NAS diskless? Conheça os principais fabricantes e modelos com dados sobre hardware, software, capacidade e desempenho desses sistemas de armazenamento.
NAS diskless é um servidor de armazenamento vendido sem discos rígidos ou SSDs. O equipamento inclui o gabinete, a placa-mãe com processador, a memória RAM, as portas de rede e o sistema operacional. A principal característica é a liberdade para o usuário instalar suas próprias unidades de armazenamento. Essa abordagem oferece uma flexibilidade imensa. Você pode escolher os discos com a capacidade, o desempenho e o custo que melhor atendem sua necessidade. Além disso, a troca ou o upgrade dos HDDs se torna uma tarefa muito mais simples e acessível, sem depender de um único fornecedor. Muitos administradores de datacenter preferem essa modalidade para montar servidores de arquivos, estações centralizadas de backup ou até mesmo um media center doméstico. A possibilidade de reaproveitar discos existentes ou comprar storages específicos para cada tarefa é, sem dúvida, um grande atrativo.
A capacidade total de um storage diskless é definida pelos discos que você instala. Um NAS com quatro baias, por exemplo, pode acomodar quatro HDDs de 20 TB para alcançar 80 TB brutos. Essa modularidade simplifica o planejamento do crescimento conforme a demanda por espaço aumenta. No entanto, a escolha dos discos não deve ser aleatória. É fundamental consultar a Lista de Compatibilidade de Hardware (HCL) do fabricante do NAS. Esse documento detalha quais HDDs e SSDs foram testados e são oficialmente suportados, o que evita problemas de desempenho ou até perda de dados. Existem discos para diferentes cargas de trabalho. HDDs corporativos SAS ou SATA são projetados para operação contínua e oferecem maior durabilidade (MTBF). Já os SSDs são ideais para aplicações que exigem baixa latência e muitas operações de leitura e escrita por segundo (IOPS).
O desempenho de um servidor de arquivos não depende apenas da capacidade. A latência, o IOPS e a taxa de transferência (throughput) são métricas essenciais. Um NAS diskless equipado com SSDs NVMe, por exemplo, entregará uma latência muito menor que um equipamento com discos rígidos mecânicos. A taxa de transferência é fortemente influenciada pela interface de rede. Portas Gigabit (1GbE) são comuns, mas para ambientes com múltiplos usuários ou edição de vídeo, portas 2.5GbE ou 10GbE são recomendadas. A ativação de Jumbo Frames também melhora a eficiência da rede ao permitir pacotes de dados maiores. O IOPS, ou operações de entrada e saída por segundo, mede quantos comandos de leitura ou escrita um disco executa. Essa métrica é vital para bancos de dados e virtualização. A escolha correta dos discos impacta diretamente o IOPS do seu servidor de armazenamento, por isso o planejamento é tão importante.
Comprar um NAS diskless transfere a responsabilidade da proteção dos dados para o usuário. A configuração de um arranjo RAID (Redundant Array of Independent Disks) é uma etapa obrigatória. Essa tecnologia combina vários discos em um único volume lógico para proteger contra falhas de hardware. Existem diversos níveis RAID, cada um com um balanço diferente entre desempenho, capacidade e redundância. O RAID 5, por exemplo, exige no mínimo três discos e suporta a falha de uma unidade sem perda de dados. Já o RAID 6 precisa de quatro discos e tolera a falha simultânea de até duas unidades. Para ambientes que exigem alta performance e proteção, o RAID 10 é uma excelente opção. Ele espelha e segmenta os dados em pares de discos, o que acelera a leitura e a escrita. A escolha do nível RAID ideal depende diretamente do valor dos dados armazenados e da tolerância a falhas do seu projeto.
Sistemas de armazenamento híbridos frequentemente usam cache para acelerar o acesso aos dados. Um NAS diskless com slots M.2 NVMe permite a instalação de SSDs rápidos para funcionar como cache de leitura ou leitura/escrita. O sistema operacional move automaticamente os dados mais acessados para o cache SSD. Essa técnica melhora drasticamente o tempo de resposta para arquivos e aplicações de uso frequente. Em nossos testes, a latência para abrir pequenos arquivos em uma rede congestionada diminuiu consideravelmente com o cache SSD ativado. O resultado é uma experiência muito mais fluida para todos os usuários. O tiering é um recurso ainda mais avançado. Ele cria diferentes camadas de armazenamento (tiers) com base na velocidade dos discos. Dados "quentes" (acessados constantemente) ficam nos SSDs, enquanto dados "frios" (acessados raramente) são movidos para HDDs de alta capacidade. Isso otimiza o custo por terabyte sem sacrificar o desempenho.
Para operações críticas, a continuidade do serviço é fundamental. Alguns NAS diskless oferecem recursos de alta disponibilidade. Fontes de alimentação redundantes, por exemplo, garantem que o equipamento continue funcionando mesmo se uma das fontes falhar. Isso minimiza o risco de paradas inesperadas. As portas de rede duplas também são um recurso valioso. Elas podem ser configuradas em modo de agregação de link para dobrar a largura de banda ou em modo de failover. No failover, se a porta principal falhar, o tráfego de rede é automaticamente redirecionado para a porta secundária, o que mantém o acesso aos dados. Em cenários ainda mais exigentes, dois storages idênticos podem ser configurados em um cluster de alta disponibilidade. Se o servidor principal apresentar qualquer problema, o servidor secundário assume todas as operações instantaneamente. Essa estrutura garante a máxima continuidade para aplicações essenciais.
A principal desvantagem dos sistemas de armazenamento com discos proprietários é o aprisionamento tecnológico, conhecido como vendor lock-in. As empresas são forçadas a comprar discos e peças de reposição exclusivamente do fabricante do equipamento. Essa prática quase sempre resulta em preços inflacionados. Além do custo, a disponibilidade pode ser um problema. Se o fabricante descontinuar um disco, encontrar uma substituição compatível se torna um grande desafio. Em alguns casos, a única saída é a troca completa do equipamento, o que gera um custo imprevisto e bastante elevado. Um NAS diskless contorna completamente esse cenário. Ele devolve o poder de escolha ao cliente, que pode adquirir discos de diferentes fabricantes, comparar preços e selecionar a melhor tecnologia para sua aplicação. Essa liberdade é um fator decisivo para a sustentabilidade financeira de qualquer projeto de TI.
A escalabilidade é um ponto crucial no planejamento de uma infraestrutura de dados. Um storage sem discos já nasce com essa flexibilidade. A forma mais comum de expansão é a vertical (scale-up), onde você adiciona mais discos às baias vazias ou substitui os existentes por modelos de maior capacidade. Muitos fabricantes também oferecem unidades de expansão. Esses gabinetes adicionais se conectam ao NAS principal e aumentam o número de baias disponíveis. Desse modo, é possível adicionar dezenas de terabytes à capacidade total sem a necessidade de migrar os dados para um novo equipamento. Para demandas ainda maiores, a escalabilidade horizontal (scale-out) é a solução. Essa abordagem permite adicionar novos servidores NAS a um cluster, distribuindo a carga de trabalho e a capacidade entre vários nós. O gerenciamento permanece centralizado, o que simplifica a administração de um ambiente em constante crescimento.
A principal vantagem de um NAS sem discos é o custo-benefício. A economia na compra dos discos rígidos pode ser significativa, especialmente em projetos de grande volume. A liberdade para personalizar o hardware conforme a necessidade da aplicação também é um diferencial importante para muitos profissionais. Outro ponto positivo é a facilidade para realizar upgrades. Com o avanço da tecnologia, novos discos com mais capacidade e melhor desempenho são lançados a todo momento. Com um NAS diskless, você pode adotar essas inovações de forma gradual, sem precisar trocar o servidor inteiro. No entanto, existem desvantagens. A responsabilidade pela compatibilidade e pela configuração inicial é inteiramente do usuário. Uma escolha inadequada dos discos pode comprometer o desempenho ou a confiabilidade do ambiente. Por isso, um conhecimento técnico mínimo é recomendado para extrair o máximo potencial do equipamento.
Diversos fabricantes se destacam no mercado de NAS diskless. A Synology é conhecida por seu sistema operacional intuitivo, o DiskStation Manager (DSM), e oferece NAS para usuários domésticos, como a série DS224+, até soluções empresariais robustas. Seus equipamentos são frequentemente elogiados pela facilidade de uso. A Qnap é outra gigante do setor, com um portfólio vasto que inclui desde pequenos servidores para escritórios até soluções all-flash de alta performance para datacenters. A empresa se destaca pela grande quantidade de recursos de hardware, como portas 10GbE e slots PCIe para expansão. Outras marcas como ASUSTOR e Terramaster também oferecem excelentes alternativas, geralmente com um foco maior no custo-benefício. Independentemente do fabricante, o mais importante é avaliar as especificações técnicas, verificar a lista de compatibilidade e escolher um equipamento que atenda às suas demandas de armazenamento atuais e futuras. Um NAS diskless bem planejado é a resposta para um armazenamento centralizado, seguro e econômico.