Storage para Hyper-V: Saiba mais sobre fabricantes, modelos, capacidade, desempenho, disponibilidade e escalabilidade antes de escolher seu próximo storage.
A melhor tecnologia de storage para Hyper-V depende diretamente da carga de trabalho, do orçamento disponível e dos requisitos de disponibilidade. Soluções como NAS, SAN e S2D oferecem diferentes equilíbrios entre desempenho, custo e complexidade para os ambientes virtualizados. Alguns ambientes menores podem começar com o armazenamento local, que é simples e de baixo custo. No entanto, essa abordagem quase sempre dificulta a escalabilidade e a alta disponibilidade, pois os dados ficam presos a um único host físico, o que cria um perigoso ponto único de falha. Por isso, as soluções de armazenamento em rede são as mais indicadas para a maioria dos cenários. Elas centralizam os dados, simplificam o gerenciamento e formam a base para recursos avançados como Live Migration e clusters de failover, que são essenciais para a resiliência.
O armazenamento local, composto por discos instalados dentro do próprio servidor Hyper-V, oferece uma latência muito baixa. Essa configuração é bastante simples e barata para um único host, porque não exige uma infraestrutura de rede complexa para funcionar. Porém, sua principal limitação é a falta de compartilhamento entre servidores. Sem um acesso compartilhado aos arquivos das VMs, recursos como failover clustering e a migração sem downtime se tornam tecnicamente impossíveis de implementar. O armazenamento em rede, por outro lado, resolve completamente esse problema. Ele desacopla os dados dos hosts e os torna acessíveis por múltiplos servidores simultaneamente. Essa característica é um pré-requisito para quase todas as funcionalidades de resiliência e mobilidade das máquinas virtuais.
A escolha do protocolo define como os hosts Hyper-V se comunicam com o storage. O Fibre Channel (FC) é historicamente conhecido pelo seu altíssimo desempenho e confiabilidade, mas geralmente exige hardware dedicado e caro, como HBAs e switches específicos. O iSCSI, que transporta comandos SCSI sobre redes Ethernet, surge como uma alternativa muito mais acessível. Ele oferece um desempenho excelente para a maioria das cargas de trabalho e, o mais importante, utiliza a infraestrutura de rede que muitas empresas já possuem. Surpreendentemente, o protocolo SMB 3.0 evoluiu muito e hoje é uma opção de arquivos que compete diretamente com o armazenamento em bloco. Ele suporta recursos como SMB Multichannel e SMB Direct, que melhoram drasticamente o desempenho e a resiliência da conexão com o storage.
O Cluster Shared Volumes (CSV) é uma tecnologia da Microsoft que permite que múltiplos nós em um cluster de failover acessem o mesmo LUN (disco) simultaneamente. Esse recurso é absolutamente fundamental para a mobilidade das máquinas virtuais em um ambiente de alta disponibilidade. Sem o CSV, apenas um nó do cluster poderia ser o "dono" do disco por vez. Uma eventual migração da VM exigiria uma complexa troca de propriedade do disco entre os hosts, o que causaria uma breve, mas perceptível, interrupção no serviço. Com o CSV, todos os nós enxergam o volume ao mesmo tempo. Assim, uma VM pode mover-se livremente entre os hosts através do Live Migration sem qualquer impacto no acesso ao seu arquivo VHDX, pois o caminho para o storage permanece sempre ativo para todos os servidores do cluster.
Muitas equipes focam apenas na capacidade em terabytes, mas as métricas de desempenho são ainda mais importantes para VMs. O IOPS (Operações de Entrada/Saída por Segundo) mede quantas operações de leitura e escrita o sistema de armazenamento suporta, o que é vital para ambientes com muitos usuários. A latência, medida em milissegundos, indica o tempo que uma operação leva para ser concluída. Uma baixa latência é talvez o fator mais crítico para a percepção de velocidade do usuário final, especialmente em aplicações sensíveis como bancos de dados e sistemas ERP. Já o throughput, ou taxa de transferência (MB/s), é crucial para cargas de trabalho que movem grandes volumes de dados, como backups, restaurações ou streaming de vídeo. Um bom storage para Hyper-V deve, portanto, equilibrar essas três importantes métricas.
O Storage Spaces Direct (S2D) é uma solução de armazenamento definido por software da Microsoft. Ele usa os discos locais de vários servidores para criar um pool de armazenamento compartilhado, resiliente e escalável, conhecido como infraestrutura hiperconvergente. Essa abordagem elimina a necessidade de um SAN ou NAS dedicado, o que pode reduzir os custos com hardware. O S2D funciona sobre redes Ethernet padrão e utiliza o protocolo SMB 3.0 para a comunicação interna entre os nós do cluster. No entanto, sua configuração e seu gerenciamento são consideravelmente mais complexos que um storage tradicional. A solução exige um conhecimento técnico aprofundado e um hardware específico e certificado para funcionar corretamente, o que nem sempre é viável para todas as equipes.
Um storage NAS moderno vai muito além do simples compartilhamento de pastas. Atualmente, equipamentos empresariais suportam tanto iSCSI (bloco) quanto SMB 3.0 (arquivo), o que oferece uma grande flexibilidade para diferentes tipos de cargas de trabalho virtualizadas. Eles frequentemente incluem recursos avançados como snapshots, replicação remota e tiering automático entre SSDs e HDDs. Isso simplifica a proteção dos dados e otimiza o desempenho sem exigir uma intervenção manual constante dos administradores. Para muitas empresas, um NAS all-flash ou híbrido representa o melhor equilíbrio. Ele entrega o desempenho necessário para as VMs, a simplicidade de gerenciamento e um custo total de propriedade bastante competitivo quando comparado a um SAN tradicional ou a uma complexa implementação de S2D.
A alta disponibilidade em um ambiente virtualizado depende da ausência de pontos únicos de falha. Um storage para Hyper-V deve possuir componentes redundantes, como fontes de alimentação, controladoras e múltiplas portas de rede agregadas para maior vazão e resiliência. A escalabilidade também é um fator decisivo para a longevidade da solução. O sistema precisa crescer junto com a demanda do negócio, seja pela adição de mais discos (scale-up) ou pela inclusão de novos nós de armazenamento (scale-out) sem interromper o serviço. Por isso, planejar o crescimento desde o início evita gargalos futuros e investimentos emergenciais. Avaliar a capacidade do equipamento de expandir sua capacidade e seu desempenho é tão importante quanto sua performance no momento da compra.
Para garantir o melhor desempenho possível, sempre separe o tráfego de rede. Use redes VLANs ou físicas dedicadas para o gerenciamento do cluster, para o Live Migration e, principalmente, para o tráfego do storage, seja ele iSCSI ou SMB. Monitore constantemente as métricas de IOPS e latência do seu ambiente. Várias ferramentas de monitoramento ajudam a identificar gargalos antes que eles afetem os usuários. Muitas vezes, um simples ajuste no tiering de dados ou a adição de um cache SSD resolve o problema. Além disso, mantenha firmwares e drivers sempre atualizados, tanto nos hosts Hyper-V quanto no próprio storage. Essas atualizações frequentemente corrigem bugs e trazem melhorias de desempenho e estabilidade para todo o sistema, o que aumenta a confiabilidade da infraestrutura.