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Storage para projetos de BI: o que perguntar ao fornecedor

Storage para projetos de BI: o que perguntar ao fornecedor

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Muitas empresas investem em plataformas de Business Intelligence para transformar grandes volumes de dados em insights. No entanto, o desempenho dessas ferramentas frequentemente fica abaixo do esperado por uma causa comum. A infraestrutura de armazenamento não suporta a carga de trabalho exigida.

Consultas lentas, relatórios que demoram para carregar e processos ETL que travam são sintomas de um gargalo no storage. Isso ocorre porque as operações de BI exigem alta taxa de transferência e baixa latência para processar milhões de registros rapidamente. Sem um sistema adequado, a análise de dados se torna um processo frustrante e ineficiente.

Assim, escolher o storage correto é uma decisão técnica que impacta diretamente o sucesso de qualquer projeto de BI. As perguntas certas ao fornecedor evitam investimentos equivocados e garantem que a solução atenda às demandas analíticas do negócio.

O que é um storage para projetos de BI?

Um storage para projetos de Business Intelligence é um sistema de armazenamento otimizado para lidar com as cargas de trabalho intensivas de leitura e escrita geradas por ferramentas analíticas. Ele funciona como um repositório central para os dados que alimentam data warehouses e data lakes. Sua principal função é entregar dados com velocidade e consistência para que as plataformas de BI executem consultas complexas sem atrasos.

Diferente de um servidor de arquivos comum, essa solução é projetada com foco em IOPS (operações de entrada e saída por segundo) e throughput. Por exemplo, um sistema all-flash com SSDs NVMe entrega latência muito baixa, o que acelera a ingestão e o processamento de dados. Além disso, ele geralmente conta com recursos como tiering automático para mover dados entre diferentes tipos de mídia conforme a frequência de acesso.

Na prática, imagine um analista que precisa cruzar informações de vendas dos últimos cinco anos com dados de campanhas de marketing. Um storage de alto desempenho executa essa tarefa em segundos, enquanto um sistema inadequado levaria minutos ou até horas. Essa agilidade é o que possibilita uma cultura orientada a dados, onde as decisões são tomadas com base em informações atualizadas.

Qual a diferença entre IOPS e throughput?

IOPS e throughput são duas métricas de desempenho fundamentais, mas medem coisas diferentes. IOPS quantifica o número de operações de leitura e escrita que um storage executa por segundo. É uma métrica crucial para cargas de trabalho com muitos arquivos pequenos ou acessos aleatórios, como bancos de dados transacionais (OLTP) e ambientes de virtualização.

Por outro lado, o throughput, ou taxa de transferência, mede o volume de dados que o sistema consegue mover em um determinado período, geralmente em megabytes ou gigabytes por segundo (MB/s ou GB/s). Essa medida é mais relevante para operações com arquivos grandes e acessos sequenciais, como streaming de vídeo, backup e, principalmente, as consultas analíticas em um data warehouse.

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Para um projeto de BI, ambos são importantes, mas o throughput frequentemente tem um peso maior. A ingestão de grandes datasets e a execução de relatórios complexos se beneficiam diretamente de uma alta taxa de transferência. Portanto, ao avaliar um storage, é essencial perguntar ao fornecedor sobre os números de IOPS e throughput em cenários de uso misto, que simulam a realidade de um ambiente analítico.

Como a latência afeta as consultas?

A latência é o tempo que um sistema de armazenamento leva para responder a uma solicitação de leitura ou escrita. Em projetos de BI, uma latência alta impacta diretamente o tempo de resposta das consultas. Mesmo que o storage tenha um throughput elevado, cada operação individual sofre um pequeno atraso. Quando milhões de operações são necessárias para gerar um único relatório, esses atrasos se somam e o resultado é uma espera longa.

Pense na latência como o tempo de espera em um pedágio. Mesmo que a estrada tenha várias pistas (throughput), cada carro precisa parar na cabine por alguns segundos. Se a fila for grande, a viagem inteira atrasa. Em um storage, SSDs NVMe oferecem latências na casa de microssegundos, enquanto HDDs tradicionais trabalham com milissegundos. Essa diferença, embora pareça pequena, é mil vezes maior e se torna um gargalo significativo em análises complexas.

Por isso, uma das perguntas mais importantes para o fornecedor é sobre a latência média do sistema sob carga. Um bom fornecedor apresentará testes de benchmark que simulam cargas de trabalho analíticas. Uma solução all-flash, por exemplo, quase sempre será a melhor escolha para minimizar a latência e garantir que os dashboards e relatórios sejam carregados de forma quase instantânea.

O tipo de disco realmente importa?

Sim, o tipo de disco é um dos fatores que mais influenciam o desempenho. Existem basicamente três categorias: HDDs (discos rígidos), SSDs SATA/SAS e SSDs NVMe. Cada uma tem um perfil de custo e performance bem distinto. HDDs são mais baratos e oferecem grande capacidade, mas são lentos devido às suas partes mecânicas. Eles são adequados para arquivamento ou dados frios (cold data), que são acessados com pouca frequência.

Os SSDs SATA ou SAS já representam um salto enorme em velocidade, pois não possuem partes móveis. Eles são uma boa opção para cargas de trabalho mistas e oferecem um equilíbrio interessante entre custo e desempenho. No entanto, a interface SATA/SAS ainda impõe algumas limitações de velocidade quando comparada a tecnologias mais modernas.

Para máxima performance, os SSDs NVMe são a escolha ideal. Eles se conectam diretamente ao barramento PCIe do sistema, o que elimina gargalos de comunicação e entrega taxas de transferência e IOPS muito superiores. Em um ambiente de BI, onde a velocidade das consultas é crítica, o investimento em um storage all-flash NVMe se traduz em produtividade e análises mais rápidas. A pergunta ao fornecedor deve ser clara: qual tecnologia de disco o sistema suporta e qual é a recomendada para nossa carga de trabalho?

Qual a importância da conectividade de rede?

A conectividade de rede é tão importante quanto o desempenho dos discos. Um storage super-rápido conectado a uma rede lenta é como ter uma Ferrari presa no trânsito. A rede é a via por onde os dados trafegam entre o storage, os servidores de aplicação e as estações dos analistas. Se essa via estiver congestionada, todo o sistema fica lento.

Para ambientes de BI, redes de 1GbE (Gigabit Ethernet) já não são suficientes. O padrão mínimo recomendado hoje é 10GbE. Ambientes que lidam com volumes de dados muito grandes ou que precisam de latência extremamente baixa devem considerar redes de 25GbE, 40GbE ou até 100GbE. Essas conexões garantem que o storage consiga entregar os dados na velocidade que os servidores de BI conseguem processar.

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É fundamental questionar o fornecedor sobre as opções de conectividade do storage. O equipamento possui portas 10GbE ou superiores? Ele suporta agregação de link (LACP) para combinar a largura de banda de várias portas? A resposta a essas perguntas define se a infraestrutura de rede será um facilitador ou um obstáculo para o seu projeto de BI.

Como a escalabilidade do storage funciona?

A escalabilidade define a capacidade do storage de crescer junto com a demanda por dados. Existem dois tipos principais: scale-up e scale-out. A escalabilidade vertical (scale-up) consiste em adicionar mais discos, memória ou processadores a um único sistema existente. É uma abordagem mais simples, mas tem um limite físico. Uma vez que o chassi do storage está cheio ou a controladora atinge seu máximo, não é possível expandir mais.

Já a escalabilidade horizontal (scale-out) permite adicionar novos nós (servidores de armazenamento) a um cluster. Cada novo nó adiciona não apenas capacidade, mas também poder de processamento e conectividade de rede. Isso distribui a carga de trabalho e o desempenho aumenta linearmente conforme o sistema cresce. Para projetos de BI, onde o volume de dados tende a crescer exponencialmente, a arquitetura scale-out é quase sempre a mais indicada.

Ao conversar com o fornecedor, pergunte como o sistema escala. O processo de expansão exige downtime? Qual é o limite máximo de capacidade e desempenho? Uma solução que escala de forma transparente e sem interrupções garante que o crescimento do negócio não será limitado pela infraestrutura de armazenamento.

Quais recursos de proteção de dados são necessários?

Projetos de BI lidam com dados que são ativos valiosos para a empresa. Por isso, a proteção desses dados é inegociável. O primeiro nível de proteção é o RAID (Redundant Array of Independent Disks), que protege contra a falha de um ou mais discos. Para ambientes críticos, configurações como RAID 6 ou RAID 10 são recomendadas por oferecerem maior redundância.

Além do RAID, os snapshots são um recurso essencial. Eles criam cópias pontuais e imutáveis dos dados, que podem ser usadas para recuperar arquivos ou volumes inteiros em caso de erro humano, corrupção de dados ou um ataque de ransomware. A capacidade de reverter um data warehouse para um estado anterior em minutos pode salvar o projeto.

Outro ponto a ser discutido com o fornecedor é a replicação. A replicação síncrona ou assíncrona para um segundo storage, seja local ou em outro site, garante a continuidade do negócio em caso de um desastre completo no data center principal. Pergunte sobre a granularidade dos snapshots, o impacto deles no desempenho e como funciona o processo de recuperação.

Como avaliar o custo total de propriedade?

Avaliar um storage apenas pelo preço de compra é um erro comum. O Custo Total de Propriedade (TCO) oferece uma visão muito mais completa. Ele inclui não apenas o custo do hardware, mas também os custos com software, licenciamento, consumo de energia, refrigeração, espaço em rack, manutenção e suporte técnico ao longo de três a cinco anos.

Um sistema all-flash pode ter um custo inicial maior que um sistema baseado em HDDs, mas seu TCO frequentemente é menor. Ele consome menos energia, gera menos calor e ocupa menos espaço físico. Além disso, a automação de recursos como tiering e a simplicidade no gerenciamento reduzem a necessidade de horas de trabalho da equipe de TI.

Peça ao fornecedor uma projeção de TCO. Questione sobre os custos de renovação do suporte após o período inicial e se existem custos ocultos com licenças para recursos avançados. Uma análise detalhada do TCO ajuda a justificar o investimento e a escolher uma solução que seja financeiramente sustentável a longo prazo. A escolha certa de um storage para projetos de BI é a resposta para garantir agilidade e confiabilidade nas análises de dados.

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Celso Ricardo Andrade

Celso Ricardo Andrade

Especialista em storages
"Sou especialista em storages e ajudo a projetar ambientes de armazenamento centralizados, seguros e de fácil gestão. Atuo como arquiteto de soluções, implemento NAS, DAS e redes SAN, além de ser redator senior que entrega soluções práticas para o armazenamento de dados, sempre com um conteúdo claro e aplicável para resultados reais."

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