Índice:
- O que é um storage VNX EMC?
- A arquitetura unificada dos sistemas VNX
- Capacidade e desempenho dos storages
- Conectividade: Portas FC, iSCSI e Ethernet
- O principal risco: Equipamentos End-of-Life (EOL)
- Por que um storage VNX não é seguro para arquivos hoje?
- Falhas de hardware e a dificuldade com peças
- O alto consumo energético e o custo operacional
- O NAS moderno como alternativa segura
- Planejando a substituição do seu storage legado
Muitas empresas ainda utilizam storages VNX EMC em seus datacenters para tarefas críticas. Esses equipamentos, embora muito eficientes no passado, hoje representam um risco silencioso para a continuidade dos negócios. Uma falha de hardware pode facilmente paralisar operações inteiras por falta de peças.
O maior problema é que esses sistemas chegaram ao fim da sua vida útil (End-of-Life). Isso significa que não recebem mais atualizações de segurança ou suporte do fabricante. Consequentemente, qualquer vulnerabilidade descoberta se torna uma porta aberta para ataques cibernéticos.
Assim, a dependência desses storages legados para armazenar arquivos importantes é uma aposta arriscada. Avaliar a substituição desses ativos é uma medida protetiva fundamental para qualquer infraestrutura de TI que busca estabilidade e segurança.
O que é um storage VNX EMC?
Storage VNX EMC é uma plataforma de armazenamento unificado que consolida o acesso a dados em bloco e arquivos em um único sistema. Esses equipamentos foram projetados para atender diversas cargas de trabalho em ambientes virtualizados, bancos de dados e aplicações empresariais. A linha VNX sucedeu as famílias Clariion e Celerra, integrando suas funcionalidades para simplificar a gestão do armazenamento.
Na prática, o sistema utiliza processadores dedicados para cada tipo de serviço. Os Storage Processors (SPs) gerenciam o armazenamento em bloco, ideal para bancos de dados via protocolos como Fibre Channel e iSCSI. Já os Data Movers, também conhecidos como X-Blades, cuidam do acesso a arquivos por meio de protocolos como NFS e CIFS/SMB, funcionando como um NAS integrado.
Essa arquitetura híbrida foi bastante inovadora para sua época, pois oferecia grande flexibilidade para as empresas. No entanto, quase todos os sistemas de armazenamento VNX já atingiram o status de End-of-Service-Life (EOSL). Por isso, sua utilização hoje para dados críticos é altamente desaconselhada por especialistas em segurança e infraestrutura.
A arquitetura unificada dos sistemas VNX
A principal característica da família VNX é sua arquitetura unificada, que combina as funções SAN (Storage Area Network) e NAS (Network Attached Storage). Essa abordagem permitia que as equipes de TI usassem um único equipamento para múltiplas finalidades, o que otimizava o espaço no datacenter e, em teoria, simplificava o gerenciamento. A estrutura era modular, com componentes distintos para cada tarefa.
Para o armazenamento em bloco, os storages VNX usam dois Storage Processors (SPs) em uma configuração ativo-ativo ou ativo-passivo, o que garante alta disponibilidade. Esses SPs executam o sistema operacional FLARE e controlam o acesso aos discos, LUNs e pools de armazenamento. Por outro lado, o acesso a arquivos era responsabilidade dos Data Movers, que rodavam um sistema operacional separado chamado DART.
Embora essa separação garanta desempenho dedicado para cada função, ela também introduz uma complexidade adicional. A comunicação entre os SPs e os Data Movers, por exemplo, cria uma interdependência que pode dificultar a solução de problemas. Atualmente, essa complexidade raramente compensa os riscos associados a um hardware sem suporte oficial.
Capacidade e desempenho dos storages
A série VNX EMC abrangeu uma vasta gama de equipamentos, desde o storage VNX5100, voltado para pequenas e médias empresas, até o poderoso VNX8000, projetado para grandes datacenters. A capacidade de armazenamento variava drasticamente entre eles, com os equipamentos de entrada suportando algumas dezenas de discos, enquanto os sistemas high-end podiam gerenciar mais de mil drives, alcançando múltiplos petabytes de capacidade bruta.
O desempenho também era um ponto forte, especialmente com a introdução do FAST Suite. Essa tecnologia implementava tiering automático, movendo os dados mais acessados para discos mais rápidos, como SSDs (FAST Cache) ou SAS de 15K RPM. Por exemplo, o sistema de armazenamento unificado VNX5400 já apresentava um salto significativo em IOPS comparado ao seu antecessor, o VNX5300, graças a processadores mais modernos e mais memória RAM.
Ainda assim, quando comparados aos storages all-flash atuais, o desempenho dos sistemas VNX é bastante limitado. A latência inerente aos discos rígidos e as controladoras mais antigas não conseguem competir com a velocidade das tecnologias NVMe. Para aplicações modernas que exigem resposta em microssegundos, um VNX frequentemente se torna o gargalo da infraestrutura.
Conectividade: Portas FC, iSCSI e Ethernet
A flexibilidade na conectividade era um dos grandes trunfos da linha VNX. Os equipamentos ofereciam múltiplas opções para se integrar a diferentes tipos de rede, o que facilitava sua adoção em infraestruturas heterogêneas. As portas Fibre Channel (FC) com velocidades de 8 Gb/s eram a escolha padrão para ambientes SAN que exigiam alta performance e baixa latência, como clusters de virtualização.
Para empresas que buscavam uma alternativa mais econômica ao FC, a conectividade iSCSI sobre redes Ethernet de 1 GbE ou 10 GbE era uma opção viável. Essa abordagem utilizava a infraestrutura de rede existente para o tráfego de armazenamento em bloco. Adicionalmente, os Data Movers possuíam suas próprias portas Ethernet para servir arquivos via CIFS/SMB e NFS, completando o leque de opções.
Contudo, esses padrões de conectividade hoje são considerados lentos. Redes de armazenamento modernas operam com velocidades de 25 GbE, 100 GbE ou 32 Gb/s Fibre Channel. Manter um storage VNX pode limitar o desempenho de servidores e aplicações mais novas, que são capazes de processar dados em taxas muito mais altas do que as interfaces antigas suportam.
O principal risco: Equipamentos End-of-Life (EOL)
O maior alerta sobre o uso de qualquer storage VNX EMC hoje é o seu status de End-of-Life (EOL) ou End-of-Service-Life (EOSL). Isso significa que a Dell EMC não fornece mais suporte, atualizações de firmware ou correções de segurança para esses produtos. Qualquer empresa que ainda os utiliza opera por conta própria, sem a rede de segurança do fabricante.
Na prática, quando um componente crítico como uma controladora, fonte de alimentação ou disco rígido falha, não há um canal oficial para obter uma peça de reposição. As empresas precisam recorrer ao mercado de usados, onde a disponibilidade é incerta e a qualidade das peças não é garantida. Esse cenário transforma um incidente de rotina em uma crise potencial com alto risco de perda de dados.
Além do hardware, a falta de atualizações de software é ainda mais grave. Novas vulnerabilidades de segurança são descobertas constantemente, e sem patches, o storage se torna um alvo fácil para ataques de ransomware e outras ameaças. Manter dados importantes em um sistema vulnerável é uma falha grave de governança de TI.
Por que um storage VNX não é seguro para arquivos hoje?
Utilizar um storage VNX para armazenar arquivos importantes atualmente expõe a organização a riscos de segurança inaceitáveis. A principal razão é a ausência total de atualizações de segurança. O sistema operacional DART, que gerencia o compartilhamento de arquivos, e o software de gerenciamento Unisphere não recebem mais correções para vulnerabilidades conhecidas.
Isso torna o equipamento extremamente suscetível a ataques que exploram falhas antigas, como as que afetam o protocolo SMBv1, frequentemente usado como porta de entrada para ransomware. Um invasor que consegue acesso à rede pode facilmente comprometer o storage e criptografar todos os arquivos, sem que haja uma defesa de software atualizada para impedir a ação.
Além disso, os recursos de segurança nativos dos VNX são básicos quando comparados aos de soluções modernas. Faltam funcionalidades essenciais como snapshots imutáveis, detecção de anomalias baseada em comportamento e integração com plataformas de segurança avançadas. Portanto, confiar dados críticos a um VNX é quase como deixar a porta do cofre aberta.
Falhas de hardware e a dificuldade com peças
A probabilidade de uma falha de hardware em um storage VNX aumenta exponencialmente com o tempo. Discos rígidos mecânicos, especialmente os fabricados há quase uma década, têm uma vida útil limitada. Em nossos testes de campo, observamos que a taxa de falha de HDDs em sistemas com mais de cinco anos de uso é significativamente maior, o que eleva o risco de falhas duplas em arranjos RAID.
Quando um componente falha, o verdadeiro desafio começa. Encontrar uma peça de reposição compatível, como um disco com o firmware específico da EMC ou uma controladora do modelo exato, pode levar dias ou semanas. Durante esse período, o storage opera em modo degradado, com desempenho reduzido e sem redundância, o que aumenta o risco de uma parada total.
O custo dessas peças no mercado paralelo também é frequentemente inflacionado devido à escassez. Em muitos casos, o valor para substituir um único componente pode ser proibitivo, tornando a manutenção do equipamento economicamente inviável. Esse ciclo de falhas e reparos caros gera um custo operacional oculto que muitas empresas não preveem.
O alto consumo energético e o custo operacional
Um fator muitas vezes negligenciado ao manter hardware antigo é seu impacto no custo operacional, principalmente no consumo de energia. Os storages da série VNX foram projetados com tecnologias de uma geração anterior, que são muito menos eficientes energeticamente do que as soluções atuais. Um gabinete DAE (Disk Array Enclosure) totalmente populado com discos SAS de 3.5 polegadas consome uma quantidade considerável de energia.
Esse consumo elevado se traduz diretamente em contas de eletricidade mais altas para o datacenter. Além da energia para alimentar o próprio storage, há também o custo associado à refrigeração. Equipamentos mais antigos geram mais calor, o que exige mais dos sistemas de ar condicionado para manter a temperatura operacional ideal, criando um ciclo de gastos.
Em contraste, um storage all-flash moderno consome uma fração da energia para entregar um desempenho muitas vezes superior. A troca de um VNX por uma solução mais nova pode gerar uma economia significativa nos custos operacionais, muitas vezes ajudando a justificar o investimento inicial no novo hardware. Manter um equipamento legado pode, no fim das contas, sair mais caro.
O NAS moderno como alternativa segura
Diante dos riscos apresentados pelos storages VNX, os sistemas de armazenamento em rede modernos surgem como uma alternativa muito mais segura e eficiente para o armazenamento de arquivos. Soluções de fabricantes como QNAP e Synology, por exemplo, oferecem um conjunto de recursos de proteção de dados que simplesmente não existiam na era dos VNX.
Um dos maiores diferenciais é o uso de sistemas de arquivos avançados como Btrfs ou ZFS. Eles possuem mecanismos integrados para detectar e corrigir a corrupção silenciosa de dados, um problema comum em hardware antigo. Além disso, a funcionalidade de snapshots permite criar cópias instantâneas e imutáveis dos dados, que servem como uma linha de defesa poderosa contra ataques de ransomware.
Esses equipamentos também recebem atualizações constantes de firmware e software, o que garante a correção de vulnerabilidades de segurança. Com gerenciamento simplificado, menor consumo de energia e integração nativa com serviços de nuvem para backup, um storage NAS moderno não apenas mitiga os riscos, mas também melhora a agilidade e a resiliência da infraestrutura de TI.
Planejando a substituição do seu storage legado
A substituição de um storage legado como o VNX EMC não deve ser vista como um custo, mas como um investimento estratégico na segurança e continuidade do negócio. O primeiro passo é realizar um inventário completo dos dados armazenados no sistema antigo. É preciso identificar quais informações são críticas, quais podem ser arquivadas e quais podem ser descartadas.
Com essa análise em mãos, fica mais fácil definir os requisitos para a nova solução de armazenamento. É preciso dimensionar a capacidade, o desempenho necessário para as aplicações e os recursos de segurança indispensáveis, como backup e replicação. Muitas vezes, as empresas descobrem que um servidor NAS de alta capacidade atende perfeitamente às suas necessidades de armazenamento de arquivos com um custo total de propriedade muito menor.
A migração dos dados deve ser planejada cuidadosamente para minimizar o tempo de inatividade e garantir a integridade das informações. Envolver um especialista em armazenamento pode acelerar o processo e evitar erros comuns. No final, aposentar o hardware antigo é a resposta para eliminar riscos, reduzir custos operacionais e modernizar a infraestrutura de dados.
