Índice:
- O que são os sistemas NAS da NetApp?
- A era do NearStore e do StoreVault
- Data ONTAP 7G e o legado do 7-Mode
- V-Series, GX e a complexidade adicional
- Por que esses storages antigos são um risco?
- Desempenho em redes e aplicações modernas
- O problema da falha de hardware e peças
- Vulnerabilidades de segurança não corrigidas
- Qual a alternativa para dados corporativos?
- Migrar para um novo storage é a solução
Muitas empresas ainda utilizam equipamentos de TI antigos, como alguns storages da NetApp, para reduzir custos com infraestrutura. Essa estratégia parece bastante econômica no curto prazo, mas frequentemente esconde riscos operacionais graves.
Uma falha inesperada em um desses sistemas pode comprometer completamente o acesso a dados críticos. Isso geralmente resulta em longos períodos de inatividade e perdas financeiras substanciais para o negócio.
Assim, compreender a arquitetura e as limitações desses equipamentos legados é fundamental. Essa análise previne a perda de arquivos importantes e evita paralisações que afetam toda a operação da empresa.
O que são os sistemas NAS da NetApp?
Os sistemas NAS da NetApp são soluções de armazenamento conectado à rede projetadas para centralizar, compartilhar e gerenciar dados em ambientes corporativos. Esses equipamentos ficaram muito conhecidos por sua confiabilidade e pelo sistema operacional Data ONTAP, que unificava o acesso a arquivos (NAS) e blocos (SAN) em uma única plataforma. Durante muitos anos, eles foram uma escolha popular para empresas que precisavam de alto desempenho e recursos avançados.
A arquitetura desses storages era bastante inovadora para a época. Ela oferecia funcionalidades como snapshots, replicação e thin provisioning, que simplificavam o gerenciamento dos dados. No entanto, muitos desses sistemas de armazenamento como o NearStore e o StoreVault foram desenvolvidos para tecnologias e cargas de trabalho que hoje são consideradas ultrapassadas, com limitações significativas de hardware e software.
Embora tenham sido robustos, esses sistemas não acompanharam a evolução das redes, dos processadores e das novas ameaças de segurança. Por isso, seu uso em ambientes produtivos atualmente representa um risco considerável. A falta de atualizações e suporte oficial torna esses equipamentos vulneráveis e pouco eficientes para as demandas atuais.
A era do NearStore e do StoreVault
O NetApp NearStore surgiu como uma solução de armazenamento secundário, quase sempre focada em arquivamento e backup. Ele utilizava discos SATA, que eram mais baratos, para oferecer grande capacidade a um custo menor. Sua proposta era ideal para dados de acesso menos frequente, mas seu desempenho nunca foi projetado para aplicações primárias ou ambientes com muitos usuários simultâneos.
Já a linha StoreVault foi a tentativa da NetApp para atender pequenas e médias empresas. Esses equipamentos eram mais simples e acessíveis, mas também herdavam várias limitações de hardware. Seus processadores, memória RAM e interfaces de rede, geralmente de 1GbE, são insuficientes para as redes e os volumes de dados que as empresas manipulam hoje.
Ambas as linhas de produtos foram descontinuadas há bastante tempo. Por consequência, não recebem mais qualquer tipo de atualização de firmware ou correção de segurança. Manter um desses sistemas em operação é como dirigir um carro sem freios modernos em uma estrada de alta velocidade, pois qualquer falha ou ataque pode ser catastrófico.
Data ONTAP 7G e o legado do 7-Mode
O Data ONTAP 7G, operando no tradicional 7-Mode, foi o cérebro por trás de muitos storages NetApp durante seu auge. Esse sistema operacional era poderoso e introduziu recursos como snapshots eficientes e replicação de dados (SnapMirror), que se tornaram padrão no setor. A arquitetura 7-Mode funcionava com pares de controladoras em failover, o que garantia alguma continuidade.
No entanto, o 7-Mode apresentava uma rigidez que se tornou um problema com o tempo. Cada controladora gerenciava seu próprio conjunto de discos e volumes, o que dificultava o balanceamento de carga e a expansão da capacidade de forma transparente. Essa limitação frequentemente resultava em silos de armazenamento e complexidade administrativa.
A NetApp substituiu o 7-Mode pelo Clustered Data ONTAP (cDOT), uma arquitetura muito mais flexível e escalável. O suporte oficial para o 7-Mode terminou há anos, por isso, qualquer sistema que ainda o utilize está completamente exposto. Ele não possui proteção contra vulnerabilidades recentes e sua gestão é incompatível com ferramentas modernas de orquestração.
V-Series, GX e a complexidade adicional
A linha V-Series da NetApp funcionava como um gateway de virtualização. Ela permitia que os recursos do Data ONTAP, como deduplicação e snapshots, fossem aplicados a arranjos de discos de outros fabricantes. Embora fosse uma solução inteligente para unificar a gestão, ela adicionava uma camada extra de complexidade e um ponto único de falha à infraestrutura.
Por outro lado, a tecnologia GX, adquirida com a Spinnaker Networks, foi a base para o que se tornaria o Clustered Data ONTAP. Os primeiros sistemas GX eram focados em escalabilidade horizontal para ambientes de alta performance. Contudo, eram produtos de nicho, e os network storages antigos também foram descontinuados e não têm mais suporte.
Manter um sistema V-Series ou um antigo GX em produção hoje é um grande desafio. A compatibilidade com hardware moderno é quase nula, e a falta de suporte técnico transforma qualquer problema em uma crise. Esses equipamentos simplesmente não oferecem a segurança nem o desempenho necessários para aplicações corporativas atuais.
Por que esses storages antigos são um risco?
O principal motivo para não usar esses storages NetApp antigos é o status de Fim de Vida (End-of-Life). Quando um produto atinge essa fase, o fabricante para de fornecer suporte, atualizações de firmware e correções de segurança. Isso significa que qualquer vulnerabilidade descoberta no sistema operacional ou nos protocolos de rede permanecerá sem correção para sempre.
Essa falta de suporte expõe a empresa a ameaças cibernéticas, principalmente ransomware. Os invasores buscam ativamente sistemas desatualizados com falhas conhecidas, pois eles são alvos fáceis. Armazenar dados corporativos importantes em um equipamento sem patches de segurança é uma aposta extremamente alta e desnecessária.
Além da segurança, a ausência de atualizações também afeta a estabilidade. Bugs de software que causam corrupção de dados ou travamentos do sistema nunca serão corrigidos. Como resultado, a confiabilidade do armazenamento diminui drasticamente com o tempo, o que aumenta a chance de perda de dados e indisponibilidade dos serviços.
Desempenho em redes e aplicações modernas
O desempenho desses storages legados é um grande gargalo em infraestruturas atuais. A maioria desses equipamentos possui portas de rede de 1 Gigabit Ethernet, enquanto o padrão em ambientes corporativos hoje é 10GbE ou mais. Essa diferença cria uma lentidão enorme no acesso aos arquivos e afeta a produtividade de toda a equipe.
A capacidade de processamento, medida em IOPS (operações de entrada e saída por segundo), também é muito baixa para os padrões atuais. Aplicações como bancos de dados, virtualização e edição de vídeo exigem uma alta taxa de transferência que esses sistemas antigos simplesmente não conseguem entregar. O resultado é lentidão, travamentos e uma péssima experiência para o usuário.
A compatibilidade com tecnologias modernas é outro ponto fraco. Esses storages raramente suportam versões mais novas de protocolos como SMB ou NFS, o que gera problemas de conexão com sistemas operacionais atualizados. Além disso, a integração com plataformas de nuvem ou hypervisors recentes é praticamente impossível, o que limita a evolução da infraestrutura de TI.
O problema da falha de hardware e peças
Todo componente de hardware tem uma vida útil limitada, e em equipamentos com mais de uma década de uso, a falha é uma questão de "quando", não "se". Discos rígidos, fontes de alimentação e controladoras em storages antigos da NetApp estão operando muito além do seu tempo de vida projetado, o que torna as falhas muito mais frequentes.
Quando um componente falha, encontrar uma peça de reposição se torna uma tarefa difícil e cara. É preciso recorrer ao mercado de usados, sem qualquer garantia sobre a qualidade ou a procedência da peça. Essa busca pode levar dias ou semanas, e durante todo esse tempo, os dados podem ficar inacessíveis, o que causa um grande prejuízo para a empresa.
Mesmo que uma peça seja encontrada, a troca pode ser complexa e arriscada. A falta de documentação atualizada e de suporte técnico especializado aumenta a chance de erros durante o processo. Em muitos casos, uma simples falha de disco pode levar à perda total dos dados se o arranjo RAID não conseguir se reconstruir corretamente com hardware instável.
Vulnerabilidades de segurança não corrigidas
A segurança é talvez o ponto mais crítico ao avaliar o uso de storages NetApp antigos. Sem atualizações, esses sistemas acumulam uma longa lista de vulnerabilidades conhecidas e documentadas publicamente. Isso os transforma em alvos perfeitos para ataques automatizados que varrem a internet em busca de equipamentos desprotegidos.
Protocolos de rede como SMBv1, frequentemente habilitados por padrão nesses sistemas, possuem falhas graves que foram exploradas por ransomwares famosos como o WannaCry. Manter um dispositivo vulnerável na rede interna coloca em risco não apenas os arquivos armazenados nele, mas também todos os outros computadores e servidores conectados.
Além disso, esses equipamentos não possuem recursos de segurança modernos. Faltam funcionalidades como autenticação multifator, criptografia de dados em repouso robusta e logs de auditoria detalhados. Essa ausência de medidas protetivas dificulta a detecção de atividades suspeitas e a conformidade com regulamentações de proteção de dados, como a LGPD.
Qual a alternativa para dados corporativos?
A alternativa mais segura e eficiente é migrar os dados para uma solução de armazenamento moderna. Um storage NAS atual oferece desempenho, segurança e recursos de gerenciamento muito superiores aos sistemas legados. Equipamentos de fabricantes como QNAP ou Synology, por exemplo, entregam uma infraestrutura robusta a um custo-benefício excelente para a maioria das empresas.
Esses sistemas modernos vêm com interfaces de rede de 2.5GbE, 10GbE ou mais, além de suporte para SSDs que aceleram o acesso aos dados. Eles também recebem atualizações constantes de software, que corrigem falhas de segurança e adicionam novas funcionalidades. Recursos como snapshots imutáveis, replicação para a nuvem e antivírus integrado protegem os dados contra falhas e ataques de ransomware.
A gestão centralizada e a interface intuitiva também simplificam a administração do ambiente. Com poucos cliques, é possível configurar backups automáticos, gerenciar permissões de usuários e monitorar a saúde do sistema. Investir em um novo storage não é um custo, mas sim uma garantia para a continuidade e a segurança do negócio.
Migrar para um novo storage é a solução
Manter dados corporativos importantes em storages NetApp antigos como NearStore, StoreVault ou sistemas com 7-Mode é uma prática de alto risco. A falta de suporte, as vulnerabilidades de segurança e o hardware obsoleto criam um cenário propenso a falhas catastróficas. A economia inicial com a compra de equipamentos usados desaparece rapidamente diante do custo de uma parada ou da perda de dados.
A migração para um storage NAS moderno é o caminho mais lógico e seguro. O processo de transferência dos dados pode ser planejado para minimizar o impacto nas operações. Muitos sistemas novos oferecem ferramentas que facilitam essa migração, o que torna a transição mais suave e controlada.
Adotar uma tecnologia atual protege o patrimônio digital da empresa e também prepara a infraestrutura para o futuro. Com maior desempenho, escalabilidade e segurança, a equipe de TI pode focar em projetos estratégicos em vez de apagar incêndios em hardware obsoleto. Nessas condições, um servidor de arquivos moderno é a resposta para garantir a integridade e a disponibilidade dos dados corporativos.
