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O que é tiering na computação?

O que é tiering na computação?

Índice:

Muitas empresas enfrentam um desafio constante para gerenciar o crescimento exponencial dos seus dados. Armazenar tudo em mídias de alta performance, como SSDs NVMe, eleva os custos a níveis insustentáveis. Por outro lado, usar apenas discos rígidos mais lentos compromete o desempenho das aplicações críticas.

Essa situação cria um dilema complexo entre orçamento e velocidade. A falta de uma estratégia inteligente para o armazenamento resulta em gargalos, lentidão para os usuários e um alto custo total de propriedade. Sem uma classificação adequada, dados raramente acessados ocupam um espaço valioso que poderia ser usado para arquivos mais importantes.

Assim, a automação do ciclo de vida dos dados surge como uma resposta eficiente. Um sistema de armazenamento que move os arquivos entre diferentes tipos de mídia conforme sua relevância otimiza tanto os recursos financeiros quanto a infraestrutura tecnológica.

O que é tiering na computação?

Tiering (armazenamento em camadas) é uma estratégia que classifica e move dados automaticamente entre diferentes tipos de mídias com base em políticas predefinidas de acesso. A tecnologia identifica os dados "quentes", que são acessados com frequência, e os posiciona nos discos mais rápidos, como os SSDs. Em contrapartida, os dados "frios", raramente utilizados, migram para mídias mais lentas e baratas, como os HDDs SATA ou a nuvem.

Esse processo funciona de maneira contínua e quase sempre autônoma. Um software de gerenciamento analisa os padrões de uso dos arquivos e executa a movimentação sem qualquer intervenção manual. Por exemplo, um relatório financeiro acessado diariamente permanece no tier de alta velocidade. Após o fechamento do mês, quando sua frequência de acesso diminui, o servidor ou storage o move para uma camada de armazenamento com menor custo.

O objetivo principal dessa abordagem é alinhar o valor do dado com o custo do seu armazenamento. Dessa forma, a empresa maximiza o desempenho para as informações mais críticas, enquanto economiza recursos com arquivos que precisam ser mantidos por conformidade ou histórico, mas que não exigem acesso imediato.

Como a movimentação de dados funciona?

A movimentação de dados no tiering é controlada por um motor de políticas que o administrador da infraestrutura de TI configura. Essas regras definem os gatilhos para que um arquivo ou bloco de dados mude de camada. Os critérios mais comuns incluem a frequência de acesso, a data da última modificação, o tipo do arquivo ou até mesmo a sua importância para o negócio.

Na prática, o servidor de armazenamento monitora constantemente os metadados dos arquivos. Se uma política determina que qualquer arquivo não acessado por mais de 60 dias deve ser movido para o tier secundário, o software identifica esses arquivos e agenda a sua migração. O processo geralmente ocorre em horários de baixa atividade para não impactar o desempenho da rede.

Muitos sistemas modernos também usam algoritmos de aprendizado para prever padrões de acesso. Isso torna o processo ainda mais inteligente, pois o equipamento pode mover dados para uma camada mais rápida antes mesmo que o usuário os solicite. Essa automação avançada simplifica a gestão e reduz drasticamente a chance de erro humano.

Quais mídias compõem as camadas de armazenamento?

As camadas de armazenamento são compostas por diferentes tipos de mídias, cada uma com características específicas de desempenho, capacidade e custo. Uma arquitetura de tiering típica possui pelo menos duas ou três camadas distintas para atender a várias necessidades.

A camada de mais alto desempenho, frequentemente chamada de Tier 0 ou Tier 1, utiliza servidores ou storages com SSDs NVMe ou SAS. Essas mídias oferecem latência ultrabaixa e um grande número de operações por segundo (IOPS), ideais para bancos de dados, máquinas virtuais e aplicações transacionais. A camada intermediária, ou Tier 2, geralmente usa servidores de armazenamento com discos rígidos SAS ou SATA, que entregam um bom equilíbrio entre capacidade e custo para arquivos de uso geral e backups recentes.

Por fim, a camada de arquivamento, ou Tier 3, é destinada aos dados frios. Ela pode ser composta por HDDs de alta capacidade, sistemas de fita ou, cada vez mais, armazenamento em nuvem. A nuvem, em particular, oferece escalabilidade quase infinita e um custo por gigabyte muito baixo, perfeita para dados que precisam ser retidos por longos períodos para fins de conformidade legal.

Qual o impacto do tiering no desempenho do sistema?

O impacto do tiering no desempenho geral do sistema é quase sempre muito positivo. Ao garantir que os dados mais acessados estejam na mídia mais rápida disponível, a tecnologia acelera drasticamente o tempo de resposta das aplicações mais importantes. Os usuários que trabalham com esses dados percebem uma melhora significativa na sua produtividade diária.

Ao mesmo tempo, a migração dos dados frios para mídias mais lentas libera espaço valioso no armazenamento primário (storage de produção). Isso evita que os discos de alta performance fiquem sobrecarregados com informações irrelevantes, o que mantém a sua eficiência. A experiência do usuário com arquivos antigos permanece aceitável, pois a expectativa de acesso imediato para esses dados já é naturalmente menor.

Essa otimização inteligente dos recursos resulta em uma infraestrutura de TI mais equilibrada e responsiva. O servidor de armazenamento consegue atender a picos de demanda com mais agilidade porque os recursos de alto desempenho estão focados exatamente onde são necessários. Como resultado, a empresa obtém o máximo de cada centavo investido em tecnologia.

A diferença fundamental entre tiering e cache

Embora ambos melhorem o desempenho dos network storages, tiering e cache são tecnologias fundamentalmente diferentes. O cache cria uma cópia dos dados mais acessados em uma camada de armazenamento mais rápida, como a memória RAM ou um SSD. A informação original, no entanto, permanece em seu local de origem, no disco mais lento.

O tiering, por outro lado, move o dado por completo de uma camada para outra. Um arquivo que migra do Tier 1 (SSD) para o Tier 2 (HDD) deixa de existir no Tier 1. Portanto, o tiering é uma estratégia de posicionamento de dados, enquanto o cache é uma técnica de aceleração de leitura. O cache não altera a capacidade total do volume principal.

Essa distinção é muito importante para o planejamento da infraestrutura. Um sistema de armazenamento equipado com cache é excelente para acelerar leituras repetitivas em workloads específicos. Já o tiering oferece um benefício mais amplo, pois otimiza tanto o desempenho quanto o custo e a capacidade de todo o conjunto de armazenamento.

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Vantagens da estratégia de armazenamento em camadas

A principal vantagem do armazenamento em camadas é a otimização do custo-benefício. A estratégia alinha os gastos com a real necessidade de acesso aos dados, o que evita investimentos excessivos em mídias de alta performance para guardar arquivos que raramente são consultados. Isso libera orçamento para outras áreas críticas da TI.

Além disso, a automação melhora a eficiência operacional. As equipes de TI não precisam mais gastar tempo movendo arquivos manualmente entre diferentes volumes de armazenamento. O tiering cuida de tudo, o que reduz a carga de trabalho e minimiza a possibilidade de falhas humanas no processo.

A escalabilidade também é um grande benefício. À medida que o volume de dados cresce, a empresa pode adicionar capacidade em qualquer uma das camadas de forma independente. Se precisar de mais espaço para arquivamento, basta expandir o Tier 3, sem a necessidade de alterar as camadas de alto desempenho, o que torna o crescimento mais flexível e econômico.

Existem desvantagens ou riscos no processo?

Apesar dos seus muitos benefícios, o tiering apresenta alguns desafios. A complexidade na configuração inicial é um deles. Definir as políticas corretas para a movimentação de dados exige uma análise cuidadosa dos workloads e dos padrões de acesso da empresa. Uma política mal configurada pode prejudicar o desempenho em vez de melhorá-lo.

Um risco real é o chamado "efeito thrashing", que ocorre quando os dados são movidos excessivamente entre as camadas. Se uma política for muito agressiva, um arquivo pode ser rebaixado para um tier lento e, logo em seguida, ser solicitado novamente, forçando sua promoção. Esse ciclo consome recursos dos servidores de armazenamento e causa latência.

O investimento inicial também pode ser uma barreira. Soluções de tiering automatizado geralmente dependem de controladoras de armazenamento avançadas ou licenças de software específicas. Embora o retorno sobre o investimento seja alto a longo prazo, o custo para a implementação inicial precisa ser considerado no planejamento.

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Quando vale a pena implementar essa tecnologia?

A implementação do tiering faz mais sentido em ambientes com grandes volumes de dados e workloads variados. Empresas que gerenciam dezenas de terabytes ou até petabytes de informações, com uma mistura de bancos de dados, servidores de arquivos e sistemas de arquivamento são as candidatas ideais para essa tecnologia.

A estratégia também é muito valiosa para organizações que enfrentam restrições orçamentárias, mas não podem abrir mão do desempenho. O tiering permite que elas invistam em uma quantidade menor de armazenamento all flash para as aplicações críticas, enquanto utilizam mídias mais baratas para o restante dos dados.

Qualquer cenário que exija retenção de dados a longo prazo por motivos de conformidade regulatória também se beneficia enormemente. A capacidade de mover automaticamente dados antigos para uma camada de arquivamento de baixo custo como a nuvem, simplifica a conformidade e reduz os custos operacionais de forma significativa.

Simplificando o gerenciamento com um storage NAS

Muitos administradores de sistemas podem ver o tiering como uma tecnologia complexa, reservada apenas para grandes datacenters. No entanto, os modernos storage NAS híbridos democratizaram o acesso a esse recurso. Soluções como o Qtier, da Qnap, integram motores de tiering sofisticados com interfaces de gerenciamento muito intuitivas.

Esses sistemas analisam os padrões de acesso aos dados de forma autônoma e movem os blocos entre SSDs e HDDs sem exigir uma configuração manual complexa. O usuário define algumas políticas básicas, e o próprio equipamento otimiza o posicionamento dos dados ao longo do tempo. Isso torna a tecnologia acessível até para pequenas e médias empresas sem uma equipe de TI especializada.

Dessa forma, um storage centralizado e inteligente resolve o antigo dilema entre custo e desempenho. Ele combina a velocidade dos SSDs para dados quentes com a alta capacidade dos HDDs para dados frios em um único sistema coeso e fácil de gerenciar. Para qualquer empresa que busca eficiência e controle sobre seus dados, um storage NAS com tiering automático é a resposta.

Celso Ricardo Andrade

Celso Ricardo Andrade

Especialista em storage NAS
"Sou especialista em storages com mais de 10 anos de experiência e ajudo pessoas e empresas a projetarem ambientes de armazenamento centralizados, seguros e de fácil gestão. Atuo como arquiteto de soluções, implemento NAS, DAS e redes SAN, além de ser redator senior e oferecer estratégias práticas para o armazenamento de dados, com um conteúdo claro e aplicável para resultados reais."

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