operacionais com paradas não programadas. A busca por armazenamento externo frequentemente leva a soluções complexas e caras.

A falta de uma estratégia de armazenamento escalável compromete o desempenho das aplicações. Servidores com discos lotados operam com lentidão e ficam mais vulneráveis a falhas. Essa limitação impacta diretamente a continuidade dos negócios, pois impede o crescimento da empresa.

Assim, encontrar uma tecnologia que expanda o armazenamento dos servidores pela rede, com baixo custo e sem complexidade, virou uma necessidade. O protocolo iSCSI surge como uma alternativa viável para criar redes de armazenamento acessíveis e eficientes.

O que é iSCSI e como funciona?

iSCSI (Internet Small Computer System Interface) é um protocolo de armazenamento que transporta comandos SCSI sobre redes TCP/IP. Na prática, ele permite que um servidor acesse um dispositivo de armazenamento remoto pela rede Ethernet como se fosse um disco local. Essa abordagem transforma um NAS ou um storage dedicado em uma extensão direta do servidor.

A tecnologia funciona com dois componentes principais: o initiator e o target. O initiator é o cliente, geralmente um servidor, que precisa de mais espaço. O target é o provedor de armazenamento, como um Storage NAS, que disponibiliza a capacidade em blocos. A comunicação entre eles acontece pela rede IP, eliminando a necessidade de hardware caro como o Fibre Channel.

Como resultado, qualquer empresa com uma infraestrutura de rede Ethernet pode implementar uma SAN (Storage Area Network) com um custo bastante reduzido. Essa flexibilidade democratizou o acesso ao armazenamento em bloco, que antes era restrito a grandes datacenters com orçamentos elevados.

Qual a diferença entre iSCSI e NAS (SMB/NFS)?

A principal diferença reside no nível de acesso aos dados. Protocolos de NAS, como SMB (para Windows) e NFS (para Linux/Unix), operam no nível de arquivo. Isso significa que o servidor solicita arquivos e pastas específicos, e o sistema de arquivos é gerenciado pelo próprio storage. Os usuários veem pastas compartilhadas na rede.

Por outro lado, o iSCSI funciona no nível de bloco. Ele apresenta um volume de armazenamento (LUN) ao servidor como um disco rígido bruto, sem formatação. O sistema operacional do servidor (o initiator) assume total controle sobre esse espaço. Ele formata, particiona e gerencia o sistema de arquivos como se fosse um HD interno.

Essa distinção é fundamental para as aplicações. Enquanto o SMB/NFS é ideal para compartilhamento de arquivos entre múltiplos usuários, o iSCSI é projetado para expandir o armazenamento de um único servidor. Ele é frequentemente usado para bancos de dados, máquinas virtuais e outras cargas de trabalho que exigem acesso direto e de baixa latência ao disco.

Entendendo os iSCSI Initiators (Sources)

O iSCSI Initiator, também conhecido como source, é o software ou hardware responsável por iniciar a conexão com o dispositivo de armazenamento. Ele está instalado no servidor que precisa de mais capacidade. Sua função é encapsular os comandos SCSI em pacotes TCP/IP e enviá-los pela rede para o target. Para o sistema operacional, o initiator faz o LUN remoto parecer um dispositivo de disco local.

Existem basicamente dois tipos de initiators. O initiator de software já vem integrado na maioria dos sistemas operacionais modernos, como Windows Server, VMware ESXi e diversas distribuições Linux. Essa opção é a mais comum porque não exige hardware adicional e sua configuração é relativamente simples.

Já o initiator de hardware, conhecido como HBA (Host Bus Adapter) iSCSI, é uma placa de rede dedicada. Ela descarrega o processamento do protocolo iSCSI do processador principal do servidor, o que melhora o desempenho geral. Embora seja mais caro, um HBA é recomendado para ambientes com altas cargas de trabalho de I/O, pois garante mais performance e confiabilidade.

O papel fundamental dos Targets iSCSI

O Target iSCSI é o servidor de armazenamento que recebe as solicitações do initiator e disponibiliza os recursos. Ele é a outra ponta da conexão. Um Storage NAS ou um array de discos configurado como target gerencia os discos físicos e apresenta volumes virtuais, chamados LUNs (Logical Unit Numbers), aos clientes. Cada LUN funciona como um disco independente para o servidor conectado.

Um único target pode atender a múltiplos initiators simultaneamente. Ele gerencia as permissões para garantir que cada servidor acesse apenas os LUNs designados. Essa capacidade centraliza o armazenamento e simplifica a alocação de espaço. Administradores podem criar, redimensionar ou remover LUNs dinamicamente, sem precisar intervir fisicamente nos servidores.

Além disso, targets modernos, como os encontrados em sistemas NAS, oferecem recursos avançados. Funcionalidades como snapshots criam cópias de um LUN em um ponto no tempo, o que facilita a recuperação de dados. A replicação remota também copia os LUNs para outro local, o que aumenta a proteção contra desastres.

Call To Action Whatsapp

Aplicações práticas para armazenamento em bloco

O armazenamento em bloco via iSCSI é ideal para cenários que demandam alto desempenho e acesso exclusivo. Uma das aplicações mais comuns é em ambientes de virtualização. Hipervisores como VMware vSphere e Microsoft Hyper-V usam LUNs iSCSI para armazenar os arquivos das máquinas virtuais (VMs). Isso centraliza o armazenamento das VMs e habilita recursos como migração ao vivo (vMotion).

Bancos de dados, como SQL Server e Oracle, também se beneficiam muito do iSCSI. Essas aplicações realizam um número elevado de operações de leitura e escrita pequenas e aleatórias. O acesso em nível de bloco oferece a baixa latência necessária para que essas operações sejam executadas rapidamente, o que garante o bom desempenho do banco.

Outro uso prático é a expansão de armazenamento para servidores de aplicação com espaço limitado. Um servidor web ou de arquivos que está ficando sem espaço interno pode se conectar a um LUN iSCSI para ganhar mais capacidade de forma transparente. Para o sistema, é como se um novo disco rígido tivesse sido instalado fisicamente.

Desempenho: iSCSI precisa de uma rede rápida?

Sim, o desempenho do iSCSI está diretamente ligado à qualidade da infraestrutura de rede. Uma rede congestionada ou lenta resultará em alta latência e baixa taxa de transferência, o que prejudica as aplicações. Por isso, é uma boa prática dedicar uma rede física ou uma VLAN exclusiva para o tráfego iSCSI. Essa separação evita que o tráfego de armazenamento compita com o tráfego normal dos usuários.

Redes Gigabit Ethernet (1GbE) funcionam para cargas de trabalho leves, mas o padrão atual para ambientes profissionais é 10GbE. Uma rede de 10GbE oferece dez vezes mais largura de banda, o que reduz drasticamente os gargalos e suporta um número maior de servidores e aplicações. Para ambientes de alta performance, a agregação de link com múltiplas portas 10GbE pode aumentar ainda mais a velocidade e a redundância.

Além da velocidade, a qualidade dos componentes de rede, como switches e cabos, também importa. Switches com recursos como Jumbo Frames, que permitem pacotes maiores, podem otimizar a transferência de dados e reduzir a carga sobre os processadores do initiator e do target. Portanto, investir em uma rede robusta é fundamental para extrair o máximo potencial do iSCSI.

iSCSI versus Fibre Channel: uma questão de custo

Fibre Channel (FC) foi, por muito tempo, o padrão ouro para redes de armazenamento SAN. Ele oferece desempenho extremamente alto e baixa latência, pois opera em uma rede totalmente dedicada e com hardware especializado. No entanto, essa especialização tem um custo muito elevado. Switches FC e HBAs são significativamente mais caros que seus equivalentes Ethernet.

O iSCSI surgiu como uma alternativa mais acessível. Ele aproveita a infraestrutura Ethernet onipresente, o que elimina a necessidade de comprar hardware específico e treinar equipes em uma nova tecnologia. Para muitas empresas, a diferença de desempenho entre iSCSI sobre 10GbE e uma rede FC de 8Gb ou 16Gb é pequena, mas a economia nos custos é enorme.

A decisão entre os dois geralmente se resume ao orçamento e à exigência da aplicação. Para cargas de trabalho extremamente sensíveis à latência, como sistemas financeiros de alta frequência, o Fibre Channel ainda pode ser a melhor escolha. Porém, para a grande maioria das aplicações empresariais, incluindo virtualização e bancos de dados, o iSCSI oferece um equilíbrio excelente entre performance e custo.

Configurando LUNs para máxima eficiência

A configuração correta dos LUNs no target iSCSI é vital para o desempenho e a estabilidade. Um dos primeiros passos é decidir entre provisionamento "thick" ou "thin". No provisionamento thick, todo o espaço do LUN é alocado imediatamente. Isso garante o desempenho, mas pode desperdiçar espaço se o LUN não for totalmente utilizado.

Já o thin provisioning aloca espaço sob demanda. Um LUN de 1TB, por exemplo, pode ocupar apenas 100GB no início e crescer conforme os dados são gravados. Essa abordagem otimiza o uso do armazenamento, mas exige monitoramento constante para evitar que o storage físico se esgote. Se o espaço acabar, todos os LUNs em modo "thin" podem parar de funcionar.

Outra boa prática é alinhar as partições do LUN com os blocos do storage. A maioria dos sistemas operacionais modernos faz isso automaticamente, mas em sistemas mais antigos, o desalinhamento pode causar uma degradação severa no desempenho. Além disso, criar múltiplos LUNs menores em vez de um único LUN gigante pode melhorar o gerenciamento e o paralelismo das operações de I/O.

Call To Action Whatsapp

Riscos e boas práticas de segurança em iSCSI

Como o iSCSI trafega dados sensíveis pela rede, a segurança é uma preocupação importante. Um dos maiores riscos é o acesso não autorizado aos LUNs. Para mitigar isso, é fundamental usar mecanismos de autenticação. O protocolo CHAP (Challenge-Handshake Authentication Protocol) é o método mais comum. Ele valida a identidade do initiator e do target usando um segredo compartilhado, sem transmitir senhas pela rede.

Outra medida essencial é o isolamento da rede. O tráfego iSCSI nunca deve ser exposto à internet ou a redes não confiáveis. Criar uma VLAN ou uma rede física separada para o armazenamento garante que apenas os servidores autorizados possam se comunicar com os targets. Além disso, o mascaramento de LUNs (LUN Masking) no target restringe o acesso de cada initiator apenas aos LUNs que lhe foram explicitamente atribuídos.

A integridade dos dados também é um ponto de atenção. Embora o TCP/IP já tenha verificação de erros, alguns targets iSCSI oferecem checksums adicionais para proteger contra a corrupção silenciosa de dados. Manter firmwares e softwares do initiator e do target sempre atualizados também ajuda a corrigir vulnerabilidades de segurança que possam surgir.

Como um Storage NAS simplifica o uso do iSCSI

Muitos administradores de sistemas evitam o iSCSI por acreditarem que sua configuração é complexa. No entanto, um Storage NAS moderno desmistifica completamente esse processo. Suas interfaces de gerenciamento web são intuitivas e guiam o usuário passo a passo na criação de targets e LUNs, o que remove grande parte da complexidade.

Além da simplicidade, esses equipamentos integram o armazenamento iSCSI com outras funcionalidades valiosas. É possível, por exemplo, tirar snapshots dos LUNs com poucos cliques para criar pontos de recuperação instantâneos. Muitos sistemas também suportam replicação para outro NAS, o que estabelece um plano de recuperação de desastres robusto para as aplicações mais críticas.

A flexibilidade é outro grande benefício. Um único Storage NAS pode servir arquivos via SMB/NFS e, ao mesmo tempo, atuar como um target iSCSI para os servidores. Essa consolidação de serviços em um único dispositivo otimiza o investimento em hardware e simplifica a administração da infraestrutura. Portanto, para quem precisa de armazenamento em bloco confiável e fácil de gerenciar, um NAS é a resposta.

Celso Ricardo Andrade

Celso Ricardo Andrade

Especialista em storage NAS
"Sou especialista em storages com mais de 10 anos de experiência e ajudo pessoas e empresas a projetarem ambientes de armazenamento centralizados, seguros e de fácil gestão. Atuo como arquiteto de soluções, implemento NAS, DAS e redes SAN, além de ser redator senior e oferecer estratégias práticas para o armazenamento de dados, com um conteúdo claro e aplicável para resultados reais."

Resuma esse artigo com Inteligência Artificial

Clique em uma das opções abaixo para gerar um resumo automático deste conteúdo:


Leia mais sobre: Guia de Storage NAS

Conteúdos essenciais para escolher, instalar e configurar um NAS com foco em organização, desempenho e crescimento.

Fale conosco

Estamos prontos para atender as suas necessidades.

Telefone

Ligue agora mesmo.

(11) 91789-1293

E-mail

Entre em contato conosco.

[email protected]

WhatsApp

(11) 91789-1293

Iniciar conversa