Synology High Availability (SHA): Saiba mais sobre esses storages redundantes com vantagens, desvantagens, recursos e proteja sua infraestrtutura de TI.
Synology High Availability é uma solução que cria um cluster de alta disponibilidade com dois servidores Synology NAS. Um servidor funciona como a unidade ativa, que gerencia todos os serviços, enquanto o outro atua como uma unidade passiva, em espera. Essa estrutura garante que, se o servidor ativo falhar, o passivo assume suas funções quase instantaneamente. Na prática, o sistema espelha todos os dados do servidor ativo para o passivo em tempo real através uma conexão dedicada. Essa sincronização contínua assegura que ambos os nós possuam informações idênticas. Uma conexão de monitoramento, conhecida como Heartbeat, verifica constantemente a saúde do servidor ativo. Qualquer interrupção nesse sinal dispara o processo de failover automático. Essa tecnologia é projetada para minimizar o tempo de inatividade e proteger o acesso aos dados contra falhas inesperadas. Muitas empresas adotam essa abordagem para manter aplicações como servidores de arquivos, máquinas virtuais e bancos de dados sempre online, sem qualquer intervenção manual durante uma falha.
O funcionamento do cluster de failover é bastante direto. O servidor ativo processa todas as solicitações dos usuários e as tarefas do sistema. Ao mesmo tempo, ele replica cada alteração para o servidor passivo. Essa cópia constante mantém os dois dispositivos perfeitamente sincronizados. Uma conexão Heartbeat, geralmente um cabo de rede ligado diretamente entre os dois servidores, monitora o status do nó ativo. Se essa conexão for perdida por qualquer motivo, como uma falha de hardware ou um problema no software, o servidor passivo interpreta o silêncio como uma falha. Por isso, ele inicia o processo para assumir o controle. Nesse momento, o servidor passivo se promove a ativo e assume o endereço IP virtual do cluster. Os serviços são reiniciados nesse novo nó, e os usuários são redirecionados automaticamente. Todo o processo leva poucos minutos, e a maioria dos usuários sequer percebe que ocorreu uma transição.
Nem todos os servidores NAS da Synology suportam a tecnologia High Availability. Geralmente, essa funcionalidade está disponível em equipamentos das linhas Plus, XS, XS+ e SA, que são voltados para o mercado profissional e corporativo. É sempre fundamental consultar a lista oficial de compatibilidade no site da Synology antes de qualquer aquisição. Para um desempenho ideal e uma estabilidade maior, a recomendação é usar dois servidores NAS idênticos. Isso inclui o mesmo modelo, a mesma quantidade de memória RAM e a mesma configuração de discos. Embora alguns cenários permitam o uso de equipamentos diferentes, essa prática pode introduzir instabilidades e gargalos no desempenho. A compatibilidade também se estende aos discos rígidos e SSDs. Os drives instalados em ambos os servidores devem ter a mesma capacidade e, preferencialmente, o mesmo part number. Essa paridade nos componentes de hardware simplifica o gerenciamento e evita problemas durante a sincronização dos dados.
A montagem de um cluster SHA exige alguns componentes específicos para funcionar corretamente. O requisito mais óbvio são os dois servidores Synology NAS compatíveis ao serviço. Como mencionado, modelos idênticos são fortemente recomendados para evitar qualquer tipo de problema. Além dos servidores, os discos rígidos ou SSDs em ambos os equipamentos precisam ser iguais em capacidade. Os arranjos de discos espelham as configurações de armazenamento, por isso a paridade é obrigatória. A quantidade de memória RAM também deve ser a mesma nos dois nós para garantir que o servidor passivo consiga executar todas as aplicações com o mesmo desempenho após um failover. Finalmente, a infraestrutura de rede é uma parte vital do conjunto. Você precisará de cabos de rede para as conexões LAN e para a conexão Heartbeat. Um switch de rede confiável também é essencial para gerenciar o tráfego entre os servidores e os usuários.
Uma infraestrutura de rede bem planejada é talvez o fator mais crítico para o sucesso de um cluster SHA. A conexão Heartbeat, por exemplo, exige uma ligação dedicada e de baixa latência entre os dois servidores. A melhor prática é usar um cabo de rede para conectar os dois NAS diretamente, sem passar por um switch, para eliminar um ponto de falha. Para o acesso aos dados, cada servidor deve ter pelo menos uma porta LAN conectada à rede principal. Para aumentar a resiliência, muitas empresas utilizam switches redundantes e configuram a agregação de link (Link Aggregation) nas portas de rede. Essa medida protege o cluster contra a falha de um cabo, uma porta ou até mesmo um switch inteiro. O uso de VLANs também pode ser interessante para segmentar o tráfego. É possível isolar a comunicação do Heartbeat do tráfego normal dos usuários, o que melhora a segurança e a estabilidade da conexão. A latência na rede Heartbeat deve ser inferior a 1 milissegundo, e a taxa de transferência mínima recomendada é de 1 Gbps.
Uma grande vantagem do Synology High Availability é que a licença para criar o cluster já vem incluída no sistema operacional DiskStation Manager (DSM). Não há custos adicionais para ativar a funcionalidade, desde que você possua dois servidores compatíveis. Isso simplifica bastante o processo de implementação. No entanto, é importante entender como a capacidade de armazenamento funciona. A capacidade útil total do cluster será sempre a de um único servidor. Por exemplo, se você tem dois servidores com 40 TB cada, a capacidade disponível para os usuários será de 40 TB, não 80 TB. O segundo servidor atua como um espelho completo e não adiciona espaço útil. Essa característica frequentemente confunde alguns administradores de TI. O objetivo do SHA não é expandir o armazenamento, mas sim garantir a continuidade do serviço. O investimento no segundo equipamento e nos seus respectivos discos é totalmente focado em redundância e proteção contra falhas de hardware.
Muitos profissionais questionam se um cluster SHA afeta o desempenho das aplicações de produção. Para operações de leitura, o desempenho é praticamente idêntico ao de um único servidor NAS. As solicitações são processadas pelo nó ativo sem qualquer sobrecarga adicional. Já nas operações de escrita, existe um pequeno impacto. Como cada dado escrito no servidor ativo precisa ser replicado imediatamente para o servidor passivo, há uma latência adicional. No entanto, em redes bem configuradas com conexões de 10GbE, esse atraso é quase imperceptível para a maioria das cargas de trabalho, como compartilhamento de arquivos e backups. Aplicações que exigem altíssimas taxas de IOPS, como bancos de dados transacionais ou ambientes de virtualização intensivos, podem sentir mais esse efeito. Nesses cenários, é crucial usar uma rede Heartbeat muito rápida e discos SSD para minimizar a latência na sincronização.
O cluster Synology High Availability protege a maioria dos serviços e protocolos essenciais para um ambiente empresarial. O compartilhamento de arquivos via SMB/CIFS para usuários Windows e NFS para ambientes Linux/Unix funciona de forma transparente. Após um failover, os usuários continuam acessando suas pastas sem precisar remapear unidades de rede. Para ambientes de virtualização, os alvos iSCSI LUN também são totalmente suportados. Isso significa que máquinas virtuais armazenadas no NAS continuarão funcionando após a transição para o servidor passivo, com uma breve interrupção durante o processo. Alguns hypervisors, como o VMware vSphere, possuem mecanismos que lidam com essa pequena pausa de forma muito eficiente. Além disso, vários pacotes da Synology, como o Active Backup for Business, o Synology Drive e até mesmo o Virtual Machine Manager e o Docker, são compatíveis com o SHA. Essa ampla compatibilidade torna a solução bastante versátil para proteger diversas cargas de trabalho críticas.
Dois indicadores importantes para qualquer solução de continuidade são o RTO (Recovery Time Objective) e o RPO (Recovery Point Objective). O RTO define o tempo máximo que um serviço ou aplicação pode ficar indisponível após uma falha. Com o SHA, o RTO é muito baixo, geralmente na casa de poucos minutos, que é o tempo necessário para o servidor passivo assumir os serviços. O RPO, por sua vez, mede a quantidade máxima de dados que pode ser perdida. Como a sincronização entre os servidores ativo e passivo é feita em tempo real, o RPO do Synology High Availability é praticamente zero. Isso garante que nenhuma transação seja perdida no caso de uma falha súbita no servidor principal. Esses dois fatores tornam o SHA uma solução extremamente eficaz para empresas que não podem tolerar longos períodos de inatividade ou qualquer perda de dados. A automação do failover elimina a necessidade de intervenção humana imediata, o que reduz drasticamente o tempo para a recuperação do ambiente.
Apesar de sua eficácia, o Synology High Availability não é uma solução infalível. É fundamental reconhecer suas limitações para construir uma infraestrutura verdadeiramente resiliente. Por exemplo, se ambos os servidores estiverem conectados ao mesmo switch de rede e esse switch falhar, o cluster inteiro ficará inacessível. Por isso, a redundância na rede é tão importante. Da mesma forma, uma falha de energia que afete ambos os equipamentos simultaneamente também causará uma interrupção. O uso de fontes de alimentação redundantes em cada NAS e a conexão deles a no-breaks (UPS) distintos são práticas recomendadas. O SHA protege contra a falha de um servidor, mas não contra desastres que afetam todo o datacenter. Outro ponto importante é que erros de software ou corrupção de dados causados por um usuário ou um ataque de ransomware serão replicados instantaneamente para o servidor passivo. O cluster não consegue diferenciar uma alteração legítima de uma maliciosa. Esse cenário reforça a necessidade de outras camadas de proteção.
Essa é uma dúvida muito comum, e a resposta é um sonoro não. Alta disponibilidade e backup são conceitos diferentes que resolvem problemas distintos, embora complementares. O SHA protege contra falhas de hardware e indisponibilidade de serviços, garantindo a continuidade das operações. O backup, por outro lado, protege os dados contra exclusão acidental, corrupção, ataques de ransomware e outros desastres lógicos. Se um arquivo for deletado ou criptografado no servidor ativo, essa alteração será imediatamente espelhada no servidor passivo. A única forma de recuperar a versão anterior desse arquivo é através de uma rotina de backup. Portanto, mesmo com um cluster de alta disponibilidade, uma política de backup robusta, com múltiplas versões e cópias externas (regra 3-2-1), continua sendo indispensável. Combinar o Synology High Availability com ferramentas como o Hyper Backup e snapshots é a resposta para uma proteção completa dos dados.