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Tape library: O armazenamento em fita para datacenters

Tape library: O armazenamento em fita para datacenters

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Muitas empresas acumulam um volume de dados que cresce exponencialmente. Manter todo esse acervo em discos de acesso rápido se torna financeiramente inviável com o tempo, pois o custo por terabyte para armazenamento primário é bastante elevado.

Essa dependência exclusiva do armazenamento local também eleva os riscos. Ameaças como ransomware e falhas de hardware podem comprometer a continuidade das operações se não houver uma cópia segura e isolada dos arquivos mais importantes.

Como resultado, buscar soluções para arquivamento de longo prazo é uma necessidade. As tape libraries surgem como uma alternativa para gerenciar grandes volumes com um custo controlado, especialmente para dados que raramente são acessados.

O que é uma tape library?

Tape library é um sistema de armazenamento automatizado que gerencia múltiplas fitas magnéticas. Ela utiliza um robô para mover os cartuchos entre os slots de armazenamento e as unidades de leitura/gravação, os drives, sem qualquer intervenção humana. Esse equipamento centraliza o backup e o arquivamento de dados em larga escala.

Na prática, o software de backup enxerga a biblioteca como um único dispositivo. Ele comanda o robô para carregar a fita correta no drive disponível, executa a rotina e depois devolve o cartucho ao seu local original. Esse processo otimiza bastante o tempo das equipes de TI.

Alguns sistemas menores são conhecidos como autoloaders e geralmente possuem apenas um drive. Já as bibliotecas maiores comportam dezenas de drives e milhares de fitas, com uma capacidade que alcança petabytes. Sua principal aplicação é em datacenters que precisam reter dados por muitos anos.

Como o sistema robótico organiza as fitas?

O robô é o coração de uma tape library, pois ele executa toda a movimentação interna. Ele se desloca por trilhos para acessar os magazines, que são gavetas removíveis onde ficam os cartuchos. Essa automação elimina quase completamente os erros manuais na troca de mídias.

Cada cartucho e cada slot possuem um código de barras para identificação. O robô utiliza um leitor óptico para escanear esses códigos e garantir que a fita certa seja carregada no drive solicitado pelo software. Isso também simplifica muito o inventário dos dados arquivados.

Ainda, os drives de fita são os dispositivos que efetivamente leem e gravam os dados. Uma biblioteca pode ter vários drives para executar múltiplas tarefas de backup ou restauração simultaneamente, o que melhora o desempenho geral do sistema.

Qual a importância da tecnologia LTO nesses sistemas?

A tecnologia LTO (Linear Tape-Open) é o padrão predominante para fitas magnéticas usadas em tape libraries. Ela define as especificações para capacidade, velocidade e compatibilidade entre diferentes fabricantes. Frequentemente, novas gerações LTO são lançadas a cada dois ou três anos, dobrando a capacidade.

Uma das principais características do padrão LTO é a retrocompatibilidade. Um drive LTO geralmente consegue ler fitas das duas gerações anteriores e gravar na geração imediatamente anterior. Por exemplo, um drive LTO-9 lê fitas LTO-8 e LTO-7, e também grava em cartuchos LTO-8.

Essa compatibilidade protege o investimento, pois as empresas não precisam migrar todos os seus dados antigos imediatamente ao atualizar o hardware. Além disso, a tecnologia LTO suporta recursos como criptografia nativa e o WORM (Write Once, Read Many), que impede a alteração dos dados gravados, algo essencial para conformidade legal.

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Capacidade e velocidade: o que esperar na prática?

A capacidade de armazenamento é um dos maiores atrativos das tape libraries. A geração LTO-9, por exemplo, armazena até 18 TB nativos por fita, ou 45 TB com compressão. Uma biblioteca com centenas de slots pode facilmente ultrapassar a casa dos petabytes.

A velocidade de transferência também é surpreendente para muitos. Um único drive LTO-9 atinge até 400 MB/s nativos. Embora o acesso ao primeiro byte seja lento porque o robô precisa encontrar e carregar a fita, a gravação de grandes volumes sequenciais é bastante eficiente.

No entanto, a performance real depende muito do tipo de dado. A compressão de hardware funciona bem com arquivos de texto e bancos de dados, mas quase não tem efeito em arquivos já comprimidos, como vídeos e imagens. Por isso, o planejamento da janela de backup é fundamental.

O custo por terabyte realmente compensa?

Sim, o custo por terabyte para arquivamento em fita é imbatível. Enquanto o preço de um disco rígido empresarial fica na casa das dezenas de dólares por TB, uma fita LTO custa muito menos. Essa diferença se torna gigantesca ao lidar com centenas de terabytes ou petabytes.

O custo total de propriedade (TCO) também é favorável. Fitas armazenadas offline não consomem energia, ao contrário dos discos que precisam ficar ligados e refrigerados constantemente. A economia na conta de eletricidade ao longo de vários anos é bastante significativa.

Contudo, o investimento inicial em uma tape library é alto. O equipamento em si, com seu robô e múltiplos drives, custa milhares de dólares. Portanto, essa solução geralmente faz sentido para empresas com um grande volume de dados para arquivamento de longo prazo.

A vida útil das fitas e o armazenamento off-site

As fitas magnéticas são extremamente duráveis quando armazenadas corretamente. A vida útil de um cartucho LTO pode chegar a 30 anos, muito superior aos 3 a 5 anos de um HD. Essa longevidade as torna ideais para retenção de dados por décadas, seja por política interna ou exigência regulatória.

O principal benefício das fitas é facilitar o armazenamento off-site. Após a gravação, os cartuchos podem ser ejetados e transportados para um local seguro, fora da empresa. Essa prática cria um "air gap", um isolamento físico que protege os dados contra desastres locais, como incêndios, e ameaças digitais, como o ransomware.

Ter uma cópia off-site e offline é um pilar da estratégia de backup 3-2-1. Ela garante que, mesmo que todo o ambiente de produção seja comprometido, ainda exista uma cópia íntegra e recuperável para restaurar as operações do negócio.

Manutenção, limpeza e os principais riscos operacionais

Apesar da robustez, as tape libraries exigem manutenção periódica para funcionar bem. Os drives de fita precisam de limpeza regular, geralmente realizada com um cartucho de limpeza específico que o robô carrega automaticamente quando o sistema indica a necessidade.

O principal risco é a falha mecânica. O robô possui partes móveis que podem desgastar com o tempo. Uma falha no braço robótico ou no leitor de código de barras pode paralisar toda a operação de backup e restauração, por isso um contrato de suporte com o fabricante é quase obrigatório.

As próprias fitas também podem falhar, embora seja raro. Erros de leitura ou gravação podem ocorrer por desgaste ou armazenamento inadequado. Por isso, o software de backup deve sempre verificar a integridade dos dados gravados para garantir uma recuperação confiável.

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Tape library, HDs, NAS ou nuvem: qual a melhor escolha?

A escolha entre fita, disco ou nuvem não é uma questão de "um ou outro", mas sim de adequar a tecnologia ao propósito. Nenhuma delas é a melhor para todas as situações. Cada uma tem seu papel em uma estratégia de armazenamento bem definida.

Os discos rígidos, especialmente os para storage NAS, são excelentes para backup primário e recuperação rápida. Eles oferecem acesso quase instantâneo aos arquivos, o que é vital para restaurar sistemas críticos com um RTO (Recovery Time Objective) baixo. Sua principal desvantagem é o custo por TB e a vida útil mais curta.

A nuvem oferece escalabilidade e acesso de qualquer lugar, mas seus custos podem ser imprevisíveis, principalmente as taxas para retirar os dados (egress fees). Já a tape library brilha no arquivamento de longo prazo, onde o custo baixo e a durabilidade são mais importantes que a velocidade de acesso.

Quando um NAS complementa a estratégia?

Um storage NAS é o complemento perfeito para uma tape library em uma arquitetura de backup hierárquica. Muitas empresas adotam uma abordagem Disco-para-Disco-para-Fita (D2D2T). Nesse modelo, os backups diários são feitos primeiro no NAS, que atua como um repositório rápido.

Essa configuração melhora drasticamente a velocidade das restaurações mais comuns, como recuperar um arquivo ou uma máquina virtual. Os dados são acessados diretamente dos discos do NAS, sem a latência do robô da tape library. Isso reduz o downtime e aumenta a produtividade.

Posteriormente, os dados armazenados no NAS são movidos para a tape library para arquivamento de longo prazo e armazenamento off-site. Assim, o NAS lida com a retenção de curto e médio prazo, enquanto a biblioteca de fitas cuida da retenção de longo prazo e da recuperação de desastres. Para um ambiente que exige agilidade e segurança, essa abordagem híbrida é a resposta.

Mariana Costa

Mariana Costa

Especialista em backup
"Sou Mariana Costa, especialista em backup com mais de oito anos de experiência implementando soluções de armazenamento para micro, pequenas e médias empresas. Produzo conteúdo prático e direto sobre configuração, rotinas de backup, snapshots, permissões, acesso remoto e proteção contra ransomware, com foco em desempenho, confiabilidade e recuperação testada. Meu trabalho é traduzir tecnologia em passos aplicáveis. Estou aqui para simplificar seu dia a dia."

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