Índice:
- O que define a performance num storage all-flash?
- As portas de rede tradicionais e seus limites
- A ascensão das redes Multi-Gigabit
- O padrão ouro: conectividade 10GbE e superior
- Agregação de link acelera um único arquivo?
- Conexões diretas para máxima velocidade
- O papel do Fibre Channel em ambientes SAN
- Como escolher a infraestrutura de rede correta?
- Riscos de uma conectividade mal dimensionada
- Um ecossistema de hardware equilibrado é a resposta
Muitos usuários investem um valor considerável em um storage NAS all-flash, mas frequentemente se decepcionam com o desempenho.
Eles esperam velocidades incríveis, porém encontram transferências de arquivos muito lentas no dia a dia.
O problema raramente está nos SSDs.
A verdadeira causa para esse gargalo é quase sempre uma conectividade de rede subdimensionada, que não acompanha o potencial dos discos.
Assim, um sistema de armazenamento de última geração acaba limitado por uma infraestrutura antiga.
Entender as conexões disponíveis é fundamental para extrair o máximo do seu equipamento.
O que define a performance num storage all-flash?
A performance real num storage all-flash resulta da combinação entre a velocidade dos SSDs e a largura de banda da sua interface de rede.
Sem uma conexão rápida, os discos de estado sólido ficam ociosos, pois a rede não consegue transportar os dados com a agilidade necessária.
Um único SSD SATA, por exemplo, alcança taxas próximas a 550 MB/s.
Várias dessas unidades em um arranjo RAID superam facilmente a barreira dos gigabytes por segundo.
Por isso, a porta de rede do servidor de arquivos precisa suportar essa enorme vazão para entregar os dados aos usuários sem atrasos.
Consequentemente, a escolha da conectividade é tão importante quanto a escolha dos próprios discos.
Uma decisão errada nesse ponto compromete todo o investimento feito no sistema.
As portas de rede tradicionais e seus limites
A conexão Gigabit Ethernet (1GbE) ainda é muito comum em diversas redes locais.
No entanto, ela representa um grande obstáculo para um sistema all-flash.
Sua taxa máxima teórica é aproximadamente 125 MB/s, um valor bastante inferior à capacidade de um único SSD.
Em nossos testes, essa limitação fica evidente ao transferir grandes arquivos ou ao executar backups.
O equipamento simplesmente não passa dessa velocidade, independentemente da potência dos seus componentes internos.
Portanto, manter uma infraestrutura baseada apenas em 1GbE para um NAS com SSDs é, na prática, desperdiçar quase todo o potencial do seu armazenamento.
A ascensão das redes Multi-Gigabit
As redes Multi-Gigabit, como 2.5GbE e 5GbE, surgiram como uma solução intermediária interessante.
Elas oferecem um salto significativo sobre o padrão Gigabit sem exigir uma troca completa na infraestrutura de cabos Cat5e ou Cat6.
Uma porta 2.5GbE, por exemplo, atinge cerca de 312 MB/s, o que já melhora bastante o acesso para pequenas equipes.
Ainda assim, para cargas de trabalho mais intensas como a edição de vídeo 4K multiusuário, essa velocidade pode não ser suficiente para todos.
Logo, embora representem uma evolução bem-vinda, essas tecnologias frequentemente servem como uma ponte para redes ainda mais rápidas, especialmente em ambientes que demandam latência mínima.
O padrão ouro: conectividade 10GbE e superior
A verdadeira revolução para os storages all-flash acontece com a adoção da tecnologia 10 Gigabit Ethernet (10GbE).
Essa conexão eleva o patamar da transferência de dados em rede.
Com uma capacidade teórica para 1.250 MB/s, uma porta 10GbE finalmente consegue acompanhar o ritmo de um arranjo com múltiplos SSDs.
Isso também se traduz em acesso simultâneo mais fluido para dezenas de usuários e na execução de máquinas virtuais diretamente do storage sem qualquer engasgo.
Para ambientes ainda mais exigentes, como datacenters, as interfaces de 25GbE e 40GbE são a evolução natural.
Elas garantem que a rede nunca seja o ponto fraco do sistema.
Agregação de link acelera um único arquivo?
Uma dúvida comum entre muitos administradores de sistemas é se a agregação de link (LACP) pode dobrar a velocidade para um único usuário.
A resposta, na maioria das vezes, é não.
Essa tecnologia soma a largura de banda de múltiplas portas de rede.
O principal benefício é aumentar a capacidade total do sistema para atender a vários clientes ao mesmo tempo.
No entanto, uma única sessão de transferência, como copiar um arquivo grande, geralmente usará apenas uma das portas agregadas.
Por isso, para acelerar o trabalho de um único computador, a melhor abordagem é sempre usar uma porta nativa mais rápida, como 10GbE, tanto no NAS quanto no cliente.
Conexões diretas para máxima velocidade
Alguns profissionais, especialmente na área criativa, precisam de uma latência extremamente baixa.
Para esses casos, uma conexão direta entre o computador e o storage é a melhor alternativa.
Tecnologias como Thunderbolt e USB4 transformam o NAS em um dispositivo de armazenamento direto (DAS) com velocidades impressionantes.
Um cabo Thunderbolt 4, por exemplo, pode atingir até 40 Gbps, o que é ideal para editar vídeos em 8K diretamente do servidor de arquivos.
Essa abordagem combina a velocidade do acesso local com a conveniência do compartilhamento em rede, pois o equipamento continua acessível para outros usuários via Ethernet.
O papel do Fibre Channel em ambientes SAN
Em grandes infraestruturas corporativas, o protocolo Fibre Channel (FC) ainda tem seu espaço.
Ele é projetado para redes de armazenamento (SAN) e opera com blocos de dados.
Diferente do acesso baseado em arquivos dos protocolos SMB e NFS, o FC apresenta o armazenamento ao servidor como se fosse um disco local.
Muitos storages all-flash modernos também suportam iSCSI, que encapsula comandos de bloco sobre redes Ethernet, como 10GbE ou mais rápidas.
Assim, o equipamento se torna uma solução híbrida, capaz de servir arquivos e blocos simultaneamente com alta performance para diversas aplicações.
Como escolher a infraestrutura de rede correta?
A escolha da infraestrutura de rede ideal depende diretamente da sua carga de trabalho.
Não existe uma solução única para todos os cenários.
Primeiramente, avalie o tipo de arquivo e o número de usuários.
Um estúdio de design que manipula imagens pesadas tem necessidades diferentes de um escritório que lida com documentos de texto.
Além disso, o switch de rede é uma peça fundamental, pois precisa ter portas com a mesma velocidade do NAS para evitar gargalos.
Também vale ressaltar a importância dos cabos.
Para conexões 10GbE, o uso de cabos Cat6a ou Cat7 é recomendado para garantir estabilidade e desempenho em qualquer situação.
Riscos de uma conectividade mal dimensionada
Ignorar a importância da conectividade em um sistema all-flash traz consequências bastante negativas.
O principal risco é o subaproveitamento do hardware, que resulta em um péssimo retorno sobre o investimento.
Usuários frustrados com a lentidão, aplicações que não respondem adequadamente e processos de backup que demoram horas são sintomas comuns.
O pior é que, muitas vezes, a culpa recai sobre o storage, quando o verdadeiro vilão é a rede.
Como resultado, a empresa perde produtividade e pode enfrentar dificuldades para diagnosticar um problema que parece complexo, mas tem uma causa simples.
Um ecossistema de hardware equilibrado é a resposta
Um storage NAS all-flash de alto desempenho não opera sozinho.
Ele é o centro de um ecossistema que precisa estar em total harmonia para funcionar bem.
Isso significa que os SSDs, o processador do NAS, as portas de rede, o switch, os cabos e até as placas de rede dos computadores clientes devem ser compatíveis em velocidade.
Felizmente, muitos servidores de arquivos modernos oferecem slots de expansão PCIe.
Essa flexibilidade permite que sua empresa comece com uma conexão 1GbE ou 2.5GbE e evolua para 10GbE ou mais no futuro.
Portanto, um planejamento cuidadoso da conectividade é a resposta para garantir a longevidade e a eficiência do seu investimento em armazenamento.
