WhatsApp Fale Conosco

RAID-Z: Saiba mais sobre essa tecnologia de armazenamento

RAID-Z: Saiba mais sobre essa tecnologia de armazenamento

Índice:

Muitas empresas investem em arranjos de discos para proteger seus dados, mas frequentemente descobrem que a simples redundância não impede a corrupção silenciosa de arquivos. Um bit alterado em um disco pode passar despercebido por meses, invalidando backups e comprometendo informações críticas sem qualquer aviso prévio. Esse risco latente expõe a fragilidade de servidores que apenas replicam dados sem verificar sua integridade contínua.

Essa falha, conhecida como "bit rot", é um problema que a maioria das tecnologias RAID convencionais não resolve. Elas apenas garantem que uma cópia exista, mas raramente confirmam se essa cópia é idêntica ao original. Quando um disco falha, a matriz de armazenamento pode reconstruir os dados usando uma versão já corrompida, por isso o problema se espalha permanentemente.

Assim, a busca por uma proteção mais robusta levou ao desenvolvimento de soluções integradas ao sistema de arquivos. Uma dessas tecnologias se destaca por tratar a integridade dos dados como prioridade máxima, com uma arquitetura fundamentalmente diferente para evitar perdas.

O que é RAID-Z?

RAID-Z é um esquema de proteção de dados exclusivo do ZFS, que combina o gerenciamento de discos com a redundância de paridade. Diferente dos arranjos tradicionais, ele não depende de uma controladora de hardware e foi projetado para eliminar falhas comuns, como o "write hole". Essa integração profunda com o ZFS também permite que o ambiente detecte e corrija erros de dados silenciosos automaticamente, algo que raramente acontece em outras implementações.

A tecnologia funciona criando um pool de armazenamento (zpool) onde todos os discos contribuem para um único espaço lógico. Quando um arquivo é escrito, o ZFS calcula checksums para cada bloco de dados, que são armazenados separadamente nos metadados. Durante a leitura, o sistema de armazenamento verifica esses checksums. Se alguma inconsistência for encontrada, o RAID-Z usa os dados de paridade para reconstruir o bloco corrompido em tempo real e entregar a versão correta para a aplicação, um processo conhecido como auto-reparação (self-healing).

Essa abordagem torna o RAID-Z ideal para cenários que exigem máxima integridade, como arquivamento de longo prazo, servidores de arquivos e armazenamento de mídia. Muitos técnicos o preferem para proteger grandes volumes de dados, pois sua arquitetura previne problemas que outras tecnologias sequer conseguem identificar. Esse método ainda oferece flexibilidade para criar arranjos com diferentes níveis de proteção.

Qual a diferença para o RAID convencional?

A principal diferença entre o RAID-Z e as tecnologias convencionais, como o RAID 5 e 6, está na sua arquitetura fundamental. O RAID tradicional geralmente opera em nível de bloco, sem qualquer conhecimento sobre o sistema de arquivos acima dele. Por outro lado, o RAID-Z é parte integral do ZFS, por isso ele entende o que são arquivos e metadados. Essa consciência contextual elimina problemas graves, como o temido "write hole", onde uma queda de energia durante uma escrita pode deixar o arranjo em um estado inconsistente.

Outro diferencial importante é a largura de faixa dinâmica (dynamic stripe width). Em um RAID comum, os dados são sempre distribuídos em faixas de tamanho fixo por todos os discos. O RAID-Z, no entanto, ajusta o tamanho da faixa para corresponder ao bloco de dados que está sendo escrito, o que otimiza o uso do espaço e melhora o desempenho em algumas cargas de trabalho. Esse recurso também evita o desperdício de espaço que ocorre no RAID 5 quando escritas pequenas forçam o ciclo de leitura-modificação-escrita.

Além disso, a capacidade de auto-reparação é talvez a vantagem mais significativa. Um arranjo RAID 5 pode reconstruir um disco com falha, mas se os dados de origem já estiverem corrompidos silenciosamente, ele simplesmente replicará o erro. O ZFS, com seus checksums, sempre valida a integridade antes de qualquer operação. Como resultado, o RAID-Z não apenas recupera um disco defeituoso, mas também garante que os dados reconstruídos sejam perfeitos.

Os tipos de RAID-Z: Z1, Z2 e Z3

O RAID-Z oferece três níveis distintos de proteção, cada um projetado para diferentes graus de tolerância a falhas e tamanhos de arranjo. A escolha entre eles depende diretamente do número de discos no pool e do nível de risco que o administrador de TI está disposto a aceitar. Cada nível aumenta a quantidade de discos de paridade, o que também impacta a capacidade útil final.

O RAID-Z1 é o nível mais básico, análogo ao RAID 5, e protege o arranjo contra a falha de um único disco. Ele exige um mínimo de três unidades para funcionar. Embora seja eficiente em termos de espaço, muitos especialistas o consideram arriscado para arranjos grandes, pois a falha de um segundo disco durante o longo processo de reconstrução (resilvering) resultaria na perda total dos dados.

O RAID-Z2 aumenta a segurança, pois é comparável ao RAID 6 e tolera a falha simultânea de até dois discos, utilizando dupla paridade. Frequentemente recomendado como o padrão para a maioria das aplicações empresariais, ele exige no mínimo quatro discos. Já o RAID-Z3 eleva ainda mais a proteção, suportando a falha de até três discos. Essa opção é ideal para pools de armazenamento massivos, com dezenas de terabytes, onde o tempo de reconstrução é muito longo e o risco de falhas em cascata é maior.

Call To Action Whatsapp

Quantos discos são necessários para cada nível?

A quantidade mínima de discos é um requisito técnico fundamental para implementar cada nível de RAID-Z. Esses números não são arbitrários, pois refletem a necessidade de ter discos suficientes para armazenar os dados do usuário e as informações de paridade que garantem a redundância. Ignorar esses mínimos simplesmente impede a criação do arranjo.

Para o RAID-Z1, que utiliza paridade simples, o storage precisa ter pelo menos três discos. Nesse cenário, dois discos armazenam dados enquanto um terceiro armazena a paridade. Para o RAID-Z2, que usa paridade dupla para maior segurança, o requisito sobe para um mínimo de quatro discos. Já o RAID-Z3, com sua paridade tripla, necessita de no mínimo cinco discos para operar.

Vale ressaltar que, embora esses sejam os mínimos, na prática, quase sempre é melhor usar mais discos. Por exemplo, um arranjo RAID-Z2 com apenas quatro discos teria 50% de sua capacidade dedicada à paridade, o que é bastante ineficiente. Um arranjo com oito discos no mesmo nível, por outro lado, oferece um equilíbrio muito melhor entre proteção e capacidade útil.

Como calcular a capacidade útil do arranjo?

Calcular a capacidade de armazenamento real em um arranjo RAID-Z é um processo direto e essencial para o planejamento de qualquer servidor. A fórmula depende do número total de discos, do tamanho individual deles e do nível de proteção escolhido. É importante lembrar que o cálculo sempre se baseia no tamanho do menor disco do conjunto, por isso usar unidades de capacidades diferentes geralmente resulta em desperdício de espaço.

A regra é bastante simples: subtraia o número de discos de paridade do número total de discos e multiplique o resultado pelo tamanho de um único disco. No RAID-Z1, um disco é dedicado à paridade. No RAID-Z2, são dois. E no RAID-Z3, são três. Portanto, as fórmulas são as seguintes: para Z1, a capacidade é (N-1) x Tamanho do Disco; para Z2, é (N-2) x Tamanho do Disco; e para Z3, (N-3) x Tamanho do Disco, onde "N" é o número total de discos.

Por exemplo, um NAS com oito discos de 10 TB configurado em RAID-Z2 terá uma capacidade útil de (8 - 2) x 10 TB, o que totaliza 60 TB. Os 20 TB restantes são inteiramente usados para armazenar as informações de dupla paridade. Esse cálculo simples ajuda administradores a projetar seus sistemas com precisão, garantindo que o espaço final atenda às necessidades da aplicação.

Análise de desempenho: leitura, escrita e IOPS

O desempenho de um arranjo RAID-Z varia consideravelmente entre operações de leitura e escrita, além de ser influenciado pela quantidade de memória RAM. Em geral, a velocidade de leitura sequencial é excelente, pois o ZFS consegue ler dados de todos os discos simultaneamente, quase atingindo a soma das taxas de transferência de cada disco de dados.

A escrita, no entanto, é um ponto mais complexo. Como qualquer arranjo de disco baseado em paridade, o RAID-Z sofre uma penalidade de desempenho em operações de escrita, especialmente as aleatórias. Isso ocorre porque o servidor de armazenamento precisa ler o bloco antigo, calcular a nova paridade e então escrever os novos dados e a nova paridade. Consequentemente, o desempenho de escrita pode ser semelhante ao de um único disco. A memória RAM (usada como cache ARC) ajuda a mitigar esse problema, mas não o elimina completamente.

Quando se trata de IOPS (operações de entrada/saída por segundo), o RAID-Z geralmente não é a melhor escolha para cargas de trabalho intensivas, como bancos de dados ou virtualização. Para esses cenários, uma configuração com vdevs espelhados (similar ao RAID 10) dentro do ZFS oferece um desempenho de IOPS de escrita muito superior. Portanto, o RAID-Z brilha em armazenamento de arquivos e streaming, mas pode se tornar um gargalo em ambientes transacionais.

Call To Action Whatsapp

Como o sistema lida com falhas de disco?

A maneira como o ZFS gerencia falhas de disco é um dos seus pontos mais fortes e um diferencial claro em relação aos equipamentos que usam tecnologias mais antigas. Quando um disco falha em um pool RAID-Z, o arranjo imediatamente coloca o arranjo em um estado "DEGRADED". Apesar do alerta, o pool continua totalmente funcional, servindo dados aos usuários sem interrupção, pois utiliza as informações de paridade dos discos restantes para reconstruir os dados do disco ausente em tempo real.

Após a substituição do disco defeituoso por um novo, o administrador inicia o processo de reconstrução, conhecido como "resilvering". Diferente do RAID tradicional, que copia o disco inteiro, bloco por bloco, o ZFS é mais inteligente. Ele verifica os metadados e reconstrói apenas os blocos que continham dados reais, ignorando o espaço livre. Esse método frequentemente acelera o processo e reduz a janela de vulnerabilidade do arranjo.

Durante o resilvering, o serviço permanece online, embora com um desempenho ligeiramente reduzido devido à carga extra de I/O. A robustez do ZFS também se manifesta aqui, pois ele continua verificando a integridade dos dados durante a reconstrução. Se encontrar um erro em um dos discos de origem, ele consegue corrigi-lo usando a paridade, algo que uma controladora de hardware comum jamais faria.

Quais storages são compatíveis com essa tecnologia?

A compatibilidade com RAID-Z não está ligada ao hardware do equipamento em si, mas sim ao sistema operacional que ele executa. Como essa tecnologia é uma característica intrínseca do ZFS, apenas dispositivos que rodam aplicações com suporte a ZFS podem utilizá-la. Isso limita um pouco as opções, mas garante que a implementação seja sempre robusta.

As distribuiçoes Linux mais conhecidas que usam ZFS e, consequentemente, oferecem RAID-Z são o TrueNAS (anteriormente FreeNAS) e o TrueNAS SCALE. Essas plataformas são extremamente populares tanto em ambientes domésticos avançados quanto em empresas, devido à sua estabilidade e ao seu vasto conjunto de recursos. Além disso, muitas distribuições Linux, como Ubuntu Server e Proxmox, também incluem suporte nativo ao ZFS, o que permite a criação de servidores de armazenamento personalizados.

Por outro lado, a maioria dos NAS residenciais, como os modelos de entrada da Synology ou da Western Digital, geralmente não oferecem suporte a ZFS. A Synology, por exemplo, utiliza seu próprio software, o Synology Hybrid RAID (SHR), baseado em Btrfs e LVM. Alguns modelos de ponta da Qnap, no entanto, rodam o QuTS hero, que é baseado em ZFS e oferece todos os benefícios do RAID-Z. Portanto, a verificação do sistema operacional é fundamental antes da compra.

RAID-Z é a melhor escolha para meu NAS?

A decisão de usar RAID-Z em um network attached storage depende inteiramente da prioridade da carga de trabalho. Se o objetivo principal é a máxima integridade e proteção contra corrupção silenciosa de dados, especialmente para arquivamento, backup ou servidor de arquivos, a resposta é um sonoro sim. A tranquilidade que o ZFS oferece com sua arquitetura de auto-reparação e a eliminação do "write hole" é incomparável no mercado.

No entanto, se a aplicação exige alto desempenho de escrita aleatória e IOPS, como em servidores de virtualização com muitas máquinas virtuais ou bancos de dados transacionais, o RAID-Z pode não ser a melhor opção. Nesses cenários, configurações de vdevs espelhados (semelhantes ao RAID 10) dentro do próprio ZFS entregam um desempenho muito superior para essas tarefas específicas, embora com um custo maior em termos de capacidade útil.

Em resumo, para a grande maioria dos usuários e empresas que buscam um armazenamento em rede seguro e confiável para guardar seus arquivos mais importantes, um NAS com ZFS e RAID-Z é uma das soluções mais seguras disponíveis. O pequeno sacrifício no desempenho de escrita é um preço baixo a pagar pela certeza de que os dados permanecerão íntegros por muitos anos. Para quem valoriza a longevidade dos dados, essa tecnologia é a resposta.

Celso Ricardo Andrade

Celso Ricardo Andrade

Especialista em storage NAS
"Sou especialista em storages com mais de 10 anos de experiência e ajudo pessoas e empresas a projetarem ambientes de armazenamento centralizados, seguros e de fácil gestão. Atuo como arquiteto de soluções, implemento NAS, DAS e redes SAN, além de ser redator senior e oferecer estratégias práticas para o armazenamento de dados, com um conteúdo claro e aplicável para resultados reais."

Resuma esse artigo com Inteligência Artificial

Clique em uma das opções abaixo para gerar um resumo automático deste conteúdo:


Leia mais sobre: Guia de Storage NAS

Conteúdos essenciais para escolher, instalar e configurar um NAS com foco em organização, desempenho e crescimento.

Fale conosco

Estamos prontos para atender as suas necessidades.

Telefone

Ligue agora mesmo.

(11) 91789-1293

E-mail

Entre em contato conosco.

[email protected]

WhatsApp

(11) 91789-1293

Iniciar conversa